Empate sem a fome dos aflitos
Sentia-se que o duelo que era quase amigável. Os treinadores bem podem dizer, nas antevisões, que há muito ainda em jogo. Mas para Alverca e Estoril, o principal objetivo, que é a manutenção, está garantido. Por isso, tanto antes do encontro, como durante, não houve aquela sensação de urgência, de nervoso miudinho. Apenas um duelo de futebol, que acabou empatado a uma bola (1-1).
No entanto, há que ser dito – uma equipa parecia mais competitiva do que a outra na primeira parte. E isso via-se isso desde o aquecimento, ao comportamento dos jogadores durante as reposições de bola ou dos treinadores na zona técnica. O Estoril parecia conformado, talvez confiante do plano pré-jogo, enquanto o Alverca de Custódio Castro parecia querer dar uma alegria aos adeptos neste último jogo em casa.
Competente a explorar as costas da linha defensiva do Estoril, o Alverca marcou logo aos 11 minutos num lance em que um ressalto acaba por isolar Nabil Touaizi, lateral-direito alverquense que assistiu Figueiredo. Na cara do guardião, contornou Robles e atirou de pé esquerdo para dentro. Sexto golo do brasileiro na Liga.
Figueiredo assinou um golo ainda melhor, mas acabou anulado. Outra vez nas costas da defensiva, o brasileiro picou a bola por cima do desamparado Joel Robles. Porém, estava adiantado. Nada feito. A verdade é que Rhaldney, Sandro Lima ou Lincoln estavam muito mais em jogo do que os homens da frente do Estoril.
As maiores ameaças dos canarinhos ou vinham dos pés do virtuoso João Carvalho, em iniciativa individual, ou do lateral-direito Ricard Sánchez, que soltava cruzamentos perigosos para a pequena área, mas sem a melhor correspondência. Num deles, Begraoui ainda acertou no poste. O placard mostrava ao intervalo um merecido 1-0 para os ribatejanos.
Alterações de Cathro ao intervalo mudaram o jogo
A toada da segunda parte foi diferente, talvez pelo dedo de Ian Cathro. O treinador fez duas alterações ao intervalo que se revelaram certeiras. Tanto, que uma delas marcou na primeira ação em jogo. André Lacxmicant surgiu em zona de finalização e bateu Joel Robles, num movimento à ponta-de-lança. O assistente foi… Gonçalo Costa, acabdo de entrar. Isto aos 47 minutos.
Gonçalo Costa rendeu um apagado Pedro Amaral. Xeka foi recuado a defesa-central, com a saída de Ferro. Os visitantes conseguiram ser mais perigosos, mais competitivos, e o Alverca abrandou. A chuva apareceu, as substiuições também… e as chances claras rarearam até final.
O resultado teimou em acabar num empate, que manteve ambas as equipas coladas em termos de pontos, mas com o Estoril em vantagem no confronto direto. A tranquilidade da permanência reinou.
A Figura: Figueiredo
Não é por acaso que Figueiredo, de primeiro nome Lucas, tem no currículo experiência de Serie A e B do Brasil em clubes como o Vasco da Gama. O extremo, que faz a primeira temporada em Portugal, é um valor seguro do Alverca e demonstou-o isso mesmo no último jogo em casa, tanto pelo golo inaugural, como pelo anulado, bem como outras ações ofensivas de recorte. Junta a isso solidariedade a defender. Merecia mais.
O Momento: golo do Estoril, 47m
Talvez o momento mais inesperado do jogo. Após uma primeira parte com ascendente do Alverca, dois jogadores acabados de entrar desbloquearam o empate. Gonçalo Costa desmarcou com classe André Lacximicant, que rematou já em queda mas de forma certeira. O duo apanhou todos de surpresa e definiu o resultado final.
Positivo: reconhecimento a Custódio Castro
No último jogo em casa e após uma temporada em que o Alverca garantiu a ansiada permanência na Liga, aliada a uma revolução do plantel, os adeptos reconheceram o trabalho do treinador e cantaram o seu nome várias vezes. Num momento em que se especula a saída do treinador, os ribatejanos quiseram retribuir.
