Trova do vento que passa
Ainda nem jogadores havia em campo, heróis maiores deste desporto, e um olhar geral pelo Municipal de Alverca bastava para percebermos o que nos estava reservado.
De um lado, do alto dos seus estandartes, havia bandeiras a esvoaçar ao vento; do outro, as copas das árvores, que servem de paisagem de uma das bancadas, abanavam e compunham o cenário de muito vento com que Alverca e Casa Pia se veriam confrontados daí a minutos.
Nas bancadas, havia adeptos, motor diário do futebol, de cabelos esvoaçados, cachecóis ao pescoço para atenuar o frio, camisolas que se agitavam a cada rajada.
Neste caso, caro leitor, acredite que não é exagero afirmar, com toda a certeza, que houve um fator externo que marcou o desenrolar deste jogo. O vento.
O filme do encontro comprova-o. O Casa Pia, embalado pelo empate frente ao Benfica na última jornada, teve a sorte (ou o azar?) de jogar a primeira parte a favor do vento. E por isso foi bastante superior, nesses 45 minutos.
O ascendente começou logo aos 39 segundos, quando João Marques, jogador que muito prometeu no Estoril, sucumbiu no Braga e tenta relançar-se agora no Casa Pia, apontou um golaço.
O remate do extremo português, feito à entrada da área, entrou junto ao ângulo e não deu hipóteses a Matheus Mendes.
Os pontapés de baliza do Alverca raramente passavam do meio-campo; as tentativas de jogar longo eram infrutíferas – o vento empurrava a bola para trás. E assim foi durante uma primeira parte em que o Casa Pia, em abono da verdade, podia ter marcado mais.
Larrazabal, ao minuto 6, rematou com estrondo ao poste; Rafael Brito, aos 30m, também esteve em boa posição, mas Matheus aplicou-se e defendeu para canto.
O Alverca, que praticamente nenhum perigo tinha criado na etapa inicial, apareceu com outra cara para a segunda parte. Porquê? Porque foi a sua vez de jogar a favor do vento.
Ainda o relógio nem marcava 50 minutos quando Figueiredo empatou a partida. Tudo começou num cruzamento largo de Chiquinho que apanhou Figueiredo desmarcado ao segundo poste. O cabeceamento só acabou no fundo das redes.
O domínio da equipa de Custódio era, por esta altura, tão evidente quanto havia sido o do Casa Pia.
Só que o Alverca conseguiu fazer o que os gansos não fizeram na primeira parte: voltar a marcar. Chiquinho, aos 73m, marcou o golo da reviravolta, numa recarga após uma ameaça de Sandro Lima.
A vitória seria sentenciada com um golo de Rhaldney, já ao minuto 83.
O Casa Pia foi incapaz de contrariar os ventos da segunda parte e continua em zona de play-off. Já o Alverca, regressado à I Liga, está cada vez mais próximo de assegurar a manutenção.
E tudo o vento mudou, nesta tarde de Abril.
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A FIGURA: Chiquinho
Já andou pela Premier League, ao serviço do Wolves, também pela La Liga, com as cores do Maiorca: não é de espantar, por isso, que Chiquinho seja um dos melhores jogadores deste Alverca. Tem-lo provado ao longo da temporada – e hoje foi mais um exemplo. Chiquinho assistiu Figueiredo para o golo do empate do Alverca e foi ele quem consumou a reviravolta. Ainda ficou a centímetros de fazer um golo de canto direto.
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O MOMENTO: Moeda ao ar
Pode-lhe parecer estranho que eleja, como momento deste jogo, algo que aconteceu… quando ainda nem a partida tinha começado. Mas a verdade é que o decurso deste Alverca-Casa Pia fica marcado pela sorte (ou azar) de quem jogou a favor (ou contra) o vento na segunda parte. O Alverca foi bafejado por essa sorte e, depois de uma primeira parte muito má, operou a reviravolta na segunda.
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POSITIVO: João Marques
Bom jogo do português que está no Casa Pia, por empréstimo do Sporting de Braga. Apesar da derrota dos gansos, a partida ficará marcada pelo grande golo de João Marques logo aos 39 segundos. Além disso, fez uma primeira parte de grande qualidade, dando-se às mil maravilhas com Larrazabal.
