Alverca-Benfica, 1-2 (crónica)

Ricardo Gouveia , Alverca
31 ago 2025, 20:05

Ciclo fechado com dor e sofrimento

Ciclo fechado. Com a vitória deste domingo em Alverca, Bruno Lage alcançou todos os objetivos que tinha lançado para este difícil de arranque de temporada, com a conquista da Supertaça, a qualificação para a Liga dos Campeões e uma trajetória imaculada na Liga, apesar de ter consentido o primeiro golo da temporada, num jogo em que Samuel Soares esteve em particular destaque.

Confira o FILME DO JOGO

Apesar da pausa prevista para os jogos das seleções, Bruno Lage voltou a promover uma rotação do onze principal como se fosse continuar em competição, voltando, inclusive, a chamar Samuel Soares para a baliza, mas também Tomás Araújo para a defesa, além de apostar num novo ataque, com Aursnes, Schjelderup e Ivanovic.

Custódio Castro, por seu lado, continua à procura do melhor onze, depois da chegada de três dezenas de jogadores novos, mas a verdade é que a equipa ribatejana parece estar a crescer de jornada para jornada e esta tarde não facilitou, em nada, a vida ao Benfica.

A equipa de Bruno Lage entrou no jogo com uma elevada posse de bola e chegou cedo à vantagem, logo aos 6 minutos, na sequência de um erro colossal da equipa ribatejana. Na sequência de um cruzamento da direita, Alverca parecia ter o lance controlado, mas Enzo, de cabeça voltou a colocar a bola na área, Sergi Gómez falhou o corte e deixou Schjelderup destacado para o primeiro golo. Muito fácil. Parecia estar aberto o caminho para uma goelada do Benfica, mas não foi isso que aconteceu, longe disso.

O Benfica levantou de imediato o pé, procurou manter o controlo do jogo com uma elevada posse de bola, mas sentiu tremendas dificuldades para travar as continuas transições do Alverca, quase sempre pelos pés de Chiquinho. A equipa ribatejana fechava-se a defender, mas depois desdobrava-se com muitos jogadores para o ataque. Nico Otamendi, sempre o mais rápido a recuperar, foi apagando os fogos junto à área de Samuel Soares, mas o Benfica e o jovem guarda-redes passaram por alguns calafrios.

Entre o primeiro golo e o segundo, o Benfica conseguiu apenas mais um remate, de Richard Ríos, enquanto o Alverca contou com, pelo menos, três oportunidades claras para empatar o jogo, quase todas proporcionadas pela mudança de velocidade que a equipa de Custódio impunha quando ganhava a bola.

Maresi, Nouzzi e, depois, Sabit surgiram destacados na área, mas nunca conseguiram ultrapassar Samuel Soares, um verdadeiro felino na baliza do Benfica, com destaque para a defesa ao remate do belga. Neste lance, Sabit ainda tentou a recarga, mas atirou por cima. O Benfica até conseguia profundidade pelas alas, com Dedic e Dahl muito em jogo, mas sentia muitas dificuldades no corredor central, com Richard Ríos e, sobretudo, Leandro Barreiros completamente desenquadrados do jogo e em dificuldades em trabalhar sobre um relvado que se desagregava a olhos vistos.

E foi mesmo pela lateral que o Benfica chegou ao segundo jogo, já muito perto do intervalo, numa iniciativa individual de Dedic que levou tudo à frente pela direita e bateu Matheus Mendes com um remate cruzado. Não foi propriamente uma grande exibição, mas o segundo golo permitiu à equipa de Bruno Lage recolher aos balneários ainda mais serena e ao som de aplausos.

O Alverca entrou forte na segunda parte, mas o Benfica estava agora mais sólido. A equipa de Bruno Lage deixou de pressionar tão alto, ocupou melhor todos os setores do campo e, assim, controlou melhor as investidas dos ribatejanos. Ainda assim, Chiquinho, na marcação de um livre, proporcionou mais uma grande defesa a Samuel Soares, enquanto, na resposta, Schjelderup atirou com estrondo ao poste.

Quando Bruno Lage começou a fazer a gestão da equipa, refrescando o meio-campo e o ataque, Dedic viu um segundo cartão amarelo e o consequente. Faltavam ainda vinte minutos para o final e o jogo mudava radicalmente. O Benfica adaptou-se, com Aursnes a recuar para lateral, atrás de Leandro Barreiro, enquanto Custódio, obrigado a prescindir de Chiquinho (lesionado), arriscava tudo no ataque, à procura de um golo que lhe permitisse entrar na luta pelo resultado.

E o golo até chegou, a cinco minutos do final, marcado por Davy Gui, na sequência de um canto. Os ribatejanos atacaram, depois, com tudo o que tinham à mão, diante de um Benfica que, em inferioridade numérica, não conseguia manter a posse de bola. O jogo acabou com os ribatejanos instalados na área do Benfica que, apesar de todas as dificuldades, conseguiu defender este terceiro triunfo consecutivo na Liga.

Uma vitória que permite ao Benfica alcançar o campeão Sporting na classificação e ficar a apenas três pontos do líder FC Porto ainda com um jogo em atraso [marcado para 23 de setembro].

Relacionados

Liga

Mais Liga