Moreirense-Alverca, 2-1 (crónica)

10 ago 2025, 22:42

Maranhão saltou do banco para resolver

O Moreirense chegou a ameaçar um resultado folgado, mas teve de esperar pelo minuto 90+5 para confirmar um triunfo em que, a determinada altura, poucos acreditariam, frente a um Alverca recheado de juventude e que respondeu bem a um início desastrado. Ainda assim, cumpriu-se a tradição: ainda não foi desta que os ribatejanos venceram em Moreira de Cónegos.

No reencontro com o Alverca, que guiou à subida de divisão na época passada, Vasco Botelho da Costa viu o seu Moreirense controlar por completo a primeira parte. Com um flanco direito bem calibrado, por onde Dinis Pinto e Cédric se infiltravam com facilidade na defensiva contrária, os axadrezados criaram uma mão-cheia de boas oportunidades para marcar.

Guilherme Schettine foi o denominador comum em todas elas, tal como Naves, defesa do Alverca, nas duas primeiras, em que impediu o goleador de fazer o gosto ao pé.

À terceira foi de vez para Schettine, que castigou um erro crasso de André Gomes para inaugurar o marcador. O guarda-redes do Alverca borrou a pintura com os pés, entregou a bola a Ofori, que assistiu o brasileiro para uma finalização fácil.

Aos 40 minutos, André Gomes redimiu-se do erro cometido com uma grande defesa, negando o bis ao camisola 95 do Moreirense.

Até então inofensivo, o Alverca viu o empate surgir praticamente do nada, apontado por Milovanovic, de penálti, na sequência de uma falta clara de Dinis Pinto sobre Chiquinho na área dos Cónegos.

RECORDE O FILME DO JOGO

O 1-1 fechou a primeira parte e renovou a confiança do Alverca, que entrou bem melhor na etapa complementar. As dificuldades em criar lances com princípio, meio e fim continuavam a ser evidentes nos ribatejanos, mas o que é certo é que voltaram a colocar a bola no fundo da baliza do Moreirense, novamente por Milovanovic, só que o lance foi anulado por falta do avançado sobre Marcelo, no início da jogada. Uma decisão polémica, diga-se.

Logo a seguir surgiu o melhor desenho ofensivo do Alverca até então, com Isaac James a fugir pela esquerda para tentar servir Milovanovic, valendo a atenção de Marcelo para intercetar o passe.

Vasco Botelho da Costa sentia o jogo a fugir-lhe e até foi o primeiro a mexer, mas o filme do jogo já tinha consolidado o plot twist de um enredo que passou a ser conduzido pelos ribatejanos.

Curiosamente, foi nessa fase que o Moreirense voltou a criar perigo. Primeiro, Marcelo cabeceou ao poste (80m) e, no último suspiro, surgiu o golo que decidiu o encontro, apontado por Yan Maranhão, que instantes antes tinha rendido Schettine. Dois avançados que valem golos, um luxo para qualquer treinador.

FIGURA: Marko Milovanovic (Alverca)

Numa equipa com poucos pontos de contacto com a Liga portuguesa, quase todos são candidatos a ser uma revelação, mas pelo que se viu em Moreira de Cónegos, Milovanovic parte da pole position para o conseguir. Avançado forte fisicamente, rápido e perspicaz, promete ser uma constante dor de cabeça para os defesas que vai encontrar pela frente ao longo da época. Marcou de penálti e ainda inventou alguns lances de perigo para a baliza do Moreirense. Muito potencial para desenvolver.

MOMENTO: Maranhão resolve (90+5m)

Numa altura em que o empate parecia certo, Yan Maranhão fez o Estádio Comendador Joaquim de Almeida Freitas explodir de alegria com uma finalização eficaz, a passe de Dinis Pinto. O avançado saltou do banco para resolver o encontro.

POSITIVO: reação do Alverca

De regresso à Liga, 21 anos depois, o Alverca teve uma entrada temerária no jogo e, com outra pontaria de Guilherme Schettine, podia ter fechado a primeira parte com um resultado pesado. O golo de Milovanovic, a fechar a etapa inicial, desinibiu a equipa para uma segunda parte mais inspirada.

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