Assembleia-Geral marcada pelo debate em volta da centralização dos direitos audiovisuais de Liga e II Liga no mercado doméstico
A sede da Liga Portugal, em Ramalde – no Porto – recebeu nesta sexta-feira nova Assembleia-Geral, tendo como ponto fulcral a votação da proposta para a comercialização dos direitos audiovisuais de Liga e II Liga no mercado doméstico. Ou seja, a definição de aspetos como a participação no leilão, a vigência dos contratos e as “linhas vermelhas” no período de exploração dos direitos de transmissão.
O debate entre as 33 sociedades desportivas (18 da Liga e 15 da II Liga) desenrolou-se a partir das 15 horas.
Antes, de manhã, houve reunião da direção da Liga Portugal, órgão que conta com FC Porto, Benfica, Sporting, Vitória de Guimarães, Alverca, Feirense, Leixões e Marítimo.
Apesar da importância desta Assembleia-Geral para o futebol profissional, nenhum dos “grandes” foi representado pelo respetivo presidente. Assim, Nuno Catarino (Benfica), Amândio Novais (Sporting), Nuno Santos Rocha (FC Porto) e André Viana (Sp. Braga) surgiram em Ramalde.
A posição do Benfica e os próximos passos
O Benfica continua contra a ideia da centralização, com Nuno Catarino – esta sexta-feira presente em Ramalde – a exigir outro modelo.
«Com base no cenário de 220 milhões de euros apontado pela Liga, estamos a falar de uma perda provável de 5 a 15 milhões para o Benfica (…), é inaceitável. (…) O Benfica não precisa da centralização para valorizar o produto que comercializa», argumentou o diretor financeiro das águias, que apontou ao adiamento do modelo e à «centralização voluntária» dos clubes menos mediáticos.
Em todo o caso, no final de 2025, a maioria defendeu a chave de distribuição apresentada por Reinaldo Teixeira na Cimeira de Presidentes. Conforme noticiado pelo Maisfutebol em momento oportuno, esta chave prevê a divisão das receitas em 90 por cento para clubes da Liga e 10 por cento para a II Liga.
Depois, outras nuances entram na equação:
- 32,5 por cento desse total será dividido de igual forma pelos 18 clubes;
- 44,2 por cento será dividido entre os 18 clubes de acordo com o rendimento desportivo;
- 14,3 por cento será dividido segundo critérios de implantação social;
- 5 por cento será dividido de acordo com a qualidade das infraestruturas;
- 4 por cento será dividido segundo as condições para a transmissão televisiva.
A Liga Portugal e a Federação Portuguesa de Futebol estão obrigadas a apresentar a proposta do modelo de comercialização dos direitos audiovisuais de Liga e II Liga junto da Autoridade da Concorrência até 30 de junho. Depois, os clubes voltam a reunir, na ocasião para aprovarem a chave de distribuição. Para haver "luz verde" é necessária uma maioria simples (metade mais um).