Vicens: «Adeptos têm a sensação de que equipa lutou por eles»

27 nov 2025, 22:59
Rangers-Sp. Braga (EPA/ROBERT PERRY)

Treinador lamentou a expulsão de Zalazar no empate 1-1 frente ao Rangers

Carlos Vicens, treinador do Sp. Braga, em declarações na Flash Interview da DAZN, após o empate 1-1 frente ao Rangers, numa partida a contar para a quinta jornada da Liga Europa.

Análise do jogo

«É complicado, porque jogas contra o Rangers, isto é o Ibrox Park, isto é a Liga Europa, isto é competição europeia de elite, e não podes pretender que durante todo o jogo as coisas saiam exatamente como queres. Já tínhamos falado com a equipa de que há momentos aqui em que vais ter de sofrer. O Braga já tem experiência, já veio aqui três vezes, e sabes que cada vez que vens aqui é um campo difícil. É um campo difícil para toda a gente. É verdade que esse bom início da equipa não tem prémio, e quando, neste tipo de jogos, contra adversários de alto nível, não concretizas as tuas ocasiões, acabas por ter aí uma oportunidade perdida importante. A equipa continuou viva, é verdade que chegamos ao último trecho quase como em Genk. Em Genk tínhamos dominado mais a primeira parte, gerámos até mais do que hoje, mas chegas ao último minuto da primeira parte e, outra vez, dois cantos seguidos custam-te esse penálti pela mão do Fran [Navarro], e vais para o intervalo com um resultado adverso. Acho que, depois do que tinha acontecido na primeira parte, porque é verdade que perdemos um pouco o controlo e que, por momentos, o Rangers nos atacou, mas sem realmente criar grandes oportunidades, soubemos sofrer e manter o controlo dentro da instabilidade de ter de defender, sem sofrer ocasiões de golo, para além desses dois cantos e do penálti. É novamente um golpe duro para a equipa ir para o intervalo atrás no marcador, quando não foi um jogo fácil, mas também não merecíamos estar a perder. Saímos para a segunda parte e a equipa volta a ser ambiciosa, volta a tentar ir atrás do jogo, porque tens de o virar, e encontra-se obviamente com uma situação que nunca queres, que é ficar com dez, com a expulsão do Rodrigo [Zalazar]. E eu penso que o que se viu também a partir daí, porque não nos podemos esquecer que, com o desconto, que foram seis minutos mais um minuto extra pelo substituição já nos descontos do Moscardo, jogámos do 61 ao 97, 36 minutos com menos um. E se olharmos para as estatísticas da segunda parte, a equipa com mais posse de bola na segunda parte continua a ser o Sp. Braga. Isto demonstra o que estes rapazes são, e vimos isso em campo: mesmo com menos um, iam para a frente pressionar, não deixar o adversário sair, tentar encurralar o rival, tentar procurar o segundo golo, e por duas vezes tivemos o 2-1 depois do golo do Gabri [Martínez]. Acho que, para além do que possamos valorizar em termos de resultado, a imagem desta equipa, que não para de ir atrás do jogo, que é a nossa ambição, que deixa tudo em campo para que os adeptos que vêm aqui passar frio desde Braga tenham a sensação de que a equipa lutou por eles, por este clube, por esta instituição, por fazer uma boa Liga Europa, que é uma competição em que temos muitas ilusões depositadas. Por isso, acho que, depois disto tudo, teria gostado de ganhar, claro, mas tenho de reconhecer o mérito desta equipa em tudo o que fez.»

Mensagem certa nos momentos críticos

No final de contas, quando se sucede a expulsão tínhamos duas substituições preparadas para tentar dar a volta ao jogo. Claro que temos de para um pouco e reorganizar com um jogador a menos. Tem de se manter a cabeça fria. No fim de contas, os jogadores estão com as pulsações mais altas, e tu tens de ser capaz de estar ali na linha com as pulsações um pouco mais baixas e tentar procurar aquilo que mais convém à equipa. E depois, outra coisa que acontece quando ficas com dez é que os esforços são maiores, e tens de estar muito atento, nesta nova situação, a quem se está a desgastar mais. Para quê? Para que as substituições que poderias ter previstas, possas ter de as repensar. Para quê? Para manter a equipa o mais fresca possível. Por isso também demorámos a decidir o que fazer, para ver quem quebrava primeiro a nível físico. E encontrámo-nos com o cartão do Gabri [Martínez, que teve de estar muito atento a muitas ajudas defensivas. E, para não ficarmos com nove, optámos pela saída do Gabri, porque a verdade é que ele também nos estava a dar muito quando recuperávamos a bola naquele flanco esquerdo, e esteve até perto de nos dar o segundo golo. Bem, é o nosso trabalho ter de responder perante as adversidades. É o nosso trabalho dar à equipa alternativas quando as situações do jogo se vão desenrolando de uma forma que te obriga a adaptar-te, e foi nisso que concentrámos a nossa energia.»

Críticas à arbitragem

«Prefiro não falar, porque acho que diria coisas que não seriam positivas para ninguém quando se fala de arbitragem. Por isso, concentro-me na equipa, que é aquilo que posso controlar e sobre o qual posso ter impacto nos próximos dias. Para continuar a treinar, para continuar a melhorar, temos de fazer coisas… continuar a fazer coisas melhores. Temos de ser capazes, naquela primeira parte em que perdemos um pouco o controlo, de manter mais tempo a bola.»

Satisfeito com o resultado?

«Bem, teria gostado de ganhar. Eu queria vir aqui para ganhar e, depois do que vi, também te digo… Podias ter perdido, porque um jogo em que ficas com menos um e jogas 36 minutos assim, podes perder. Mas também acho que poderíamos ter ganho. E, portanto, acho que poucas vezes me vão ouvir dizer que fico satisfeito com um ponto. Nós juntamo-nos nos jogos para ganhar. Agora, se tenho de falar sobre se estou satisfeito ou não com o desempenho, o trabalho, a luta e a competitividade da equipa e dos jogadores, claro que sim.»

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