Gorby, jogador do Sp. Braga, analisou os últimos anos na Cidade dos Arcebispos antevendo o regresso a França, para jogar frente ao Nice
O Sp. Braga defronta esta quinta-feira o Nantes, para a sexta jornada da Liga Europa e Gorby, franco-haitiano dos arsenalistas garante que apesar da boa temporada, ainda é capaz de fazer melhor. Em entrevista ao portal Footmercato, o jogador comentou a adaptação a Portugal e as referências que moldam o seu futebol.
Gorby recordou a saída precoce do Nantes, aos 17 anos, e explicou por que razão escolheu o Sp. Braga como destino ideal para crescer.
«Passei dois anos no Nantes e não correu muito bem. Saímos de comum acordo. Sempre quis jogar no estrangeiro e, quando o Sp. Braga apareceu, agarrei a oportunidade. Gostei muito do clube, das instalações e do projeto. É um clube ambicioso, joga sempre a Europa e confia nos jovens», começou por dizer.
«Cheguei aos sub-19 e só havia um jogador que falava francês, mas quis aprender português desde logo. Tive aulas, mas foi sobretudo por mim mesmo. Tive também a sorte de ter um treinador que falava francês, e quando subi aos sub-23 ele subiu também. As pessoas são muito acolhedoras, este clube é como uma família», acrescentou Gorby.
Gorby descreve-se como um jogador de posse, confortável tecnicamente e cada vez mais forte na recuperação, características favorecidas pelo novo treinador dos bracarenses, Carlos Vicens.
«Gosto de ter bola e recupero muitas. Sou um médio que corre muito e tenho a vantagem de usar os dois pés. Com o Carlos Vicens divirto-me: somos uma equipa que quer ter posse, e isso encaixa no meu estilo», afirma.
O jogador admite inspirar-se em Modric, mas é com João Moutinho que «aprende todos os dias».
«Ele é um tipo de jogador diferente do Luka Modric, mas é incrivelmente inteligente. Fisicamente, ele não é o melhor, mas está sempre um passo à frente de todos os outros. Ele sabe onde se posicionar, como se orientar. O que me impressionou nele foi sua inteligência de jogo. Por exemplo, ele sabe como se posicionar para ganhar a bola em um duelo, apesar de sua baixa estatura. Sinceramente, eu observo-o todos os dias e aprendo muito com ele», confessou Gorby.
Já com cerca de 90 jogos pelo Sp. Braga, Gorby considera que a evolução tem sido natural e fruto do trabalho diário.
«Não diria que sou indiscutível. Estou a subir de nível, é a minha terceira época como profissional. Houve momentos em que queria jogar mais, mas é preciso paciência e trabalho. Agora que as coisas correm bem, penso nos primeiros tempos e isso dá-me ainda mais vontade de evoluir», afirmou.
Gorby garante que ainda pode melhorar a forma e refere que o contexto competitivo da Liga portuguesa é ideal para o fazer.
«Há quatro grandes clubes com muito nível, mas mesmo as equipas pequenas tentam jogar. Taticamente é exigente, tecnicamente também. Para um jovem como eu, é perfeito para aprender».
Entre os melhores jogadores que enfrentou desde que está no Sp. Braga, Gorby destaca dois argentinos: Ángel Di María e Paulo Dybala.
«Há vários. Mas eu diria Ángel Di María. Ele estava perto do fim da carreira no Benfica, mas dava para perceber pelo toque na bola que ele era diferente. Também tem o Paulo Dybala, quando jogamos contra a Roma na Liga Europa. Ele não fez muita coisa na partida, mas dava para ver rapidamente que, com a bola nos pés, ele era especial», referiu.
A Liga Europa tem sido outro terreno fértil para a afirmação do médio, que admite gostar do ambiente internacional e agora que vai regressar a França, Gorby quer «aproveitar a oportunidade» para se mostrar.
«É um jogo importante, mas como os outros. Vamos para ganhar. É uma oportunidade para mim, claro, mas não vou com a ideia de ‘chocar’ alguém. Quero jogar bem e ajudar a equipa», atirou.
Com nacionalidade francesa e haitiana, e ambas as seleções qualificadas para o Mundial 2026, Gorby mantém os pés no chão e aponta para o clube.
«Seria um orgulho representar uma seleção, mas ainda não fiz nada. Estou focado no Sp. Braga, depois logo se vê», concluiu