Chocolate belga de sabor amargo na pedreira
O Sp. Braga era a última esperança para salvar a honra do convento luso nesta jornada europeia, mas também não conseguiu ser feliz e averbou a primeira derrota na fase de liga da Liga Europa, ao perder em casa frente ao Genk (3-4) num jogo em que o chocolate belga azedou na pedreira. A equipa de Carlos Vicens esteve em vantagem, mas viu o conjunto da flandres dar a volta ao resultado.
Com três vitórias em três jogos até agora, sem sofrer qualquer golo nesta fase da competição, o Sp. Braga puxou dos galões e começou por colocar os ingredientes em cima da mesa. Contudo, foram os belgas a sair com a iguaria do encontro. Após uma derrota em que deixou boa imagem no Dragão, os bracarenses assumiram as despesas do jogo, mas foram traídos pela organização e pela simplicidade adversária.
O embate parecia controlado para o Sp. Braga após uma primeira parte de domínio, mas um golo sofrido no último lance antes do intervalo precipitou a derrocada. Em catorze minutos os belgas apontaram rês golos e encaminharam o triunfo, o primeiro da sua história em Portugal.
Zalazar afina a receita; Heymans anula o sabor
Num embate em que cedo a dinâmica ficou definida, com o Sp. Braga a assumir claramente as despesas do jogo ao ter mais bola e mais iniciativa, o Genk mostrou ser uma equipa organizada e coesa taticamente. Jogou, essencialmente, com um bloco baixo, espreitando a saída rápida em contragolpe.
Com pouco espaço, e também a jogar de forma contida, a superioridade arsenalista ia sendo pouco fortuita. As aproximações à baliza faziam-se sem capacidade para criar perigo, sendo que a receita encontrada pelos pupilos de Carlos Vicens foi a meia distância. Com várias tentativas, o Sp. Braga tentou várias vezes a sua sorte de fora da área.
À passagem da meia hora Zalazar acertou com os ingredientes. Em mais uma tentativa, o uruguaio rematou forte à na meia lua, remate repentino passada com o pé direito, a abrir o ativo, naquela que foi uma vantagem justa, mas célere. No último lance da primeira parte o Genk chegou ao empate num pontapé de canto. Karetsas movimentou na direita, Heymans desviou de cabeça para o fundo das redes. Ao quarto jogo, o primeiro golo sofrido pelo Sp. Braga ma fase de Liga. Pronúncio de uma noite sem chama europeia na pedreira.
Simplicidade, o ingrediente chave do Genk
Em igualdade no jogo, o Genk percebeu que a chave para fazer a diferença podia ser a simplicidade e não os ingredientes. A qualidade individual de cada conjunto, diga-se. A equipa da flandres foi compacta e assertiva a aproveitar as brechas adversárias, chegando à vantagem logo no início da segunda metade. Sor aproveita um erro na saída de bola de Gorby para açucarar o jogo a favor dos belgas.
Pouco depois, Heymans, que fez o primeiro do Genk, descobriu Oh Hyun-gyu na área, fazendo o passe para o coreano rematar para o terceiro. Jogada de fino retoque a lançar os belgas para o triunfo. Zalazar, o mais inconformado do Sp. Braga, ainda tentou reanimar o jogo com um tento de cabeça quando havia vinte minutos para se jogar.
No minuto seguinte Medina fez o quarto e arrumou com a questão. Num golo estranho, de Fran Navarro, o Sp. Braga ainda levou as emoções do jogo até ao fim, mas sem se livrar da derrota. À quarta jornada o primeiro jogo perdido pelo Sp. Braga, com estrondo. Mantém-se o histórico pouco abonatório com equipas belgas. Os guerreiros pareciam partir para uma noite saborosa, mas o chocolate belga azedou na pedreira.