Liga Europa: Roma-Sp. Braga, 3-0 (crónica)
Todas os caminhos vão dar… à baliza do Sp. Braga
Noite desastrosa para o Sporting de Braga. Carvalhal tinha avisado que a Roma era a equipa mais forte que os arsenalistas já tinham enfrentado esta época. O que não sabia era que ia ser banalizado no Estádio Olímpico, no coração do antigo império romano.
O 3-0 que o placard apresentou no final da partida diz muito pouco do domínio giallorossi. Talvez as estatísticas ajudem a pintar o cenário - 33 tentativas de golo contra oito do Braga, 17 remates à baliza contra... zero dos visitantes. Não fossem Matheus Magalhães e Lukas Hornicek e este jogo tinha acabado em goleada.
Carlos Carvalhal apresentou uma formação surpreendente para este desafio, num 3-4-3 ‘à la Amorim’. Três defesas-centrais – João Ferreira, Paulo Oliveira e Robson Bambu -, quatro médios – Roger, Gorby, João Moutinho e Gabri Martínez -, e uma linha de três avançados composta por Gharbi, El Ouazzani e Ricardo Horta.
Recorde-se que Bruma e Niakaté não estavam na ficha de jogo (algo que, certamente, irá ser bastante escrutinado nos próximos dias) e jogadores como Rodrigo Zalazar, Vítor Carvalho ou Roberto Fernández ficaram no banco.
Mas estas mudanças não surtiram o efeito desejado. Longe disso. O Sp. Braga foi encostado às cordas repetidamente durante o jogo, não só na primeira como na segunda parte. O jogo foi visivelmente fácil para a Roma, que até pecou pelo desperdício em frente à baliza de Matheus Magalhães.
Matheus Magalhães fez várias intervenções decisivas
E o brasileiro ia salvando como podia. Fez dez defesas durante o encontro, algumas delas com elevada dificuldade. O inevitável aconteceu logo aos 13 minutos, no primeiro remate da Roma – contra-ataque rápido dos italianos, com Pellegrini a ganhar espaço à entrada da área e a rematar rasteiro, fora do alcance de Matheus.
Apenas três minutos depois, Pellegrini acertou na trave de cabeça. João Ferreira falhou completamente no tempo de salto e deixou a bola à mercê do médio. O mesmo Pellegrini atirou outra bola à trave e dispôs de várias chances, sempre com espaço para criar perigo. A marcação de Ferreira parecia ineficaz e os médios, nem vê-los.
O sufoco da primeira parte (13 chances de golo contra uma) estendeu-se à segunda. Mesmo com Carvalhal a tirar Robson por Marín, do lado esquerdo da defesa, foi por aí que surgiu o segundo golo romano, aos 47m.
A pressão dos médios falhou, a bola chegou ao lado direito do ataque com uma grande diagonal de Koné e Saud Abdelhamid, o primeiro saudita a jogar na Serie A, estreou-se a marcar com um remate forte e colocado, na cara de Matheus Magalhães.
Matheus era o melhor do Braga... mas acabou expulso
O Braga posicionava-se com uma linha defensiva mais subida, mas as bolas iam caindo nas costas dos defensores, amiúde. Mancini teve um golo anulado por fora-de-jogo, Zalewski demorava a decidir e Matheus ia evitando males maiores. Mas até aquele que estava a ser o melhor do Braga acabou por errar.
Com as costas da defesa expostas mais uma vez, Matheus saiu para fora da sua área e acabou por travar o contra-ataque com o braço. O árbitro nem pestanejou – vermelho direto para o brasileiro. Carvalhal abdicava de Gharbi para fazer entrar o suplente Hornicek.
O terceiro golo da Roma chegou com muita passividade da defesa bracarense, pelo pé direito do defesa Mario Hermoso. Hornicek ainda defendeu, mas o espanhol reagiu mais rápido do que todos.
Mesmo com Rodrigo Zalazar, André Horta ou Roberto Fernández em campo, Mile Svilar não teve trabalho. A derrota estava consumada, bem antes do apito final. Esse chegou, eventualmente, para alívio dos jogadores bracarenses.
A Roma soma três preciosos pontos e sobe a 12.º da tabela, enquanto o Braga desce para 23.º, perigosamente perto da ‘linha de água’. A equipa de Carlos Carvalhal soma sete pontos e ainda tem uma deslocação ao terreno do Union St. Gilloise, da Bélgica, e uma receção aos italianos da Lazio. Complicam-se as contas na Pedreira.
A Figura: Matheus Magalhães
Só quem viu o jogo percebe a importância do brasileiro. Fez várias intervenções importantes, por vezes com um minuto de interregno, estando sempre ligado ao encontro. Quando a defesa falhava, Matheus salvava. Num lance infeliz, acabou expulso aos 68m. Se isso aconteceu, aos colegas de equipa se deve.
O Momento: Expulsão de Matheus Magalhães
Um resumo da noite desastrosa da equipa de Carvalhal. Matheus era, até então, o melhor do Braga no meio do marasmo. Tentou lidar com uma bola na profundidade fora da sua grande área mas chegou tarde demais. Jogou com a mão... e viu vermelho.
Negativo: Postura dos Jogadores do Sp. Braga
Mesmo que a estratégia não tivesse sido a melhor, é justo dizer que o problema não esteve na formação. Sobretudo, foi impressionante a apatia e o desalento dos atletas orientados por Carlos Carvalhal. Com e sem bola. Uma postura a mudar em próximos desafios.
