Liga Europa: FC Porto-Nottingham Forest, 1-1 (crónica)
Este trilho azarado vai dar à Floresta de Sherwood
12 anos, 10 meses e 26 dias. Quis o destino que, tanto tempo depois de uma das maiores explosões de alegria que este estádio já viveu, Vítor Pereira voltasse ao Dragão.
Não deixa de ser simbólico que o jogo de despedida de um dos técnicos mais injustificadamente mal-amados da história recente do FC Porto fosse aquele do golo de Kelvin, que pintou um quadro renascentista no Dragão: ele, portista de Espinho, a correr como um louco pelo relvado, com Jesus prostrado de joelhos.
Não deixa de ser da mais elementar justiça o aplauso das bancadas e o tributo que Villas-Boas lhe prestou no relvado, antes do início do jogo.
Ao contrário dos conselhos do também portista Carlos Tê e de Rui Veloso, em «As Regras da Sensatez», Vítor Pereira teve de voltar a um lugar onde já foi feliz. Sentou-se no banco contrário e foi aplaudido sem reservas.
13 anos depois, aqui estava ele, para um reencontro bem menos feliz do FC Porto com o Nottingham Forest, que há meio ano conseguiu a proeza de impor a Farioli a primeira derrota nesta época.
Farioli – Soluções de Gestão, S.A.
Numa fase decisiva e a jogar em mais do que uma frente, Francesco voltou a abrir a sua PME, uma espécie de Farioli – Soluções de Gestão, S.A. E assim geriu da melhor forma possível a equipa, mudando sete jogadores de início – Martim, Thiago Silva, Rosario, Fofana, Gabri, William e Borja entraram para os lugares de Alberto, Kiwior, Varela, Froholdt, Mora, Pepê e do não inscrito Pietuszewski.
Vítor Pereira, a lutar pela manutenção na Premier League, foi ainda mais longe e mudou nove titulares, mantendo apenas Murillo e Gibbs-White no onze.
Mesmo a gerir, o FC Porto entrou dominador. Criou oportunidades, chegou até a abrir o marcador, por William Gomes, logo aos 11 minutos.
Porém, quis o destino que fosse azarado e desinspirado o regresso de orgulho ferido ao Dragão, cinco dias depois de ter enfrentado um dos maiores anticlímaxes dos últimos tempos, com o traumatizante empate do Famalicão ainda fresco na memória.
A vantagem durou dois minutos e Martim Fernandes bem pode candidatar-se a jogador mais azarado da jornada.
Caiu do céu o golo dos ingleses. Ou melhor, de um mau atraso do jovem lateral portista, que minutos depois saiu lesionado num lance caricato, em que acabou atingido por Ndoye, que havia sido derrubado por Gabri Veiga.
O FC Porto reagiu, voltou a estar mais perto do golo, que quase chegou mesmo em cima do intervalo, não fosse o desinspiradíssimo Moffi desperdiçar de cabeça um cruzamento venenoso de Fofana.
«Azar ao jogo.» Bem pode ser esta a súmula de uma primeira parte que o FC Porto dominou: com mais golos esperados (1.59-0.39), mais remates (7-4), mais oportunidades (5-0), mais posse de bola (52%-48%)… Tudo, menos o marcador, que seguia igualado (1-1) e assim continuou até ao fim.
Mesmo com Farioli a arriscar no segundo tempo, mesmo com William e Froholdt a quase desfazerem a injustiça do empate… Quando não era desinspiração, era o maldito azar.
E os números finais comprovam-no: mais golos esperados (2.17-0.45), mais remates (16-6), mais oportunidades (16-6), mais posse de bola (52%-48%)… Mais tudo, menos o resultado.
Agora, há que ser Robin dos Bosques
Segue, portanto, a eliminatória para Nottingham. Num trilho azarado que conduz à Floresta de Sherwood.
Agora, há que ser Robin dos Bosques. Ou não fosse de Vítor Pereira o plantel mais valioso da competição e uma equipa cheia de valores da Premier League.
O caminho, agora em terreno adverso, tornou-se mais sinuoso. Há que apelar à superação. E porque não fazer história? Vencer pela primeira vez em Inglaterra arrumaria de vez uma eliminatória em que, para já, só o FC Porto mostrou querer ganhar.
O Forest especulou com o jogo convencido de que irá decidir tudo em casa.
Numa fase crítica como esta, cabe ao FC Porto ser pragmático e bem mais eficaz.
Mesmo não entrando em histórias de crianças, com João Pequeno e Frei Tuck à mistura, dentro de uma semana, em território inimigo há que levar arco, flecha e sobretudo pontaria para enfrentar este bando de Xerifes de Nottingham.
