Namaso e Samu no reencontro do Dragão com as vitórias europeias
Depois da derrota em Roma e do empate em Anderlecht na Liga Europa, o FC Porto, vindo de um empate para a Liga em Famalicão, reencontrou o caminho das vitórias europeias frente ao Midtjylland (2-0) e deu um passo importantíssimo para, no mínimo, aceder ao play-off de acesso aos oitavos de final. Não foi com grande brilho, mas o mais importante foi garantido.
Golos de Danny Namaso (30m) e Samu (56m) fazem o FC Porto respirar melhor na Liga Europa e dar um salto de cinco lugares, até 18.º, agora com oito pontos, pelo meio com ultrapassagem a este mesmo Midtjylland, que pouco conseguiu fazer para não sair de mãos a abanar do Dragão.
É verdade que o FC Porto não se livrou de um par de sustos na primeira parte, ainda com 0-0 e o mais claro já após o 1-0 (e também na reta final do jogo, em que até teve um golo anulado) mas a equipa de Vítor Bruno, bem longe de um domínio avassalador, comandou quase sempre como quis e garantiu algum conforto no marcador ainda antes da hora de jogo. Daí em diante, serenou, mas... também desligou no fim. E não se livrou de novo golo tardio – tal como ante Man. United, Lazio e Anderlecht – mas o 2-1 do Midtjylland não contou e o FC Porto repetiu os números do triunfo ante o Hoffenheim.
Com Alan Varela de volta ao onze e Namaso como novidade mais à frente, Vítor Bruno apostou em Galeno como lateral-esquerdo, retirando Moura, além do castigado Nico González.
Ganhar era palavra de ordem e a missão portista vestiu-se, desde cedo, de rigor e paciência. É que o Midtjylland foi sendo remetido pelo FC Porto ao seu meio-campo, defendeu com muita gente e obrigou o FC Porto a jogar quase sempre em ataque organizado. A circular, circular… à procura de espaços. Os dragões colocavam muita gente na frente – Galeno e Martim bem abertos, Pepê e Namaso em zonas interiores e Fábio Vieira também por ali perto – e só Eustáquio, e por vezes Alan Varela, ficavam mais recuados junto a Otávio e Nehuén Pérez para prevenir dissabores.
Mas ao início foi difícil. De tal forma que as primeiras tentativas concretas, à exceção de um remate na área logo a abrir por Fábio Vieira, surgiram em remates exteriores, controlados por Ólafsson. Faltava rasgo.
Junto a defender, mas sem enjeitar alguma saída rápida, o Midtjylland quase feriu o FC Porto ao minuto 16, quando após um mau passe de Pepê pelo meio, Mikel Gogorza cavalgou pelo meio e serviu Buksa, valendo a persistência de Otávio até ao fim. A sociedade Gogorza-Buksa funcionaria de novo ao minuto 33 na grande ocasião dos nórdicos, mas aí Diogo Costa emergiu. De resto, o dragão foi sendo coeso – e Galeno, na missão defensiva, também se deu ao jogo ao anular vários lances.
Por essa altura, já o FC Porto, com maior domínio territorial, viu premiado o trabalho com o 1-0. Eustáquio cruzou, Namaso cabeceou e houve também uma pontinha de sorte: a bola desviou em Mads Bech e traiu Ólafsson.
Perto do intervalo, Pepê e Namaso deixaram avisos e Pepê, já na segunda parte, depois de ver Ólafsson fazer uma grande defesa (54m), deu pouco depois o 2-0 a Samu, num lance com grandes créditos para Fábio Vieira, que descobriu o brasileiro nas costas da defesa dinamarquesa com um passe delicioso.
A maioria dos 32.619 adeptos no Dragão - entre eles Pinto da Costa e também o piloto Pierre Gasly - descansava mais a partir daí. Porém, foi um jogo cuja meia-hora final teve poucos motivos de interesse à exceção de uma ocasião de Samu e ainda traria as entradas de Gonçalo Borges, Iván Jaime, Vasco Sousa, Tiago Djaló e Rodrigo Mora e, mesmo sem ousadia portista, um controlo quase total perante um Midtjylland inofensivo e que só foi mais atrevido para lá do minuto 90, quase trazendo à memória os dissabores recentes do FC Porto na Europa. Porém, o golo de Buksa não contou por fora de jogo (e ainda bem, numa Liga Europa em que o saldo de golos pode ser decisivo nas contas finais).