Como um golpe viking matou a esperança do dragão
FIGURA: Hauge
Seria expectável destacarmos um jogador do FC Porto, mas neste caso é incontornável. A determinada altura do jogo, davamo-nos por nós a esfregar os olhos e a exclamar: «Quem é este Messi loiro?»
Exagero? Naturalmente. A verdade é que Jens Patter Hauge fez uma exibição de antologia frente ao FC Porto.
O extremo de 24 anos fez dois golos de classe, mas para lá do bis foi uma dor de cabeça constante para a defensiva portista. Velocidade, visão de jogo, qualidade de passe, critério no remate, bom drible. Enfim, o pacote completo.
Não vingou no Milan, nem no Eintracht Frankfurt, que acabou por emprestá-lo pela segunda vez, mas no seu habitat natural, no seu clube de formação, o internacional norueguês parece ter voltado a ser o prodígio capaz de cumprir tudo aquilo que prometeu quando os «rossoneri» o contrataram em 2020.
--
MOMENTO: minuto 60; aquele golpe de viking
Mesmo a jogar com menos um, o Glimt mostrou-se uma equipa perigosa, capaz de contra-ataques letais. E foi assim mesmo que chegou ao 3-1, aos 62m. Hauge conduziu a bola, foi para cima de Zé Pedro, fez mira à baliza e desferiu um golpe de viking que deu uma machadada nas esperanças portistas. Uma pancada seca tombou o dragão, quando o seu apetite parecia mais voraz.
--
OUTROS DESTAQUES
Samu
É veloz, poderosíssimo e só precisa de ser mais bem servido para fazer ainda mais a diferença. Foi isso que Francisco Moura fez logo no início do jogo e o que o Gonçalo Borges não fez poucos minutos depois. Na segunda parte, sem espaço, faltou-lhe também algum discernimento. Ainda assim, fazendo uso de todas as suas características, o internacional sub-21 espanhol promete vir a ser um caso sério.
Deniz Gül
Estreou-se na convocatória, a jogar e a marcar. A noite só não é perfeita para o sueco porque a equipa perdeu. Mesmo assim, mostrou pormenores muito interessantes, visou a baliza com muito perigo momentos antes de fazer o golo e provou que Vítor Bruno pode contar com ele.
Diogo Costa
Não foi a sua exibição mais brilhante em jogos europeus, ainda assim, perante a desorientação da equipa em termos defensivos em largos períodos do jogo, o FC Porto bem pode agradecer-lhe por não ter sofrido mais golos na Noruega.
Rodrigo Mora
O jogo pedia quem inventasse espaços e Rodrigo voltou a ser aposta na equipa principal, depois de vários jogos na B. Assumiu sem medo o papel de abre-latas, nem sempre foi bem-sucedido, mas com esta atitude reivindica mais oportunidades. Até porque talento ele já tem de sobra.
Kasper Hogh
Hauge merece muitos elogios, mas não pode ficar com os louros todos para si. Isto porque Kasper Hogh tem também muito mérito no triunfo do Glimt. O avançado dinamarquês marcou o primeiro da sua equipa, trabalhou para o segundo e foi uma referência incontornável nos 79 minutos que esteve em campo. Tem 23 anos e bem pode entrar na lista dos scouts que descobrem estes portentos altos e louros.
