CRÓNICA BENFICA 6-1 HEARTS || Goleada na primeira mão e passo de gigante para chegar ao playoff da Liga Europa
Rafa vai para a direita, entra pelo meio, Prestianni faz o mesmo, Pavlidis vem abaixo receber e depois aparece. O Benfica ainda não está a deslumbrar, mas está a mostrar provavelmente mais do que conseguiu durante toda a época passada, salvo raras exceções.
Ao terceiro jogo oficial, a equipa de Marco Silva já mostrou mais, até mais do que contra o St. Gallen, já que ter ficado relativamente cedo a jogar com mais um contra os suíços ajudou bastante.
Desta vez foi uma primeira parte arrasadora em que quase só deu Benfica, o que permitiu uma vitória confortável que até deixa a eliminatória quase resolvida para chegar ao playoff da Liga Europa.
Se ainda precisa de resolver dossiers - a baliza é um deles, até porque Samuel Soares também mostrou uma ou outra dúvida depois de Trubin ter titubeado no último encontro -, há já jogadores a mostrar um nível interessante.
Prestianni é um deles, claramente a aproveitar a titularidade para dizer que podem contar com ele, mesmo que Schjelderup fique, até porque o argentino pode jogar praticamente em todas as três posições do meio-campo ofensivo.
O Hearts não é espetacular, não está nem perto do nível que fez sonhar toda a gente com um título na Escócia, mas o Benfica está de parabéns por não ter ligado a isso e ter avançado para o que interessava.
Logo cedo se percebeu a diferença das equipas e o Benfica marcou ao minuto 3 por Rafa, o que claramente ajudou a equipa a acreditar em si. É inevitável que a desconfiança ainda exista, pelo que resultados como o do St. Gallen em casa ou entradas fortes como esta são sempre um tónico extra.
Foi de tal forma verdade que o Benfica só abrandou já perto da meia hora, com 2-0 no marcador e a sensação de que podiam ser mais. Ao golo de Tomás Araújo de canto sucedeu-se Pavlidis, ele que tinha feito um poker no último jogo e desta vez converteu uma grande penalidade.
A coisa ficou selada na segunda parte, com Prestianni a fazer um grande golo depois de aproveitar uma má saída de bola dos escoceses. O Benfica chegou mesmo ao quinto e ainda ao sexto no fim de tudo, com Jhon Durán a aproveitar para se mostrar no Estádio da Luz e Schjelderup a converter novo penálti já depois dos 90.
Não fosse o golo do Hearts numa altura em que a equipa do Benfica já parecia meio adormecida - até antes do quinto golo - e teria sido uma noite perfeita. Em todo o caso, 6-1 deve chegar e mais do que sobrar para fazer um jogo tranquilo na próxima semana na Escócia.
O Benfica joga com serenidade. Sobretudo joga como quem sabe o que quer e para onde quer ir, coisa que se calhar não víamos tão vincada desde Roger Schmidt. É que Bruno Lage entrou a meio do processo e não lhe conseguiu pegar no início da época passada. José Mourinho também entrou no meio do processo e nunca deu para muito mais.
Agora, e sabendo que vão chegar mais jogadores, o Benfica pode dizer que tem uma equipa. Tem pelo mais do que teve durante muitos meses.
O mérito, esse, é inteiramente de Marco Silva, que ganha muito oxigénio neste início de época, mesmo que com resultados frente a adversários menores. Provavelmente por muitas razões diferentes, o Benfica tem um plantel e um treinador que já fazem sentido um para o outro.
