Champions: Sporting-Manchester City, 0-5 (crónica)

David Marques , Estádio José Alvalade, Lisboa
15 fev, 22:07

Masterclass de um aluno que acumula graus de ensino

O campeão de Portugal contra o de Inglaterra.

O aluno da primária e o universitário, submetidos a um exame para o qual o mais velho está infinitamente melhor preparado e apetrechado. Ruben Amorim sabia-o, mas sabia também que o estofo que os jogadores do Sporting já haviam demonstrado nesta época até diante de um adversário com argumentos superiores (leia-se Borussia Dortmund) permitia sonhar pelo menos com uma primeira mão mais equilibrada.

Acontece que este Manchester City nada tem a ver com qualquer equipa que o leão tenham defrontado desde a chegada de Ruben Amorim, sendo, seguramente, uma das mais difíceis de anular.

Pelas constantes permutas entre Bernardo e Sterling; pela leitura de jogo rara de Kevin de Bruyne, pela qualidade de Mahrez no um para um; por jogar com um avançado que é avançado e playmaker; por ser uma equipa de posse e, quando é preciso, de transição. E sempre com tremenda qualidade!

Mas também pelo que faz sem bola. E aqui esteve uma das inúmeras diferenças gigantes no duelo entre o aluno da primária e o tal universitário que acumula graus no ensino superior. Sem bola, os génios de Pep despem o elegante fato, o sapato lustroso, vestem a bota gasta e a farda de operários e asfixiam o adversário.

Fizeram-no na noite desta terça-feira, sobretudo durante quase toda a primeira parte e sem necessitarem de pesos-pesados na frente para levarem a cabo essa missão.

FILME, FICHA DE JOGO E VÍDEOS DOS GOLOS E DOS MELHORES MOMENTOS

O Sporting até pareceu ter entrado em campo com a lição bem estudada, mas a partir do sétimo minuto, quando ainda lia as perguntas do exame, bloqueou por completo. Nesse minuto, Mahrez inaugurou o marcador a passe de Kevin De Bruyne e depois os citizens partiram para uma noite de futebol como raras vezes se vê num palco luso.

Melhores nos duelos, nas segundas bolas, na capacidade de antecipação, na forma como roubaram tempo aos jogadores do Sporting quando ainda iniciavam a construção à saída da área de Adán. Na forma como isolaram o ataque de todo o resto da equipa de Ruben Amorim. O Manchester City foi melhor em tudo aquilo em que o Sporting costuma ser superior aos adversários.

O leão? Não pressionou alto nem defendeu compacto nos 45 minutos iniciais e, apesar da enorme diferença qualitativa entre as duas equipas, sabemos todos que o Sporting também é capaz de mais e melhor do que mostrou nesta noite nesse período.

Porque se pouco havia a fazer perante o génio de Bernardo Silva no 2-0, no 3-0 de Foden a desatenção defensiva de Coates e a escorregadela de Matheus Reis foram tão fatais como pouco compreensíveis. No 4-0 (bis de Bernardo) viu-se o desnorte e o sentimento de impotência de uma equipa a precisar urgentemente de intervalo.

Na etapa complementar, o Sporting mostrou outra face. Saciado, o adversário – que ainda chegou ao 5-0 por Sterling – também lhe permitiu que a mostrasse, mas viu-se mais serenidade, organização e combatividade na equipa de Ruben Amorim, que foi também mais conservadora e, sabendo que a história do jogo já estava escrita, procurou evitar uma goleada de proporções históricas com a Europa a ver.

Por isso, e também porque faltou muita coisa mas não atitude, Alvalade prestou um longo tributo à equipa na saída de cena após uma noite que foi, pelo menos, de profunda aprendizagem para que o campeão nacional seja na segunda mão um aluno melhor.

Masterclass.

(Imagens vídeo Eleven Sports).

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