Não foram só Ríos de dinheiro
A FIGURA: Richard Ríos
Cresce nos jogos de elevado grau de dificuldade porque são aqueles onde se joga no campo todo e não num perímetro reduzido. Estreou-se a marcar na Champions com um toque subtil de pé direito na zona da pequena-área na sequência de uma bola parada e assistiu com excelência Barreiro para o 2-0. Compenetrado também sem bola, fez um corte importante ainda na primeira parte após um desequilíbrio de Neres pela direita. Jogador de grande nível competitivo e potencialmente decisivo? Sem dúvida. Falta descobrir como sê-lo mais vezes contra equipa de outro perfil.
O MOMENTO: calcanhar de Barreiro trava a reação. MINUTO 49
Depois de uma primeira parte sofrível, Antonio Conte fez duas substituições de uma assentada logo após o intervalo, o que permitiu que o campeão italiano ganhasse pujança ofensiva. O 2-0 de Leandro Barreiro surgiu numa altura em que se avizinhavam tempos difíceis para a equipa de José Mourinho, que, com essa dose extra de conforto, ficou ainda tranquila a partir daí.
OUTROS DESTAQUES
Ivanovic: surpreendentemente titular no lugar de Pavlidis, começou praticamente o jogo a desperdiçar uma soberana ocasião de golo na cara de Milinkovic-Savic. Aí, como noutros momentos ofensivos, notou-se que lhe falta a confiança que só o tempo de jogo (e sobretudo os golos) lhe podem devolver. Numa carambola (é certo!), mas acabou por assistir Ríos para o 1-0 e combinou na perfeição com o colombiano na jogada que terminou no 2-0 de Leandro Barreiro. Bom jogo do avançado croata, que não tem o perfume de Pavlidis com bola, mas vai até ao limite em qualquer jogada.
Sudakov: dono dos tempos do jogo quando o Benfica quer respirar com bola e decisivo quando a ordem é atacar o adversário em força. Fez um grande passe na jogada em que Ivanovic falhou o 1-0. Não desequilibra no um para um, mas desequilibra pela forma como vê o jogo antes da maioria. As alterações na segunda parte aliadas ao segundo golo das águias obrigaram-no a desempenhar mais missões defensivas e acabou por ter menos momento para fazer a diferença com bola.
Aursnes: importantíssimo no cerco que o Benfica montou à saída de bola do Nápoles. Serviu de forma deliciosa, de calcanhar, Ivanovic na primeira grande ocasião de golo do jogo e desperdiçou minutos depois uma oportunidade ainda mais soberana que nasceu de uma grande recuperação do próprio. Esse falhanço, ainda que seja o momento mais lembrado de Aursnes, não define o que foi o norueguês nesta noite de Champions.
Neres: no regresso à Luz um ano e meio depois de ter trocado o Benfica pelo Nápoles, mostrou ser um dos mais virtuosos em campo com a bola nos pés. Esteve ligado ao crescimento da equipa italiana na segunda metade da primeira parte, dificultando muito o trabalho de Dahl. Forçou Trubin a uma boa defesa aos 71 minutos.