Até há sal e pimenta neste novo menu de Bruno Lage, que não quis arriscar e brindou os adeptos com uma boa exibição na estreia oficial a jogar no Estádio da Luz esta época
Já havia mais ou menos a ideia de que o Benfica ia fazer a estreia oficial desta época no Estádio da Luz em ritmo de tranquilidade, mas os encarnados mostraram que era possível o passeio fazer-se com qualidade.
Repetindo o onze que deu uma vitória por 2-0 em França contra o Nice, Bruno Lage não quis baixar a intensidade, adotando até postura de maior domínio face a essa primeira mão, num jogo que entusiasmou quase sempre os adeptos, e que podia bem ter acabado com vantagem mais dilatada.
O Benfica era o seu maior inimigo neste jogo, mas acabou por não enveredar por esse caminho, preferindo facilitar a própria vida e ainda acrescentar uns pozinhos de qualidade.
Qualidade nórdica, diga-se, com dois jogadores já conhecidos a emergirem para fazerem o 2-0 com que a partida foi para o intervalo e com que acabaria por terminar.
Se o melhor bacalhau é da Noruega, os melhores jogadores das equipas portuguesas também têm surgido daquelas paragens escandinavas - Aursnes logo quando chegou, Gyökeres e Hjulmand depois dele e agora até Froholdt -, o que se voltou a confirmar neste jogo de Champions que o Benfica quis jogar ao mais alto nível.
De Aursnes - Fredrik, para quem ainda não atinou com o difícil áudio do apelido - já podemos esperar tudo, mas o norueguês voltou a mostrar que está novamente a voltar ao melhor nível, afirmando-se um autêntico box to box que aparece em todo o lado com uma qualidade sempre elevada. Mesmo que parta da direita, vai à esquerda, ao meio, à frente, atrás. Vai a todo o lado. Até cansa. A vista de quem olha, que as pernas dele não padecem desse mal dos comuns mortais.
Basta ver a receção que tem ainda antes do 1-0, num lance que acabou com pedidos de penálti por alegada falta sobre o reforço Ivanovic. Estica-se todo e recebe a bola no ar, para depois a orientar. [P.s.: naquela jogada substituiu as chuteiras por umas sabrinas de ballet, dada a beleza do movimento].
Já de Schjelderup, que tem tido menos consistência, mas também menos oportunidades, espera-se isto mesmo. Que se mostre, que decida, que faça decidir.
E decidiu, num remate colocadíssimo que colocou um peso final sobre uma eliminatória que só teve alguma indecisão durante breves 45 minutos. O Benfica era melhor à partida, mas mostrou ser muito melhor durante.
No fundo, os ingredientes que se destacaram foram os que já lá estavam. A diferença é que Bruno Lage tem uma receita nova, já com outro tempero - Barrenechea pode ser o sal e Richard Ríos a pimenta -, o que deixa sonhar os adeptos.
Agora segue-se um curioso duelo com o Fenerbahce de José Mourinho, que deu um recital um par de horas antes em Istambul, virando a eliminatória contra o Feyenoord e alcançando um 5-2 estimulante para a próxima fase.
Se quiser chegar à fase de liga da Champions, são os turcos que o Benfica tem de eliminar. Outra das grandes curiosidades é se isso acontece com ou sem Akturkoglu, jogador turco que está interessado em rumar precisamente ao Fenerbahce.
O primeiro jogo é em Istambul, com a segunda mão marcada para o Estádio da Luz. Dois ambientes infernais, com o Benfica a partir com favoritismo.
Antes disso há uma deslocação à Amadora, onde, contra o Estrela, o Benfica se vai estrear na Primeira Liga, depois de ter adiado a jornada inaugural para se focar neste duplo confronto com os franceses.
De passinho a passinho, o Benfica já tem três jogos oficiais e outras tantas vitórias, tendo marcado cinco golos e passado os 270 minutos sem sofrer.
