Pavlidis segurou a águia na eliminatória até Kökcü resolvê-la com a ponta da bota
A FIGURA: PAVLIDIS
O melhor elemento do Benfica, mas esta afirmação até pode pecar por excesso de conservadorismo. Teve uma leitura perfeita na jogada do 1-0 do Benfica, quando descobriu Aktürkoglu sozinho na zona do segundo poste. Com os extremos desinspirados e os médios incapazes de ligarem o jogo para o ataque, baixou muitas vezes para criar uma linha de passe que permitisse aos companheiros encontrá-lo. Bateu de forma exemplar o castigo máximo, mas também esteve na jogada que o originou, na forma como montou, com Aursnes (que sofreu a falta), um cerco aos homens do Mónaco.
O MOMENTO: golo de Kökcü. MINUTO 85
O cenário de prolongamento tinha voltado a ganhar força pouco antes, quando Ilenikhena recolocou os monegascos novamente na frente do jogo na Luz. Após uma grande bola de Carreras para a zona da pequena-área, Kökcü finalizou para o golo que deixou novamente o Benfica por cima da eliminatória.
OUTROS DESTAQUES
Kökcü: teve uma primeira parte desinspirada até no capítulo do passe, onde costuma ser mais forte. Cresceu na última meia-hora, já depois de Bruno Lage ter mexido na equipa. Ensaiou um grande remate de meia-distância o minuto 62 e aos 85 resolveu uma eliminatória com uma sensacional finalização com a ponta da bota na pequena-área.
Aursnes: recuperou em tempo recorde e, com o Benfica curto de opções no meio-campo, regressou direto para o onze. Não fez o melhor jogo de águia ao peito - longe disso - mas deixou tudo no relvado do Estádio da Luz. Esteve em campo os 90 minutos e todos os outros que o árbitro lhe acrescentou. Pelo meio ainda sofreu o penálti que permitiu a Pavlidis fazer o 2-2.
Trubin: antes já havia tido uma ação importante numa jogada de golo e aos 7 minutos negou o golo a Dialla com uma brilhante defesa. Talvez pudesse ter feito melhor no 1-1 de Minamino, mas aí a maior responsabilidade é de Otamendi e António Silva. Começou a segunda parte com uma grande defesa, mas ficou mal na fotografia no terceiro golo do Mónaco. Apesar da qualidade inegável, continua a ter oscilações exibicionais.
Minamino: a combinar com Embolo ou a ligar a equipa à frente, foi quase sempre um perigo apontado à baliza de Trubin. Com Leandro Barreiro a ter de lidar com ele e, por vezes, com Bem Akliouche e Bem Seghir, foram várias as vezes em que recebeu a bola sem pressão e com tempo e espaço para tomar boas decisões. Mas, além de ser um jogador dotado tecnicamente, tem também capacidade para aparecer nos sítios certos para finalizar. Um minuto antes de fazer o 1-1 atirou de cabeça ao poste direito.
Akliouche: partiu do corredor direito, mas foi essencialmente através de movimentos na zona central que instalou o caos. Rapidíssimo na condução de bola, permitiu que os monegascos ultrapassassem, várias vezes com tremenda facilidade, o meio-campo do Benfica. Já perto do apito para o intervalo voltou a espalhar o pânico no setor defensivo das águias, construindo quase desde raiz uma oportunidade de golo que Embolo desperdiçou. Na segunda parte deu seguimento ao recital na Luz, servindo Bem Seghir para o golo que empatou a eliminatória aos 51 minutos. Um talento tremendo, este extremo de 22 anos.
Ben Seghir: foi o responsável pela primeira ocasião de golo dos monegascos, numa das várias conduções de bola perigosas que protagonizou pelo centro do terreno. A abrir a segunda parte obrigou Trubin a uma bela defesa para canto. Ele e Akliouche chegaram a parecer imparáveis quando pegavam na bola no meio-campo e arrancavam na direção dos defesas encarnados.
