Um jogo de traidores e paladinos mostrou a Mourinho porque é que não dá para ganhar a este Benfica

27 ago 2025, 21:59
Benfica-Fenerbahçe (JOSE SENA GOULAO/LUSA)

Vitória do Benfica é mais justa e mais controlada do que o resultado mínimo quer fazer parecer. O diabo esteve nos detalhes, incluindo naqueles que surgiram há semanas

Uma entrada a arrasar transformou-se num fim roer as unhas, mas sempre com controlo do jogo. O Benfica recebeu o Fenerbahce em modo rolo-compressor e só parou quando Akturkoglu - quem mais? - fez o primeiro, quando já tinham sido anulados dois golos aos encarnados, um deles após demorada intervenção do VAR.

Se dúvidas havia de que o Benfica é melhor que o Fenerbahce, este jogo esclareceu-as totalmente, já que, quando foi preciso, carregou forte sobre o adversário e marcou o golo de que precisava para entrar na Liga dos Campeões, onde agora está, fazendo companhia ao Sporting.

Fica difícil é explicar porque é que o Benfica não continuou dono e senhor do jogo à procura de marcar mais, perante um adversário claramente impotente, mesmo que tenha assustado aqui e ali - destaque para o cabeceamento de En-Nesyri à trave.

Indo ao encontro do que Bruno Lage já tinha dito, o Benfica jogou para ganhar, mais do que para entreter. No fim do dia, era mesmo isso que se pedia. Pediam os adeptos, claro, mas pedia também Rui Costa, que dá um passo decisivo na direção da reeleição, que ficaria brutalmente impactada caso desta noite resultasse uma eliminação.

Montando num Leandro Barreiro ressurgido como o melhor que vimos no início do ano - alguém se lembra do hat-trick ao Famalicão? -, o Benfica conseguiu pressionar e depois conseguiu desdobrar-se totalmente, parecendo até que os quatro médios que tinha eram seis, sete ou oito.

É o poder de Fredrik Aursnes, provavelmente, que apareceu por todo o lado para quase fazer parecer que o Benfica tinha mais jogadores em campo. Dois autênticos paladinos no meio campo dos encarnados, que engoliu o dos visitantes em quase todo o tempo. E que lhes juntemos - porque não? - Richard Ríos, desta vez sim, a mostrar porque é que é o jogador mais caro da história do Benfica.

E a partir do minuto 82 foi mesmo assim, depois de Anderson Talisca ter sido expulso, num lance que gerou muita polémica e que colocou o estádio inteiro a assobiar um jogador que muitas vezes aplaudiu.

Talvez ninguém se tenha esquecido golo marcado pelo brasileiro pelo Besiktas, e que já na altura gerou desconforto. Pelo meio com declarações mais acaloradas, acabou por ser um jogador quase visto como traidor.

O traidor que Akturkoglu não foi. Ele é a figura central da eliminatória, depois de se ter falado muito da sua transferência para o Fenerbahce, que não aconteceu. E não só o turco não ajudou a equipa de José Mourinho, como ainda ajudou a enviá-la para fora da Liga dos Campeões.

No fim do dia, e vendo que tem hoje uma equipa bem menos capaz que outras - FC Porto, Chelsea, Inter, até União de Leiria, quiçá -, José Mourinho ficou a perceber porque é que já não é tão fácil ganhar ao Benfica.

De resto, e para deixar as dúvidas de lado, o próprio José Mourinho reconheceu que o Benfica foi "muito melhor que nós" na primeira parte. E na segunda parte, acrescentamos nós, foi o melhor que quis ser, que serviu.

Quanto ao Benfica, continua, a jogar melhor ou pior, a ganhar, a marcar e a não sofrer golos.

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