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Vitória, o Pai Natal e muita crença em Sevilha

Pedro Lemos , Sevilha
6 mar 2025, 15:43
Adeptos do Vitória em Sevilha (Foto: DR)
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Reportagem nas ruas de Sevilha antes do jogo entre Betis e Vitória desta quinta-feira, para os oitavos de final da Liga Conferência

Sabem que não será tarefa fácil, mas as dezenas de adeptos que durante a manhã/início da tarde povoam as ruas de Sevilha já fazem contas ao futuro do Vitória na Liga Conferência. A eliminatória frente ao Betis, que arranca hoje, será complicada - e nem a história joga a favor dos portugueses. Mas, neste duelo ibérico, há até quem evoque o Pai Natal: «nós acreditamos sempre». Palavra de vitoriano.

Com dezenas de autocarros a sair de Guimarães, durante a madrugada, ao final da manhã de hoje ainda não são muitos os adeptos em Sevilha. Junto ao Estádio Benito Villamarin, casa do Betis, não há nenhum. Para os encontrar, é preciso ir andar alguns quilómetros até à Plaza de España, um dos pontos turísticos da capital da Andaluzia.

Ricardo Fernandes e o seu grupo de vizinhos estão bem identificados. Envergam camisolas do Vitória, casacos; cachecóis não têm, mas também não são precisos: em Sevilha, apesar da ameaça de chuva, os termómetros marcam quase 20 graus.

A epopeia que levou este grupo de vitorianos até Espanha é contada por Ricardo de sorriso no rosto. «Até fomos visitar uma parte da nossa infelicidade desta época», diz. «Qual», perguntamos.

«Dormimos em Elvas na noite passada, onde fomos eliminados na Taça», responde, entre risos.

Foi a 12 de Janeiro que o Vitória visitou o Campo Domingos Patalino, no Alentejo, onde perdeu por 2-1 frente ao Elvas. A derrota, nos oitavos da Taça, acabaria inclusive por ditar o fim da curta passagem do treinador Daniel Sousa por Guimarães.

«Olhe, mas até gostei de ir ao Estádio. Quando vi a malta a fazer a festa, no Patalino... Tenho simpatia pelo povo do Alentejo e queria que tivessem passado o Tirsense nos quartos de final», diz Ricardo.

Mas o foco hoje é a Liga Conferência, competição onde o Vitória tem estado irrepreensível. Os portugueses terminaram a fase Liga no segundo lugar, apenas atrás do Chelsea. O ano europeu do Vitória, reconhece Ricardo Fernandes, tem sido «inesquecível», o que dá «um alento grande» para o duelo dos oitavos.

Isto apesar de, pela frente, estar um adversário «muito difícil». «Eles têm armas que nós não temos: basta pensar em jogadores como o Antony ou o Isco. Eu diria que, na realidade espanhola, estão ao nível do Vitória, mas, no confronto direto, a história é outra», perspetiva o adepto.

Esta não é a estreia de Ricardo a acompanhar jogos europeus dos vimaranenses. Esta época, já foi a Estocolmo, na Suécia, assistir ao vivo à vitória no terreno do Djurgarden (1-2).

O desejo de hoje é, acima de tudo, conseguir levar a eliminatória para Portugal. «Na segunda mão, no D. Afonso Henriques, vamos ser o 12º jogador e pode ser que consigamos fazer uma brincadeira», diz.

Os amigos Hugo Sampaio e João Abreu pensam da mesma forma. Poucas horas depois, encontramo-los junto ao meeting point dos adeptos do Vitória, perto da Plaza de España. Vêm animados e entusiasmam-se com a abordagem de um jornalista nas ruas de Sevilha.

«O que nos traz aqui? É a paixão!», respondem ambos. E nem podia ser de outra forma: para chegarem ao palco do jogo de hoje, foram de avião até Madrid onde apanharam um comboio até Sevilha. Depois do jogo, ainda rumarão a Málaga, sempre acompanhados por outros dois amigos.

«Somos o grupo de sempre e sê-lo-emos sempre. Mesmo em Portugal, vamos aos jogos fora, ao Dragão, a Braga», conta Hugo.

Tal como Ricardo Fernandes, este grupo também foi a Estocolmo. «Gostámos, ganhámos, correu bem e estamos de regresso», diz João Abreu.

O objetivo de hoje é, acima de tudo, não ficarem já arredados da passagem à fase. «O que nós queremos é levar o jogo para Guimarães. Sabemos que o nosso caminho está feito por termos passado aos oitavos, mas, como ficámos em segundo, há uma expetativa que se cria. Isso não podemos negar», confessam os dois amigos.

Um empate «seria ótimo»; uma vitória, algo épico. Se o Vitória passar, admite Hugo, tudo se torna possível. «Há a possibilidade de nos apurarmos... Se acontecer, a partir daí, basta sonhar».

Que o diga também Ricardo Fernandes que, antes de se despedir, atira uma excelente frase para fim de reportagem: «os vitorianos é como a malta que acredita no Pai Natal. Acreditamos sempre».

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