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Liga dos Campeões: Inter Milão-Barcelona, 4-3 (crónica)

6 mai 2025, 23:06

Épico, histórico, arrebatador

Inebriante, contagiante, arrebatador! O Inter Milão acabou com as sete vidas do Barcelona e, ao fim de uma eliminatória com treze golos, reservou a primeira vaga na final de Munique. Se a primeira mão já tinha sido emocionante, esta segunda foi ainda mais espetacular, com duas reviravoltas, golos espetaculares e uma incerteza que manteve os adeptos agarrados ao jogo ao longo de 120 minutos bem encharcados.

Uma eliminatória que vai diretamente para os anais da história desta competição, com o Inter a conseguir novamente uma vantagem de dois golos, depois com o Barcelona a protagonizar uma espetacular «remontada», antes dos italianos voltarem ao jogo sobre o minuto noventa, antes de carimbarem o passaporte para a final já no prolongamento, com um Sommer de antologia a deixar Lamine Yamal em segundo plano.

Confira o FILME DO JOGO e os VÍDEOS DOS GOLOS

Uma segunda mão que foi praticamente a continuidade do espetacular primeiro jogo em Montjuic (3-3), até porque os treinadores repetiram as mesmas equipas, com exceção de Jules Koundé que, lesionado, cedeu o lugar a Eric Garcia. De resto, tudo igual, com Robert Lewandowski, recuperado dos problemas físicos, a começar o jogo no banco.

O Barça procurou, desde logo, assumir as rédeas do jogo, com um bloco subido, procurando condicionar o adversário, mas o Inter aceitou o desafio, fechou-se muito bem, com Acerbi em grande nível, para depois explorar o muito espaço que os catalães deixavam nas suas costas.

A equipa de Hansi Flick procurava baralhar as marcações do Inter, com um jogo rápido, ao primeiro toque, mas extremamente arriscado. A linha defensiva dos visitantes instalou-se sobre a linha de meio-campo, numa tentativa de prender o adversário que se revelou demasiado ambiciosa. O Inter tem jogadores muito rápidos e, assim, que o jogo começou a assentar, os italianos começaram a testar as incursões ao lado do relvado onde estava apenas Szczesny.

Um grande passe de Lautaro Martínez permitiu a Thuram fazer a primeira invasão, mas o avançado francês estava adiantado. Um aviso que sério que o Barça ignorou. A equipa catalã continuou com o mesmo futebol que o Inter desmontava facilmente, com uma forte marcação a Lamine Yamal, mas também a Ferran Torres.

Os italianos foram ganhando confiança e começaram a pressionar mais à frente, onde o Barça começava a construir e foi precisamente aí que Dimarco conquistou a bola que resultaria no primeiro golo: passe vertical, para as costas da defesa do Barça, para a entrada de Dumfries que, face à saída de Szczesny, só teve de tocar para o lado, para a finalização fácil do capitão Lautaro Martínez.

O Inter ganhava vantagem no jogo e na eliminatória, numa altura em que o Barça procurava uma nova estratégia, agora com pontapés mais longos para o último terço, mas Acerbi, Bastoni e Bisseck, com mais centímetros que os avançados catalães, ganhavam todas as bolas. A equipa de Hansi Flick acusava as ausências de Baldé e Koundé e o Barça mão conseguia progredir pelas alas. Lamine Yamal ainda travou um duelo intenso com Dimarco, mas Raphinha mal se viu ao longo de toda a primeira parte.

Era o Inter que, de facto, estava melhor no jogo e Mkhitaryan e Çalhanaglou estiveram perto de aumentar a vantagem em remates de meia distância, antes de Lautaro Martínez, que chegou a estar em dúvida para este jogo, ser derrubado na área por um carrinho de Cubarsi. Um penálti que Çalhanoglou transformou no segundo golo do Inter.

Tal como na primeira mão, os italianos voltaram a marcar os dois primeiros golos, mas desta vez, o Barça não respondeu antes do intervalo que chegou logo a seguir, com as bancadas do Giuseppe Meazza em delírio. Parecia que estava tudo feito em 45 minutos, não só pelos dois golos do Inter, mas sobretudo pela gritante falta de acerto do Barça.

Barça corrige e volta ao jogo

A segunda parte seria completamente diferente, a começar pela subida dos laterais, Eric Garcia e Gerard Martín, que permitiu a Hansi Flick encaixar todas as peças e meter a máquina de novo a carburar. O Inter também regressou com uma nova postura, a procurar gerir a vantagem, mas rapidamente percebeu-se que os catalães estavam a crescer no jogo. Acerbi ainda chegou a festejar um terceiro golo do Inter na sequência de um livre, mas o central estava adiantado e não valeu.

A nova estrutura do Barça permitiu, finalmente, a entrada de Raphinha no jogo e, na primeira vez que tocou na bola, sobre a esquerda, cruzou-a com peso e medida para o remate de primeira de Eric Garcia. Um grande golo que permitiu ao Barça reentrar no jogo e na discussão da eliminatória. O Inter estava cada vez mais recolhido e já não tinha a mesma condição física para atacar as costas dos blaugrenat. Lautaro Martínez saiu mesmo logo a seguir, esgotado, numa altura em que o Barça já carregava por todos os lados.

Mais cinco minutos e novo golo do Barça, agora com Gerard Martín a cruzar para a entrada demolidora de Dani Olmo que empatou de cabeça. Em dois tempos, o Barça deixava tudo empatado e o Inter parecia estar cada vez mais rendido.

O árbitro ainda chegou a assinalar um penálti para o Barça, na sequência de uma falta sobre Lamine Yamal, mas acabou por reverter a decisão, uma vez que a falta de Mkhitaryan foi ainda fora da área. Lamine Yamal carregava mais do que nunca sobre a direita, os minutos corriam para o fim e o prolongamento parecia inevitável, mas o Barça chegou mesmo à reviravolta, com Raphinha a bater Sommer ao segundo remate ao minuto 87. O suíço ainda defendeu o primeiro, mas já não foi a tempo de evitar o segundo remate do brasileiro com o pé direito.

Inter ressuscita depois dos noventa

Silêncio nas bancadas e grande festa do Barça. Parecia que estava feito, mas ainda houve tempo para mais um golpe de teatro. Já em tempo de compensação, num lance trapalhão de Dumfries sobre a direita, o neerlandês consegue arrancar um cruzamento para o primeiro poste onde surge um surpreendente Acerbi a desviar para o empate. O Inter estava vivo! O que é que Acerbi estava ali a fazer?

Um golo que bateu forte no Barça que já estava, certamente, com a cabeça em Munique. A verdade é que os italianos entraram para o prolongamento com um novo fôlego, com as bancadas em delírio, a chuva a cair com intensidade e voltaram a marcar. Thuram levou tudo à frente sobre a direita e cruzou, Taremi amorteceu e Frattesi atirou para nova reviravolta no marcador. O Giuseppe Meazza quase veio abaixo e Frattesi festejou a bater com tal intensidade no peito que acabou por sentir-se mal e teve mesmo de receber assistência.

Hansi Flick, que já tinha lançado Lewandowski no início do prolongamento, arriscou tudo, com a entrada de Pau Víctor. O Barça ainda voltou a crescer, Lamine Yamal somou mais meia-dúzia de remates, mas encontrou pela frente um Sommer ultra-inspirado que foi somando defesas atrás de defesas até ao apito final.

Quinze anos depois do Inter ter chegado à final pela mão de José Mourinho com uma vitória sobre o Barça, os nerazzurri voltam a levar a melhor sobre os blaugrenat e estão, pela sétima vez (!), na final da maior competição da UEFA.

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