Champions: Ajax-Benfica, 0-2 (crónica)

25 nov 2025, 19:44

Na Liga dos últimos, ganha-se na raça

Ao fim de cinco jornadas, o Benfica soma os primeiros pontos na Champions. Ao mesmo tempo, impôs ao Ajax mais uma jornada de barriga vazia. Em 36 equipas, estas duas eram as únicas sem pontos. Numa verdadeira batalha pelo ranking da UEFA, entre Portugal e Países Baixos, a dita 'raça' do futebol português bateu o virtuosismo neerlandês (2-0).

No choque de estilos, o Benfica beneficiou de um golo precoce ganho numa bola parada, com Dahl a marcar pela primeira vez na Liga dos Campeões, e agarrou-se à vantagem com 'unhas e dentes'. No final do jogo, José Mourinho apostou até nos instantes finais numa linha de cinco defesas (lançando Tomás Araújo) e nas perdas de tempo – património imaterial do futebol português.

Trubin fez um par de intervenções decisivas para manter o resultado em 1-0 e, já nos descontos, Leandro Barreiro justificou a titularidade com um belo golo, no 2-0. Pouco a pouco, os encarnados foram cimentando uma vitória que lhes permite ter alguma esperança na repescagem para os play-offs. O Ajax concentra-se no campeonato.

RECORDE AQUI O FILME DO JOGO.

Mourinho regressou à linha de quatro defesas e apostou em Barreiro 

Uma coisa era certa antes do apito inicial – o fundo da tabela classificativa da Liga dos Campeões não ia ficar igual. Uma das duas equipas, ou até ambas em caso de empate, ia ganhar pontos na sequência deste jogo. Seria algo como 'tirar a barriga de misérias' numa época que começava a ficar horribilis para ambas as equipas. Não só nesta competição, mas especialmente na prova milionária.

Um jogo de milhões provou ser de tostões na primeira parte. Mas já lá vamos. Antes disso, convém referir que José Mourinho voltou ao 4-2-3-1, abdicando da linha de três defesas apresentadas contra o Atlético CP, e lançou Leandro Barreiro como médio-ofensivo entre Sudakov e Aursnes, que ocupavam os corredores. Porém, não se pode dizer que foram propriamente 'extremos', como o lesionado Lukebakio.

Também o Ajax, agora com Fred Grim como treinador-interino após o despedimento de John Heitinga, fez uma ligeira revolução face à derrota inesperada diante do Excelsior, na última jornada do campeonato doméstico, por 2-1. Mudou cinco elementos, com talvez a maior surpresa a ser a titularidade do jovem extremo Rayane Bounida, de 19 anos, na ala direita. E deu boa conta de si.

Samuel Dahl abriu marcador à lei da bomba

O Benfica marcou cedo. Ganhou dois cantos nos primeiros cinco minutos de jogo e, num deles, adiantou-se no marcador por intermédio de Samuel Dahl. Após um belo cabeceamento de Richard Ríos defendido pelo guarda-redes checo Jaros acabou no pé esquerdo do lateral sueco. Dahl atirou de primeira com força e colocação e fez o seu segundo golo na temporada.

Após isso, o Benfica de Mourinho assumiu um papel mais passivo, entregando a posse de bola e esperando por uma transição ofensiva rápida. Porém, essas chances não surgiam e eram cortadas cedo, dada a baixa profundidade das linhas benfiquistas. Pavlidis ainda esboçou uma jogada de perigo, mas rematou à malha lateral com o pé esquerdo.

O que se seguiu foi um teste para as duas equipas – quanto tempo é que o Benfica aguentava sem bola, e como é que o Ajax criava espaço na muralha defensiva visitante. E a verdade é que os neerlandeses encontraram espaço.

Que o diga Anatoliy Trubin, obrigado a fazer uma grande defesa a remate de Davy Klaassen, sozinho na grande área, aos 35m. Já Mika Godts, extremo-esquerdo, protagonizou uma grande arrancada do corredor para o meio, tendo apenas falhado no momento do remate.

Trubin segurou e Leandro Barreiro encerrou a discussão

José Mourinho até saiu mais cedo para o balneário, seguramente insatisfeito. A verdade é que não mudou qualquer peça ao intervalo e o sofrimento continuou na segunda metade.

Nos primeiros dez minutos da segunda parte o Ajax teve duas belas chances de golo. Na primeira, Bounida tirou um oponente da frente e rematou forte para defesa atenta de Trubin. Pouco depois, o capitão Klaassen teve um falhanço clamoroso na cara do ucraniano, pegando nas 'orelhas da bola'.

O restante desta segunda parte foi sofrível. As alterações do Ajax não surtiram efeito e José Mourinho ainda recorreu à linha de cinco defesas, lançando Tomás Aráujo, para trancar a vantagem. Não só conseguiu isso, como ainda a alargou - Leandro Barreiro combinou muito bem com Aursnes para fazer um 2-0 espetacular, já com os neerlandeses balanceados para o ataque.

Nota final para o regresso do médio Manu Silva nos descontos, após cerca de nove meses lesionado. O Benfica regressa de Amesterdão com três pontos e uma mensagem (interna e externa): é possível ganhar pontos na Liga dos Campeões. 

A Figura: Anatoliy Trubin

Foi o guarda-redes do Benfica que manteve a vantagem intacta durante 85 minutos. Aos 35m, negou uma grande chance a Davy Klaassen; aos 51m, desvia um remate perigoso do virtuoso Bounida; aos 77m, reagiu rapidamente a um tiro forte de Oscar Gloukh. Ter um guarda-redes como o ucraniano facilita uma estratégia defensiva como aquela apresentada pelo Benfica.

O Momento: golo de Leandro Barreiro, 90m

Se havia adeptos do Benfica ainda a roerem as unhas na bancada, puderam finalmente descansar e celebrar aos 90 minutos. O remate forte do internacional luxemburguês foi a catarse de todo um jogo de nervosismo, em que o Benfica se remeteu à defesa e esperou pelo contra-ataque. A grande aposta de Mourinho no onze foi ganha.

 

 

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