Champions: Benfica-PSG, 1-1 (crónica)

Luís Pedro Ferreira , Estádio da Luz, Lisboa
5 out, 22:14
Champions: Benfica-PSG (Lusa)

Um Benfica de peito feito

Era uma noite de estrelas, foi uma noite dos diabos. A Luz e o Benfica viveram o jogo mais cintilante da temporada frente a um PSG de Bolas de Ouro – as de Messi, as futuras de Mbappé e aquelas que passaram ao lado de Neymar – e de Vitinha, a estrela discreta dos franceses.

O jogo foi, porém, muito mais do que individualidades. Porque o Benfica tinha de esbater a diferença de qualidade pelo coletivo. E porque, mais importante do que isso, soube fazê-lo, numa exibição de mais a menos, mas que, entre o céu e a terra, foi enorme ao ponto de Vlachodimos e Donnarumma discutirem o protagonismo num empate que deve ter deixado a Juventus baralhada...

O Benfica entrou de peito feito. O futebol ofensivo, a pressão alta, o ir à jugular do adversário não é mera conversa. Durante vinte minutos houve um «Benfica à Benfica». Da bancada ao campo, do relvado às cadeiras, a Luz viveu uma daquelas jornadas prometidas aos mais novos: uma noite europeia de fervor, , infernal, dir-se-ia. Repete-se, em 20 minutos, o Benfica de Schmidt foi essa promessa.

Pressão alta, a tentar roubar bola perto da baliza do vilão Donnarumma e, quando mais atrás, a aproveitar espaços nas costas da defesa parisiense. O italiano foi, porém, o muro onde a ideia esbarrou e, depois, surgiu Messi.

O que fora até aos 20 minutos deixara de ser a partir dos 22. Numa só jogada, Messi virou o jogo. Pegou na bola, combinou com Mbappé e Neymar e atirou num arco triunfal. São agora 40 clubes aqueles a quem marcou na Champions, um recorde na Luz.

 

O Benfica sentiu o golo e o PSG também. Serenou, tirou às bancadas a ilusão e aos jogadores encarnados o discernimento e a energia. Vitinha pegou na batuta – enorme jogo – e levemente levou o Paris para o meio-campo encarnado. Ici c’est Paris, diz o lema, e era quase isso o que sucedia por essa altura.

Do outro lado das estrelas do PSG, havia algo cintilante também. A exibição de João Mário. Sempre bem, sempre a dar continuidade aos ataques, foi um ataque à profundidade do camisola 20 que levou o Benfica até à área rival. Donnarumma voltou a negar o golo, agora a António Silva. O mote estava dado, no entanto. Enzo reganhou energia, Florentino nunca a perdera na verdade, mas era necessário a sorte também dar algo aos da Luz. E ela surgiu como o Benfica entrou, com o peito feito de Danilo a desviar para a própria baliza.

A montanha russa que foi o primeiro tempo desapareceu no segundo. Aí, o PSG superiorizou-se e foi a vez de Vlachodimos mostrar credenciais. Neymar ao ferro, Mbappé para defesa incrível do grego, Messi sempre a dar jogo aos colegas. Era muito PSG, mas o Benfica teve a solidariedade dos humildes, defendeu-se e quando lá teve forças tentou o golo.

Jogo aberto, indeciso até final e com uma certeza apenas: aquela jogada de Rafa, se desse golo, iria deixar o mundo de boca aberta, não só pelo lance, como pela classificação. Donnarumma foi o justiceiro de uma noite de fortes emoções e que deixa uma ideia bem clara: este Benfica está para discutir jogo com qualquer um e é para levar como sério candidato aos oitavos de final.

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