Champions: Benfica-Maccabi Haifa, 2-0 (crónica)

David Marques , Estádio da Luz, Lisboa
6 set, 22:15

O princípio da simplificação

A décima vitória em dez jogos do Benfica nesta temporada não teve nota máxima, mas depois de dois triunfos pela margem tangencial a equipa de Roger Schmidt voltou a dar uma noite descansada aos adeptos dos encarnados que estiveram nas bancadas do Estádio da Luz.

Quatro dias depois do triunfo fora de horas sobre o Vizela, as águias iniciaram a participação na fase de grupos da Liga dos Campeões com um triunfo incontestável sobre o Maccabi Haifa por 2-0.

O campeão israelita foi rigoroso e organizado, mas cinco minutos bastaram para que o Benfica resolvesse um jogo no qual quase nunca pareceu confortável nos 45 minutos iniciais.

Durante esse período faltou muito às águias. Velocidade na circulação da bola, uso de mais zonas do campo, rasgo nos últimos 30 metros, peso na área e paciência. Faltou também capacidade para perceber, pelo menos cedo, que jogar bem é muitas vezes fazê-lo de forma simples. Sem adornos nem fogo-de-artifício.

Ao fim de 45 minutos espremia-se pouco do ascendente territorial do Benfica: mais de 60 por cento de posse de bola, mais remates, mas apenas uma soberana ocasião de golo, de Rafa por volta da meia hora.

O Benfica regressou diferente para a segunda parte. Com Musa no lugar do apagado Gonçalo Ramos e ciente daquilo que precisava de fazer de diferente para desbloquear o jogo.

Logo a abrir o Maccabi quase inaugurou o marcador após um erro de Florentino, mas a partir daí o resto da noite foi quase todo dos encarnados.

Grimaldo soltou-se mais pela esquerda e foi por ali que a equação começou a resolver-se. Houve também muito Rafa, mais solto, endiabrado e capaz de desarrumar definitivamente a boa organização defensiva dos israelitas.

E o Benfica simplificou.

Aos 50 minutos, o avançado internacional português inaugurou o marcador a passe de Grimaldo. Nessa jogada viu-se quase tudo aquilo que faltara ao Benfica até aí: circulação de bola veloz, rápido ataque ao espaço e presença indispensável de várias unidades na grande-área contrária para fazer mossa.

Cinco minutos depois, o lateral-espanhol pincelou o momento da noite, num remate colocadíssimo de pé esquerdo que terminou no fundo da baliza de Cohen.

Depois, o perfil do jogo mudou. O Maccabi passou a ter mais bola e o Benfica tornou-se tendencialmente uma equipa de transição, geriu o jogo com competência e foi acumulando chegadas perigosas à baliza dos israelitas. A fechar, Enzo Fernández viu o poste direito devolver-lhe o 3-0 numa noite em que a equipa de Roger Schmidt foi de menos a mais e percebeu, ainda bem a tempo, aquilo de que precisava para ter sucesso.

Do princípio da simplificação.

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