Técnico português chegou ao Fogão com jogadores psicologicamente abalados e sem o melhor aproveitamento da qualidade do plantel
*Por Isabela Labate
Artur Jorge está muito perto de fazer história no Botafogo e no futebol brasileiro. Neste sábado, em Buenos Aires, o clube do Rio de Janeiro disputará sua primeira final de Libertadores e enfrentará o Atlético Mineiro pela taça de campeão da América do Sul. O técnico português, que também tem grandes chances de levar o Campeonato Brasileiro, pode fazer do Monumental de Núñez o palco que ratifica sua chegada como a escolha certa para tocar o projeto de John Textor.
É verdade que Luis Castro despontava como esse nome que recolocaria o Botafogo no caminho dos títulos, já que fazia uma campanha espetacular antes de ser seduzido pelas cifras do Al Nassr, de Cristiano Ronaldo. Tudo o que ele havia construído, porém, não foi mantido. Nem por Bruno Lage, nem por Lúcio Flávio, nem por Tiago Nunes.
«Sem Artur Jorge o time não tinha padrão de jogo. Era bem desorganizado dentro de campo. O mental mudou demais, o Luis Castro começou isso e ele agora aplicou de maneira ainda melhor», relembrou Luan de Carvalho, botafoguense, ao Maisfutebol.
A perda do Brasileirão em 2023 para o Palmeiras, que chegou a estar 14 pontos atrás na tabela, foi absolutamente frustrante para o elenco botafoguense e para o torcedor do clube. Além disso, o início de 2024 foi para lá de desanimador. Ou seja, Artur Jorge chegava num ambiente com o psicológico abatido, porém com uma estrutura bem montada e jogadores de qualidade.
«Aquelas viradas que aconteciam, já não acontecem mais. Ainda que a gente viesse de sequência de empates, são empates, não são derrotas, que o ânimo vai lá para baixo, como aconteceu no ano passado», disse João Borges, torcedor do Fogão.
Foi a hora que o técnico português passou a brilhar. Ele não apenas recolocou o time nos trilhos da Libertadores, como também iniciou o Brasileiro com o pé no acelerador. Artur deu a confiança necessária para que os jogadores e o clube, abalados por 2023, pudessem acreditar que o caminho das vitórias e das glórias seria possível, sem considerar o passado ou os fatores externos.
«Ele fez todos perceberem que são um só, o psicológico ficou mais forte, mesmo tendo várias mídias, pessoas e outros clubes que falem contra, que desacreditem do Botafogo, ele mostrou que o Botafogo é muito mais do que a maioria pode falar ou pensar», elogiou Maitê Rezende, torcedora botafoguense.
Mas isso sem falar dos processos dentro de campo. Com Almada, Luiz Henrique, Savarino e Igor Jesus à disposição, Artur Jorge não teve dúvidas e priorizou a utilização de suas maiores potências. O treinador optou por montar uma equipe que levasse em conta as melhores características de seus atletas, e não suas convicções.
«Com a sua chegada, a equipe encontrou uma forma de jogo, inclusive colocar quatro jogadores voltados para o ataque em campo e o time não ficar desequilibrado, coisa que Ancelotti não está conseguindo fazer no Real Madrid, que é o melhor elenco do mundo», destacou Luan.
«Eu confio no trabalho, é um técnico com experiência internacional, que está acostumado a jogar Champions League, campeonatos no exterior. Você vê que é um trabalho diferenciado, eu cheguei a acompanhar alguns treinos, e você vê que dentro de campo não é igual aos técnicos nacionais. Eu vejo que ele é um técnico diferenciado», analisou Djalma Pinheiro, torcedor do Bota.
Com a gestão do psicológico do grupo em dia e um time bem montado dentro das quatro linhas, Artur Jorge fez valer toda a estrutura e investimento feito no Botafogo e levou as cores do clube no mais alto posto do futebol brasileiro e sul-americano. Claro que o resultado é o dono do destino no Brasil, mas os torcedores botafoguenses já elegeram seu «professor» como responsável por esse protagonismo merecido.
«Confio 100 por cento que ele possa trazer o título. A decisão do John Textor de trazê-lo para o Botafogo foi primordial para a gente estar onde a gente está hoje», finalizou Djalma.