Primeiro-ministro chinês afastado da liderança do Partido Comunista

CNN Portugal , AM/PF com Lusa
22 out, 08:59
Li Keqiang e Xi Jiping (EPA)

Nome de Li Keqiang não constava na lista do novo Comité Central, uma espécie de parlamento do Partido Comunista Chinês com cerca de 200 membros

Li Keqiang, o primeiro-ministro da China e principal defensor das reformas económicas no país, está entre quatro dos sete membros do Comité Permanente do Politburo do Partido Comunista (PCC) que vão ser afastados. O seu nome não constava na lista do novo Comité Central, uma espécie de parlamento do Partido Comunista Chinês com cerca de 200 membros.

À CNN Portugal, Tiago André Lopes, especialista em Diplomacia, considera que a não recondução de Li Keqiang segue apenas o cumprimento da lei. 

“É uma questão normal. Há uma regra formal do Partido Comunista Chinês, que vem da Constituição de 1982, que estabelece que, a partir dos 69 anos, eles não são reconduzíveis para novo mandato. A China aprendeu com os erros da União Soviética, a ideia é evitar ter líderes políticos demasiado velhos, para evitar aquela fase de Andropov e Brezhnev. A China corrigiu isso e, com algumas exceções, não são reconduzidos após os 69. Já sabíamos que Li Keqiang não ia a jogo”.

O académico da Universidade Portucalense destaca, no entanto, um acontecimento relevante em torno deste congresso.

"O que é surpreendente é que um dos candidatos a primeiro-ministro, Wang Yang, que é muito próximo de Xi Jinping, não está presente no Congresso. A sua ausência, sim, é significativa. Yang era, até há uma semana, presidente da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, uma espécie da câmara baixa do parlamento que é apenas, como diz o nome, consultiva. Era apontado como um possível próximo primeiro-ministro, mas não apareceu no Salão. Demonstra que haverá um outro primeiro-ministro que não será este”, diz o professor, que perspetiva que Hu Chunhua, atual vice-primeiro-ministro, possa ascender a esse cargo.

Terceiro mandato de Xi quebra limite não oficial de dois mandatos

A lista foi aprovada no sábado, durante a sessão de encerramento do 20.º Congresso do PCC, que durou uma semana e definiu a liderança e a agenda política do país para os próximos cinco anos.

Apenas membros do Comité Central podem servir no Comité Permanente do Politburo, a cúpula do poder na China.

Os outros três membros que foram afastados são o secretário do Partido Comunista no município de Xangai, Han Zheng, o chefe do órgão consultivo do Partido, Wang Yang, e Li Zhanshu, um antigo aliado de Xi e presidente da Assembleia Nacional Popular, o órgão máximo legislativo da China.

O PCC aprovou também uma emenda à sua carta magna que eleva o estatuto de Xi Jinping como líder indiscutível da China.

Xi emergiu durante a sua primeira década no poder como um dos líderes mais fortes na História moderna da China, quase comparável a Mao Zedong, o fundador da República Popular, que liderou o país entre 1949 e 1976.

Um terceiro mandato de Xi quebra um limite não oficial de dois mandatos, que foi instituído para tentar evitar os excessos do poder absoluto que marcaram o reinado de Mao.

O texto da emenda não foi divulgado imediatamente, mas, antes da sua aprovação, um locutor referiu os motivos por detrás da decisão, mencionando repetidamente Xi e os seus “feitos” na modernização das Forças Armadas e da economia e no reforço da autoridade do Partido.

Nos seus breves comentários finais, Xi apontou que a revisão “estabelece requisitos claros para manter e fortalecer a liderança geral do Partido”.

No congresso anterior, em 2017, o PCC elevou já o estatuto de Xi ao consagrar as suas ideias – conhecidas como “Pensamento de Xi Jinping” – na sua carta magna.

A elevação do seu pensamento ideológico torna qualquer crítica às diretrizes de Xi num ataque direto ao Partido e sinaliza amplo apoio ao líder chinês entre a elite política do país, segundo observadores.

Congresso do Partido Comunista Chinês termina hoje

O 20º Congresso do Partido Comunista Chinês (PCC), que termina este sábado em Pequim, vai ser acompanhado de anúncios que vão moldar o futuro político da China nos próximos cinco anos.

A formação do novo Comité Central do PCC é hoje apresentada, mas só no domingo, no final do seu primeiro plenário, é que é divulgada a composição do Politburo e do Comité Permanente do Politburo.

O evento, o mais importante da agenda política da China, realiza-se a cada cinco anos.

A análise consensual aponta para a atribuição de um terceiro mandato a Xi Jinping, o atual secretário-geral da organização, mas os observadores vão estar atentos às entradas e saídas da cúpula do poder na China.

O Comité Central do PCC, uma espécie de parlamento do Partido Comunista, é composto por 200 delegados. O núcleo duro é o Politburo, que integra 25 membros.

O poder de decisão está nas mãos do Comité Permanente do Politburo, um grupo atualmente composto por sete homens, incluindo o secretário-geral Xi Jinping.

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