BPP: Lesados pedem destituição da comissão liquidatária ao tribunal

Agência Lusa , DCT
20 jan, 15:29
Protesto dos clientes do Banco Privado Português

A associação que junta clientes lesados pelo BPP diz que, ao longo do último ano, tentou por várias vezes contactar a Comissão Liquidatária, mas "sempre sem sucesso"

A associação de clientes lesados pelo Banco Privado Português (BPP) pediu ao Tribunal do Comércio a destituição da Comissão Liquidatária do BPP, que vem acusando de arrastar o processo de liquidação do banco há mais de 11 anos.

"A falta de transparência e de comunicação, a enorme ausência de atividade da Comissão liderada pelo Dr. Manuel Mendes Paulo, junto com uma série de questões que tem sido notícia na comunicação social ao longo dos últimos meses e a ausência de respostas da entidade responsável pela massa falida do BPP, levou a Privado Clientes entender não estarem reunidas condições para que a atual Comissão Liquidatária possa prosseguir a sua atividade", disse a Privado Clientes - Lesados do BPP em nota enviada à Lusa.

O pedido de destituição foi feito esta quarta-feira através da plataforma Citius.

A Privado Clientes espera que a nomeação de uma nova Comissão Liquidatária seja "um passo no sentido de tornar a liquidação do BPP num processo mais célere, claro e transparente".

A associação que junta clientes lesados pelo BPP diz que, ao longo do último ano, tentou por várias vezes contactar a Comissão Liquidatária, mas "sempre sem sucesso".

A associação de clientes lesados pelo BPP tem sido muito crítica para com a atuação da Comissão Liquidatária, que acusa de se querer perpetuar nos cargos à custa de credores que esperam há mais de 11 anos para serem compensados. Os lesados dizem ainda que a comissão liquidatária não cumpre a ordem do tribunal de indicar quanto cada credor tem a receber.

Defendem ainda que haja já pagamentos aos credores, mesmo que parciais.

No ano passado, após consultar o processo no Tribunal do Comércio, a Privado Clientes considerou um “escândalo” os 4,1 milhões de euros gastos, em 2020, em ordenados e outros custos administrativos pela Comissão Liquidatária.

Os lesados disseram ainda que o processo não indica quem são os 28 trabalhadores nem o valor de remuneração de cada um deles, acrescentando que se for feita "uma conta rápida", então, "em média, cada um desses 28 colaboradores custa mais de 70 mil euros anuais, pagos com o dinheiro dos credores”.

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