Mais de 670 mil votos não elegeram ninguém e o Bloco foi quem mais perdeu nesta contagem

31 jan, 22:09
Eleições legislativas (Lusa)

Este número é mais alto do que a votação obtida, por exemplo, pela terceira força política, o Chega. Isto acontece porque o que conta não é a contagem dos votos a nível nacional, mas a proporção de votos dentro de cada círculo eleitoral

Se somarmos todos os votos que não elegeram ninguém em todo o país, o Bloco de Esquerda é quem acaba por perder mais, pois contabilizou muitos votos em diferentes círculos eleitorais que não chegaram para eleger nesses círculos. Foram 112.430 que não serviram para nada.

O segundo perdedor foi o Chega (com 95.510 votos que não foram convertidos em mandatos) e a CDU (88.392). Em todo o país, o total dos votos que não elegeram nenhum deputado foi de 671.062.

A fórmula usada em Portugal para calcular o número de mandatos não é nova e é uma das mais utilizadas em todo o mundo: o método d'Hondt. Considerado um método simples e que assegura uma boa proporcionalidade entre votos e mandatos, é também muitas vezes contestado por, tendencialmente, favorecer os partidos maiores.

Isto torna-se mais evidente quanto menos mandatos estiverem atribuídos a cada círculo eleitoral. Lisboa e Porto, que juntos elegem 88 deputados, por exemplo, são os círculos eleitorais onde os votos que não elegeram ninguém têm a menor proporção, cerca de 3% e 6%, respetivamente.

Mas o número de mandatos não é o único fator que condiciona o número de votos que efetivamente acabam por resultar num lugar na Assembleia da República. Em Setúbal, que elege 18 deputados,  apenas 6% dos votos não contaram. Isto porque a votação se concentrou em seis partidos, que elegeram deputados por este círculo eleitoral: PS, PSD, CDU, Chega, Bloco e Iniciativa Liberal.

Em Portalegre, que apenas elege dois deputados, acontece o oposto. Foi o círculo eleitoral onde a maior proporção de votos não contou para nenhum lugar no Parlamento: 51,8%. Apenas o PS elegeu em Portalegre, com quase metade dos votos válidos contabilizados no distrito (25.271). A segunda força política, o PSD, esteve perto mas não chegou a metade dos votos dos socialistas (12.432).

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