Factos Primeiro: a abstenção desceu, mas não tanto como pensa

1 fev, 14:26
Factos primeiro: a abstenção desceu, mas não tanto como pensa

Taxa de abstenção não caiu de 51% para 42%, como tem sido dito: faltam os dados do estrangeiro, que todas as eleições fazem disparar a taxa final de abstenção. Na verdade, a taxa de abstenção deste ano desceu face a 2019, mas quase nivelou com a de 2015

Marcelo Rebelo de Sousa chamou-lhe “vitória” e agradeceu aos portugueses terem acorrido em maior número às urnas nas eleições legislativas de 30 de janeiro. É verdade que a taxa de abstenção desceu, mas menos do que as primeiras leituras sugerem. Porque a comparação entre a taxa deste ano de 42% (apenas em território nacional) com a taxa das legislativas de 2019 de 51% (para o total de eleitores, incluindo estrangeiros) compara alhos com bugalhos.

Em território nacional houve uma descida, sim, mas de 45% para 42%.

Analisemos os dados oficiais. No domingo, foram apurados apenas os votos em território nacional, faltando os dados dos votos no estrangeiro, que demoraram mais alguns dias.

Nestas eleições de 2022, dos 9.298.390 (9,3 milhões) de eleitores inscritos em território nacional, votaram 5.389.705 (5,4 milhões) de pessoas, o que resulta numa taxa de votação de 57,96% –  e, logo, numa taxa de abstenção de 42,04%. 

Nas legislativas de 2019, estavam inscritos no território nacional 9.343.920 (9,3 milhões) de eleitores, dos quais votaram 5.092.812 (5,1 milhões) de pessoas, resultando numa taxa de participação de 54,5%, ou uma taxa de abstenção de 45,5%. Depois, acrescentaram-se os votos do estrangeiro: dos 1.466.754 (1,5 milhões) de inscritos, votaram 158.252 (158 mil) pessoas. A taxa de abstenção no estrangeiro foi, pois, de 89,21%.

Isto significa que, até serem apurados os resultados do estrangeiro, a taxa de abstenção correta a comparar é de 42% este ano com 45% em 2019 em território nacional. Votaram mais 296.893 pessoas este ano no território nacional. Mas Depois de sabermos os resultados no estrangeiro, a taxa de abstenção global provavelmente subirá, como tem acontecido em todas as eleições.

A análise permite concluir, tal como o gráfico acima revela, que a taxa de abstenção de facto desceu nas eleições deste ano, mas menos do que tem sido dito. Na verdade, esta taxa de abstenção em território nacional é a terceira mais alta de sempre, estando muito próxima da taxa de 2015, que foi então de 44,1%.

Conclusão: Falso.

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