Ouviu gente em lágrimas, recebeu elogios, culparam-na de coisas e mandaram-na para o Pingo Doce: Catarina em Famalicão

26 jan, 21:01
BE Famalicão

Líder do BE visitou a conhecida feira de Famalicão. E quem vai à feira já se sabe: ouve de tudo, do bom e do pior

Parece ser uma quarta-feira habitual para os comerciantes da feira semanal em Vila Nova de Famalicão. Os clientes dedicam a manhã a vaguear pelos corredores, namorando a fruta, os enchidos ou a peça de roupa que não sabiam que precisavam.

Ao longe, o som de uma gaita de foles deixa os mais curiosos à espreita. De seguida juntam-se os bombos, e imediatamente as palavras de ordem. "É a Catarina Martins", anuncia um comerciante, e atrás dela uma caravana de bandeiras ao alto. É a sexta vez que a líder partidária visita uma feira em período de campanha e, à semelhança das anteriores, começa por saudar todas as bancas, distribuindo folhetos e jornais do partido. "Contamos consigo", é assim que, com um sorriso no rosto, apela ao voto no dia 30 de janeiro. 

Na banca da padaria Pinheiro & Castro, Maria Silva recebe a publicidade dos militantes e observa o frenesim em bicos de pés, tentando avistar a candidata do Bloco de Esquerda. "Não estou muito ligada à política, passa-me um bocadinho ao lado", diz a funcionária de 55 anos. "Promessas todos eles fazem e são todas boas mas depois não cumprem." Maria Silva explica que a corrupção é uma das razões que a levaram a desacreditar os políticos. "Roubam, levam milhões e depois não vão buscar os milhões que se roubaram. Se as pessoas roubam têm de devolver." Ainda assim, acha que cada um "tem a intenção de fazer o melhor" e usa uma frase comum entre os populares: "Já para gerir uma casa é difícil, quanto mais um país". 

Na mesma banca, Carla Azevedo, que não deixa de ouvir a conversa, interrompe: "Eu só tenho a dizer que estamos nesta situação, se calhar por causa da Catarina, e o que ela não fez há meia dúzia de meses quer fazer agora". Entrega um saco de pão a José Almeida, de 72 anos. O cliente veio diretamente da Póvoa de Varzim para comprar o pão que só encontra naquela padaria e acabou por assistir à procissão bloquista. "Se o Governo de António Costa mudar um bocadinho, é viabilizado", comenta. "Acho que a continuidade é melhor que a direita, que é um perigo." Lembra-se do tempo de Passos Coelho e acusa-o de ter desgraçado os portugueses. "Eu tinha uma empresa de construção civil com alvará de 500 mil euros e fiquei na desgraça, as empresas foram ao charco", conta, acrescentando que sobreviveu a vender algumas coisas por um terço do seu valor. "Esse período é para esquecer e nunca mais votar nos direitolas." Antes de ir embora, diz que espera "uma nova aliança e uma nova geringonça com mais afinco".

O chumbo do Orçamento do Estado e as pensões foram uma constante nas vozes de quem passava pela comitiva, mas também não faltaram agradecimentos: "Hoje estou reformado à custa da vossa lei" começou por dizer um transeunte. "Eu tinha 46 anos de descontos e 60 anos de idade e vocês apertaram com o Governo." Catarina Martins sorri e prossegue a caminhada pela feira. 

"Está toda a gente a viver no limite"

Na banca do Bacalhau Januário, Andreia Sousa não se mostra satisfeita com o que acontece ali à sua frente. "Só se lembram do comércio tradicional nesta altura para pedir votos", protesta a jovem de 34 anos. "Quanto fecharam as feiras por causa da covid fomos os primeiros lesados e ninguém se lembrou. Porque é que não vão para a porta do Pingo Doce?" Ao lado da mãe e da irmã, fala sobre o negócio barcelense - que já soma 30 anos. Desdobram-se para o manter desde a morte do pai, o fundador, e hoje vendem os seus produtos alimentares em vários pontos do país. Andreia é formada em economia mas escolheu dedicar-se ao projeto familiar. "Conto fazer disto vida, por isso esta atividade tem de durar mais algum tempo", conclui, apelando às pessoas para que "não se esqueçam deste tipo de comércio". 

Os clientes não param de surgir, mas a mãe, Augusta Hipólito, continua a conversa sem interromper o seu trabalho. A comerciante de 50 anos só pede que o país "vá para melhor" nestas eleições legislativas e "com menos impostos". "Ainda agora acabei de abastecer o carro e foram 80 euros. Há quem tenha de ir a Espanha para ficar mais barato. Está toda a gente a viver no limite e se as coisas não mudarem vai haver uma crise muito grande."

Mas se há coisa de que a mãe e as duas filhas não abdicam é do voto. "É um direito que antes não tínhamos para mostrar que estamos aborrecidas com o estado do nosso país."

Elisabete e Andreia Sousa com a mãe, Augusta Hipólito

Quando a caravana pára para prestar declarações à comunicação social, aproxima-se de Catarina Martins um antigo combatente em lágrimas. Lamenta que o Governo se tenha esquecido dos ex-militares portugueses, mas a líder do Bloco de Esquerda compromete-se a não o fazer e garante ter consciência da "injustiça da qual são vítimas". 

Questionada sobre a eventualidade de obter um lugar no Governo em negociações com o PS, Catarina Martins afirma que o seu partido "está nas eleições com humildade" e que serão os votos a determinar o entendimento à esquerda. 

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