Depois das pessoas e dos animais, PAN visitou o "oásis no meio de um eucaliptal"

27 jan, 19:23
Pan no Bioliving

Entre as ruas estreitas de Canelas, em Estarreja, há um caminho para um laboratório vivo de espécies protegidas, onde passam cerca de 70 pessoas por ano com um objetivo comum: a conservação ambiental. Foi o local escolhido para mais uma ação de campanha do PAN, desta vez entre a natureza, numa visita à associação BioLiving

A comitiva de Inês de Sousa Real é recebida à chegada por alguns cães empolgados que por ali passeiam e por Rafael Marques, membro fundador da associação. Pela frente, a enorme paisagem verdejante e o ruído quase inexistente escondem a autoestrada que foi construída a 200 metros. "Uma estupidez", critica o biólogo de 27 anos, iniciando o percurso. 

O terreno, que tem um hectar, foi-lhes cedido por proprietários da aldeia que se identificaram com a causa ambiental. "Tínhamos aqui espécies protegidas, como a lagarta da água, a salamandra lusitânica, a vaca loura", entre outras que ainda prevalecem no local. "Havia interesse em salvaguardar este espaço para conseguirmos fazer um laboratório vivo de experimentações", explica Rafael. A gestão é focada no fomento de espécies autóctones e endémicas da Península Ibérica e hoje já conta com mais um hectar de floresta situado nos arredores. 

Pelo caminho, a vasta presença de eucaliptos chama a atenção da líder do PAN, ao que o jovem responde "serve como um oásis no meio de um eucaliptal". Mas como? Através da renaturalização. "A mancha de eucalipto nesta região é muito grande e em alguns vales de ribeiras, como neste caso, surgem uns pequenos bosquedos de floresta nativa", explica, acrescentando que aquilo que fizeram foi "identificar os bosquedos e aumentar a área dessa mesma floresta". Para a BioLiving, o espaço funciona como "um abrigo, seja de alimentação como de reprodução entre espécies em perigo protegidas pela Diretiva Habitats", e o aumento destas áreas dentro de "oceanos de eucalipto" beneficia e protege a diversidade da fauna e da flora, com técnicas de conservação focadas nas espécies que pretendem promover. "Se uma associação consegue fazê-lo, as autarquias e outras entidades públicas também conseguem, basta ter vontade."

Para já, consideram que o projeto tem corrido bem com o apoio da Câmara de Albergaria e de Lousada, nos primórdios da associação, em 2016, e agora com o da autarquia de Estarreja. "Também já estamos em contacto com a Câmara de Alenquer e a trabalhar com a CLDS de Vagos, num projeto de renaturalização de espaços, com plantação de árvores autóctones", conta. De acordo com Rafael, vários proprietários privados também começaram a pedir ajuda na gestão dos seus próprios terrenos, o que acabará por ser a nova aposta da BioLiving, para que "a gestão da biodiversidade, mas também da rentabilidade", seja replicada por todo o país. 

"Balão de oxigénio de que Portugal precisa"

Os trilhos escorregadios entre os galhos das árvores e os pequenos ribeiros atravessados por pedras não impediram a comitiva do PAN de regressar finalmente ao ponto de onde partiram e Inês de Sousa Real aproveitou o final do percurso para se dirigir aos jornalistas. "A BioLiving tem retirado o eucalipto que aqui existia, as silvas e outras espécies invasoras e tem promovido a floresta autóctone", aponta a líder partidária, que continua: "Há aqui um problema grave das políticas públicas: o Estado apoia sobretudo aquilo que é a produção e não a renaturalização, não existindo incentivos e apoios públicos diretos a este tipo de projetos". Inês de Sousa Real considera ainda que "este é um balão de oxigénio de que Portugal precisa para viver" e afirma que o partido já tem tentado reverter na Assembleia da República os incentivos dados ao eucalipto, mas que "não tem sido possível". Ainda assim, garante que continua a ser uma das apostas do PAN no seu programa de Governo, nomeadamente "apoiar estas associações".

Sofia Jervis, vice-presidente da direção da BioLiving, também acompanhou a visita. A bióloga de 29 anos concorda com Inês de Sousa Real, no que diz respeito à falta de apoio nas associações, que sirva as necessidades do terreno. "Há muito apoio e legislação para pequenas empresas e organizações públicas, mas o terceiro sector, o da economia social, acaba por ficar para trás", lamenta. "Se calhar é preciso encará-lo como um sector representativo da nossa sociedade." 

Ao seu lado, o colega Daniel Santos, de 29 anos, lembra que "há muitas zonas florestais que são destruídas" e alerta para a importância de investir nelas "porque esse é o futuro da humanidade". "Dependemos da natureza e temos de a conservar, porque de outra forma não teremos um futuro risonho, mas poucos governos aceitam isso como uma das prioridades."

Sofia Jervis, Daniel Santos e Rafael Marques

Faltam oportunidades de emprego na área

Sofia Jervis conta que já passaram cerca de 300 pessoas pela BioLiving, em média 70 por ano, sobretudo voluntários. "Quase todas as semanas temos um grupo de 10, muitos deles alunos da Universidade de Aveiro", conta. "Também temos vindo a criar oportunidades de emprego", acrescenta Rafael, revelando com orgulho que já têm três funcionários e uma estagiária a trabalhar no local. "O objetivo é termos mais financiamento para aumentarmos esse número, porque muitas pessoas que escolhem esta área acham que não vão conseguir trabalhar no país".

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