Catarina Martins assume derrota: “Negociações? Ao que tudo indica, PS terá maioria absoluta”

30 jan, 22:44

Bloco de Esquerda teve um "mau resultado" e, no discurso em que o assumiu, a coordenadora atacou a extrema-direita: "Cada deputado racista eleito no Parlamento é um deputado racista a mais, mas cá estaremos para os combater"

A coordenadora nacional do Bloco de Esquerda reconheceu, esta noite, a derrota e atribuiu-a à "estratégia" do PS de criar uma "crise artificial para ter maioria absoluta" que, "ao que tudo indica, foi bem sucedida".

"Foi uma campanha muito difícil, com uma bipolarização falsa e uma enorme pressão de voto útil que penalizou os partidos à esquerda", afirmou, referindo-se às sondagens que davam a luta renhida entre PS e PSD.

Para Catarina Martins, este é um "dia difícil" e é claramente um "mau resultado" para o BE.

Questionada sobre se estará disponível para negociar com António Costa a partir desta segunda-feira, a coordenadora do BE respondeu apenas: "O Bloco nunca faltará ao seu mandato e à sua palavra, mas, ao que tudo indica, o PS terá maioria absoluta." Ou seja, não se antevê, nesta altura, a necessidade de Costa ter de encontrar parceiros para governar.

Catarina Martins comentou ainda a subida do Chega nestas eleições, o que considerou "um mau resultado", pela subida da extrema-direita.

"Cada deputado racista eleito no Parlamento é um deputado racista a mais, mas cá estaremos para os combater todos os dias", concluiu.

Nesta altura, os apoiantes bloquistas presentes no Teatro Capitólio, em Lisboa, gritaram "não passarão, não passarão", uma conhecida referência antifascista.

Sobre o que virá aí para o Bloco - e para a sua liderança - depois desta noite, Catarina Martins afirmou que "a atual direção vai assumir todas as suas responsabilidades".

"Nunca foi por resultados eleitorais que o BE decidiu a sua direção e assim continuaremos. Faremos o balanço destas eleições e tomaremos as decisões que os militantes achem por bem tomar", referiu.

Questionada sobre se o Bloco se sente responsabilizado por estes resultados ao ter chumbado o Orçamento do Estado, Catarina Martins assumiu que o partido sabia que "estava a correr riscos eleitorais", mas não o chumbou "por tática eleitoral", mas antes por "convicção profunda" de que aquela proposta "agravava" a situação do SNS e não melhoraria a situação de "quem vive do seu trabalho" e de quem recebe "pensões que estão sempre a perder poder de compra".

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