"António Costa, eu vou atrás de ti agora": a celebração de André Ventura e o "grupo parlamentar fortíssimo" do Chega

31 jan, 02:40

O Chega é a terceira força política no Parlamento. No discurso de vitória, o líder do partido visou Costa mas também a direita: "Se o PSD não fez o seu trabalho, nós faremos a partir de agora e seremos a oposição"

André Ventura celebrou esta noite a consolidação do Chega como terceira força política na Assembleia da República, ao eleger 12 deputados e obter 7,15 % dos votos. Pouco passava das 23:30 quando o líder do Chega subiu ao púlpito no quartel-general do Chega, o hotel Marriot, em Lisboa, onde o esperavam uma sala de militantes eufóricos. Receberam-no em apoteose, entoando “Chega! Chega! Chega!”.

“O Chega prometeu e cumpriu. Somos a terceira força política em Portugal”, começou por dizer André Ventura, antes de alavancar um discurso marcado por críticas à direita e avisos ao Partido Socialista, assinalando que o país “merecia mais”.

“À hora que vos falo, não sei se António Costa vencerá com maioria absoluta ou não. Espero que não, (...) porque Portugal merecia mais. Mas a direita não soube estar à altura das suas responsabilidades”, declarou, num discurso muito interompido pelo entusiasmo dos miliatantes.

André Ventura referia-se assim ao PSD e ao CDS, que passaram “o tempo todo a dizer que não faziam acordos com o Chega”. “Mas o resultado está aí: com o Chega sim, e eles estão fora de qualquer solução”, contrapôs.

Dirigindo-se depois ao recém-eleito primeiro-ministro, Ventura deixou um aviso: “António Costa, eu vou atrás de ti agora."

“Se o PSD não fez o seu trabalho, nós faremos a partir de agora e seremos a oposição", garantiu, indicando que “a partir de agora, tudo será diferente no Parlamento”, reforçado agora com uma oposição que “não será mais uma oposição fofinha ao PS e a António Costa”.

“A partir de agora, haverá quem diga as verdades naquele Parlamento. E não será 1 em 230 - serão 10, ou 11 ou 12 em 230, será um grupo parlamentar fortíssimo nesta próxima legislatura”, apontou, antes de agradecer aos portugueses, que “sofreram tempo demais” e decidiram pelo voto no Chega, mesmo ouvindo “todos os dias toda a gente a dizer que o Chega estará fora, que o Chega tem de ser excluído, (...)”.

“E, meus caros, que sova que lhes demos a todos”, disse, exultante, garantindo que “o que não foi feito nos últimos seis anos, começará a ser feito já amanhã: a construção de uma grande alternativa de direita para substituir o Partido Socialista no poder”. “E a liderança dessa direita seremos nós a assumir em Portugal", disse, por fim.

Antes, no início da noite, regressado da missa, quando já eram conhecidas as projeções dos resultados eleitorais, que apontavam para uma disputa entre o Chega e a Iniciativa Liberal pelo terceiro partido, André Ventura salientou que as sondagens indicavam dois aspectos, um positivo e outro negativo.

“O positivo é que, em princípio, o Chega será a terceira força política e conseguirá ultrapassar os 7%. O dado menos positivo é que aparentemente António Costa renovará uma maioria para poder governar", disse aos jornalistas, à chegada ao quartel-general do Chega.

Os 12 deputados que não farão uma "oposição fofinha"

Os resultados acabaram por confirmar as declarações de Ventura: o PS conquistou a maioria absoluta, com 41,68% dos votos, ficando assim bem longe do PSD, que obteve 27,80% dos votos.

Ventura conquistou o ambicionado terceiro lugar, ao conquistar 12 deputados à Assembleia da República: quatro pelo círculo eleitoral  de Lisboa (André Ventura, Rui Paulo Duque Sousa, Rita Matias e Pedro Manuel de Andrade Pessanha Fernandes), dois pelo Porto (Rui Pedro Afonso e Diogo Pacheco de Amorim), um por Santarém (Pedro Frazão), um por Setúbal (Bruno Miguel Nunes), um pelo círculo eleitoral de Aveiro (Jorge Manuel de Valsassina Alveias Rodrigues), um por Braga (António Filipe Dias Peixoto), um por Faro (Pedro Miguel Soares Pinto) e um por Leiria (Gabriel Sérgio Milhó Ribeiro).

Elvas, Moura e Monforte foram os concelhos em que o Chega teve maior percentagem de votos, acima dos 18%. O Algarve é a região do país com mais concelhos onde o partido de André Ventura teve mais votos, como Albufeira, Lagoa, POrtimão, Castro Marim, Olhão ou Silves.

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