"O polícia militar tirou uma arma da cintura e disparou à queima-roupa na cabeça": o assassínio de Leandro Lo, campeão mundial de jiu-jitsu - relato de uma testemunha

8 ago, 12:36

Suspeito da morte do desportista entregou-se às autoridades brasileiras

O campeão do mundo de jiu-jitsu, Leandro Pereira do Nascimento Lo, foi assassinado no domingo durante um concerto em São Paulo, no Brasil. Um amigo do desportista, que pediu para não ser identificado, falou com o G1 e relatou como tudo aconteceu. 

Aos 33 anos, Leandro Lo foi baleado na cabeça por um polícia militar. Ao jornal brasileiro, este amigo explicou que tinha havido um desentendimento entre Leandro e o polícia durante um concerto do Grupo Pixote no Clube Sírio - um clube desportivo que tem vários espaços para eventos corporativos - e que tudo aconteceu quando os ânimos já pareciam ter acalmado. 

"Quando todo o mundo achou que tinha acabado a confusão, ele [o polícia militar] deu quatro passos para trás e voltou. Tirou uma arma da cintura e disparou à queima-roupa na cabeça", conta testemunha, acrescentando ainda que Leandro Lo era um dos seus melhores amigos. "Um cara novo, que era para estar com a gente muitos e muitos anos." 

Outras testemunhas no local relataram à imprensa brasileira que, inicialmente, os dois se tinham envolvido numa luta e que Leandro Lo tinha conseguido imobilizar e prender o agente. No entanto, este acabou por conseguir libertar-se e foi aí que disparou. Já com Leandro inconsciente no chão, o polícia militar - que estava de folga neste dia - ainda o pontapeou pelo menos duas vezes. 

O amigo de Leandro disse ainda ao G1 que o agressor agiu sozinho e que começou por provocar a mesa onde estavam cinco amigos do desportista. "Ele chegou e agarrou numa garrafa de bebida que estava na nossa mesa. O Lo apenas o imobilizou para o acalmar. Mas ele [o polícia] deu quatro, cinco passos e disparou." 

O alegado homicida é identificado como Henrique Otávio Oliveira Velozo, que numa fase inicial fugiu do local do crime mas acabou por se entregar mais tarde às autoridades brasileiras. Vai agora ficar em prisão preventiva durante 30 dias, que pode ser estendida para mais 30 caso haja esse pedido. A Polícia Militar já lamentou o sucedido e abriu um inquérito interno para investigar o caso. 

Lendro Lo ainda chegou a ser assistido e transportado para o Hospital Arthur Saboya, no Jabaquara, em estado grave, mas acabou por não resistir aos ferimentos. O incidente ocorreu por volta das 02:00 locais. 

O velório vai decorrer esta segunda-feira e o corpo vai ser sepultado no Cemitério do Morumby, em São Paulo. O desportista foi oito vezes campeão mundial de jiu-jitsu e ainda conquistou vários títulos nos Pan-americanos - uma espécie de Jogos Olímpicos que englobam toda a América - e no Campeonato Brasileiro de Jiu-Jitsu.

Relacionados

Brasil

Mais Brasil

Patrocinados