O Le Constellation, localizado no coração de Crans-Montana, um luxuoso resort nas montanhas do cantão francófono e germanófono de Valais, é um local noturno popular entre os jovens locais e visitantes
Enquanto jovens comemoravam o Ano Novo num bar lotado nos Alpes suíços, a celebração rapidamente se transformou num pesadelo quando um incêndio devastador atingiu a cave, matando pelo menos 40 pessoas e ferindo outras 119.
O incêndio no Le Constellation, em Crans-Montana, foi descrito pelo presidente da Suíça como uma das "piores tragédias" do país. Enquanto as famílias aguardam ansiosamente notícias sobre os seus entes queridos desaparecidos e os especialistas trabalham para identificar as vítimas, as autoridades ainda estão a tentar descobrir como o incêndio começou e por que se espalhou tão rapidamente.
As autoridades suíças afirmaram esta sexta-feira que as velas pirotécnicas [sparklers] em garrafas de champanhe foram a provável causa do incêndio, embora a investigação oficial ainda esteja em andamento. Vídeos e relatos de testemunhas oculares revelam uma combinação mortal de riscos: painéis no teto propensos a incêndios e um bar lotado de jovens clientes que se aglomeravam em direção a uma estreita rota de fuga.
Uma noite de festa
O Le Constellation, localizado no coração de Crans-Montana, um luxuoso resort nas montanhas do cantão francófono e germanófono de Valais, é um local noturno popular entre os jovens locais e visitantes.
O bar Le Constellation, onde um incêndio começou por volta da 01:30 da madrugada do dia de Ano Novo, tem capacidade para 300 pessoas, incluindo um terraço para 40, de acordo com o site oficial da estação de esqui.
Fontes: Polícia do Valais, Turismo de Crans-Montana, Google (imagens)
Gráfico: Henrik Pettersson e Rosa de Acosta, CNN
Cerca de 200 pessoas estavam dentro do local na véspera de Ano Novo, de acordo com testemunhas oculares, prontas para celebrar 2026 com música, bebidas e dança.
Faíscas que se transformaram em fumo
Imagens amplamente partilhadas online mostram funcionários com capacetes de mota empoleirados nos ombros de outras pessoas, segurando garrafas de champanhe com pequenas faíscas no meio da multidão.
Um vídeo mostra pelo menos seis garrafas erguidas no ar enquanto chamas e fumo irrompem do teto.
As velas pirotécnicas parecem ter incendiado o que os especialistas acreditam ser um painel acústico no teto, um material projetado para melhorar o som, mas que também pode ser altamente inflamável.
O consultor independente de incêndios Stephen MacKenzie descreveu-o como "gasolina plástica", acrescentando: "É por isso que estamos a ver relatos de muitos jovens com queimaduras de primeiro, segundo, terceiro e, infelizmente, quarto grau".
A procuradora-geral suíça Beatrice Pilloud disse aos repórteres esta sexta-feira que os investigadores estão a analisar a instalação de painéis de espuma no bar e se eles estavam em conformidade com os regulamentos.
Um incêndio de rápida propagação
Assim que o incêndio começou, espalhou-se rapidamente.
Um vídeo mostra um jovem a tentar apagar o fogo batendo com um pano, enquanto outros gravam com os seus telemóveis ou continuam a dançar, aparentemente alheios ao perigo iminente.
"Assim que o teto pegou fogo, em cerca de 10 segundos toda a discoteca estava em chamas", disse uma testemunha.
Fuga horrível
À medida que o fumo enchia a sala e o fogo se alastrava, as pessoas correram em direção a uma escada estreita.
O bar Le Constellation está dividido em dois andares, e o incêndio parece ter começado no bar da cave pouco antes da 01:30 da madrugada do dia de Ano Novo. As autoridades afirmaram que rapidamente se transformou num incêndio instantâneo, quando o calor se torna tão intenso que tudo dentro de uma sala entra em combustão quase simultaneamente
Nota sobre a fonte: A ilustração do edifício baseia-se na análise da CNN de fotos e vídeos das redes sociais e, portanto, pode não ser abrangente e não está em escala.
Gráfico: Lou Robinson e Thomas Bordeaux, CNN
Um vídeo verificado pela CNN mostra dezenas de pessoas presas na saída, com uma delas a saltar por uma janela enquanto um fumo vermelho e espesso envolvia o prédio.
#CransMontanaFire: Tragedy strikes at Swiss ski resort! Fire at Le Constellation bar kills 40, injures 115+ during New Year's bash. Police rule out terrorism, investigation underway. Emergency services rush to scene. #SwitzerlandBlast #Switzerland pic.twitter.com/BWLirDV868
— Lokmat Times Nagpur (@LokmatTimes_ngp) January 2, 2026
MacKenzie explicou a rápida propagação do fogo por meio de um processo chamado flashover, no qual quase tudo numa sala entra em combustão quase simultaneamente.
"As combustões começam ao nível do teto", fazendo com que o fogo se "espalhe lateralmente", disse. Esse processo é como uma "pedra lançada no oceano", com o fumo a espalhar-se para os lados e começando a "pré-aquecer" tudo à sua frente.
Quando a porta corta-fogo foi aberta, pode ter criado um "efeito chaminé", que acelerou o fluxo de fumaça e gases combustíveis para cima, disse MacKenzie. "O fumo está realmente em chamas – um ‘flashover’", acrescentou.
Na sexta-feira à tarde, Pilloud, o procurador suíço, disse que todos os indícios apoiavam essa teoria: "Da forma como as coisas estão, tudo aponta para que o incêndio tenha começado com velas pirotécnicas ou sinalizadores colocados em garrafas de champanhe que ficaram muito perto do teto, o que rapidamente levou a um incêndio de flashover".
Laetitia Place, uma jovem de 17 anos de Lausanne que estava na festa, contou a sua angustiante fuga do incêndio, dizendo que houve uma confusão na saída estreita que dificultou a passagem das outras pessoas.
"As primeiras escadas são bastante fáceis de passar, pois são largas e tudo mais. Mas depois disso, há uma porta pequena onde todos estavam a empurrar, e então todos caímos, ficámos amontoados uns em cima dos outros, algumas pessoas estavam a arder e outras estavam mortas ao nosso lado", disse a adolescente à Reuters.
Um vídeo obtido pela CNN mostra várias pessoas deitadas imóveis do lado de fora, enquanto transeuntes tentam ajudar.
Samuel Rapp, 21, morador local, testemunhou o que aconteceu depois.
“Havia pessoas a gritar e outras caídas no chão, provavelmente mortas. Tinham casacos sobre o rosto — bem, foi o que vi, nada mais. Depois, recebi vídeos em que as pessoas tentavam sair, mas pisavam umas nas outras, por isso era difícil passar pela saída. E havia pessoas a gritar, a dizer ‘ajudem-me, por favor, ajudem-nos’.”
Chegada dos serviços de emergência
Os serviços de emergência suíços iniciaram uma resposta poucos minutos após o incêndio, transportando os feridos para hospitais na Suíça e no exterior. Cerca de 50 pacientes foram ou serão transferidos para hospitais em outros países europeus para tratamento especializado, informaram as autoridades aos jornalistas esta sexta-feira.
Edmund Coquette disse à RTL Germany, afiliada da CNN, que viu "corpos nas ruas" e jovens "com o rosto totalmente queimado", a quem faltavam dedos
Robert Larribau, chefe do serviço de emergência do Hospital Universitário de Genebra, disse à CNN que a maioria dos pacientes tinha entre 15 e 30 anos, muitos com "ferimentos extremamente graves" causados por flashovers e possíveis backdrafts.
O flashover normalmente causa queimaduras graves, particularmente no rosto, pescoço e membros superiores, muitas vezes combinadas com lesões críticas por inalação de calor radiante e gases superaquecidos. O backdraft, uma explosão impulsionada por oxigénio, pode causar queimaduras fatais instantâneas e inalação tóxica.
Foi aberta uma investigação sobre as circunstâncias que envolveram o incêndio e como ele se espalhou tão rapidamente, já que as autoridades suíças disseram que os dois proprietários franceses do bar foram interrogados pela polícia.
A CNN entrou em contacto com os proprietários do bar através das suas empresas, mas ainda não recebeu resposta.
Entretanto, esta sexta-feira à noite, muitos familiares das vítimas e feridos ainda aguardavam respostas, e as autoridades continuavam o processo de identificação dos mortos.
*Martin Goillandeau, Billy Stockwell, Henrik Petterson, Nic Robertson, Joseph Ataman e Duarte Mendonça contribuíram para este artigo