Incêndio terá sido provocado por faíscas decorativas colocadas demasiado perto do teto
As autoridades confirmaram que o bar Le Constellation não foi alvo de qualquer inspeção de segurança, auditoria ou investigação durante cinco anos. Em conferência de imprensa, citada pela BBC, o autarca da cidade de Crans-Montana reconheceu não ter, para já, uma explicação para essa falha, manifestou pesar pelo sucedido e admitiu que a câmara terá de assumir responsabilidades, sublinhando que a situação já foi comunicada ao Governo.
No entanto, garantiu que não se vai demitir do cargo.
"Não me vou demitir, não, e não quero", afirmou Nicolas Feraud, acrescentando que a sua equipa foi eleita pela população de Crans-Montana e “não vamos abandonar o navio neste momento” uma vez que têm de estar presentes para ajudar os residentes.
O incêndio terá sido provocado por faíscas decorativas colocadas demasiado perto do teto. Perante esta conclusão, as autoridades locais anunciaram a proibição imediata de todos os tipos de faíscas em espaços de diversão noturna da região.
Na conferência de imprensa foi ainda revelado que havia duas saídas no bar que se incendiaram e que para a dimensão do bar, não era necessário um alarme de incêndio.
O presidente da câmara de Crans-Montana afirmou que cabe aos proprietários do bar Le Constellation garantir o cumprimento das regras de segurança, incluindo o controlo do número de pessoas no interior do espaço. Segundo Nicolas Feraud, a verificação do respeito pelos limites legais de lotação é da responsabilidade da gerência do estabelecimento, cabendo à justiça apurar eventuais responsabilidades pelo incêndio mortal.
O edifício, construído em 1977, foi alvo de uma ampliação em 2015 para incluir uma esplanada exterior coberta. As inspeções realizadas na altura incidiram apenas sobre essa zona exterior, não tendo avaliado as alterações no interior.
Segundo o presidente da câmara, as revisões anuais costumam avaliar riscos de incêndio em áreas como cozinhas e verificar equipamentos de segurança, mas a legislação em vigor não prevê a análise de materiais de insonorização nos tetos.
As autoridades esclareceram que, quando os donos do bar solicitaram o alargamento do horário de funcionamento, foram feitas verificações relacionadas com os níveis de ruído, mas nunca “verificou o estado dos painéis de espuma e se eram à prova de fogo”. As imagens do interior do espaço mostram que o teto estava coberto com esse tipo de material, que terá ardido depois de ter sido atingido por faíscas decorativas usadas no interior do bar.
O autarca garantiu que os serviços municipais teriam atuado de imediato caso tivessem sido alertados para problemas de segurança, acrescentando ainda que teria sido preferível que eventuais preocupações tivessem sido comunicadas antes da tragédia, sublinhando que as críticas surgiram apenas depois do incêndio.
"Teria gostado muito mais que estas pessoas viessem gritar à minha porta e dissessem que esta é uma questão de “não se, mas quando”. É muito fácil vir chorar e gritar agora contra nós, mas e antes?", afirmou Feraud.
A câmara municipal reforça que está a colaborar com as autoridades e que a determinação de responsabilidades cabe agora aos tribunais.
A autarquia está a colaborar com a gerência do bar para apurar o que aconteceu, garantindo transparência, enquanto a determinação de responsabilidades caberá às autoridades competentes. Foi ainda ordenada uma auditoria a todos os estabelecimentos da zona e o reforço das inspeções de segurança.
O incêndio fez 40 mortos e mais de cem feridos.