Violência no Largo do Intendente (Lisboa) envolveu "dois grupos de um partido de direita do Bangladesh"

13 jan 2025, 17:33

Membros de uma das fações deslocou-se de propósito de Vila Nova de Milfontes

Uma luta de poder entre fações rivais do mesmo partido do Bangadlesh esteve na origem da rixa que aconteceu no domingo, no largo do Intendente, em Lisboa, com alguns dos membros de um dos grupos a deslocar-se de propósito de Vila Nova de Milfontes, de acordo com Rana Taslim Uddin, líder da comunidade do Bangladesh em Portugal.

"Estiveram envolvidos dois grupos de um partido de direita do Bangladesh que tem sucursal em Portugal e que disputavam a liderança do partido. Foi isso que motivou as agressões”, conta Rana Taslim Uddin à CNN Portugal.

Segundo o líder da comunidade do Bangladesh, alguns dos migrantes envolvidos nos confrontos deslocaram-se de propósito de Vila Nova de Milfontes para Lisboa para confrontar os membros rivais do partido. De acordo com a PSP, todos os envolvidos no confronto são cidadãos estrangeiros que se encontram em situação regular no país.

A rixa entre o grupo, que envolveu armas brancas, fez sete feridos. Duas das vítimas foram esfaqueadas, uma numa perna e outra na barriga, tendo sido imediatamente transportadas para o Hospital de São José. Segundo o subintendente Iuri Rodrigues, “houve alguma violência”, registando-se “dentes partidos, agressões com arma branca numa perna e na barriga, cortes na cabeça” causados por uma faca mas também “objetos metálicos”.

Rana Taslim Uddin afirma ainda que as manchas vermelhas que foram filmadas no chão não são de sangue mas sim de um doce muito popular no Bangladesh, conhecido como “pan-supari”, que é cuspido para o chão e deixa uma mancha avermelhada que pode parecer sangue a olho nu.

Iuri Rodrigues afirmou no domingo que a PSP vai continuar a tentar apurar o motivo que levou ao início do confronto, admitindo que desconhece, para já, o motivo que levou à desordem.

“Com base na informação que tenho, é muito pouco provável que haja detenções. As sete pessoas que foram assistidas aparentam ser vítimas e portanto não são detidas”, afirmou Iuri Rodrigues no domingo à imprensa.

A PSP vai “levar isto a fundo” para “tentar perceber [quem foram] os autores das agressões” e levar o caso ao Ministério Público, disse o comandante. Para tal, a polícia está a ouvir os agredidos e vai analisar outras provas, nomeadamente um vídeo, e ouvir relatos de testemunhas.

A polícia reforçou a presença na zona do Martim Moniz, algo que o comandante disse que já estava previsto, tal como noutras áreas da cidade, como o Mercado de Arroios e o Bairro Alto.

“Há um policiamento de proximidade na Rua do Benformoso e na Mouraria e estaremos aqui todos os dias”, referiu.

O agente escusou-se a indicar a nacionalidade dos envolvidos.

Questionado sobre se as críticas à intervenção policial na Rua do Benformoso, a 19 de dezembro, quando dezenas de imigrantes foram encostados à parede para serem revistados, alterou a atuação policial, o comandante negou.

“A PSP tem o objetivo de promover a segurança a todos os cidadãos, sem exceção. Continuamos o nosso trabalho com base em dados científicos, experiência e observação do terreno. Fazemos as coisas de acordo com os nossos princípios, respeito pelos cidadãos, pelas vítimas e pelas pessoas que são suspeitas e que têm os seus direitos”, referiu.

“O que se passou, para nós, não mudou nada. Estamos convencidos de que estamos a fazer bem o nosso trabalho e continuaremos a tentar fazê-lo ainda melhor”, afirmou o comandante.

A operação policial de 19 de dezembro naquela rua resultou na detenção de duas pessoas e já teve como consequência a abertura de um inquérito por parte da Inspeção-Geral da Administração Interna e uma queixa à provedora de Justiça, subscrita por cerca de 700 cidadãos, entre eles deputados de PS, Bloco de Esquerda e Livre.

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