Dez mortes, cinco cadáveres por identificar, um desastre inevitável. Tudo o que se sabe sobre o desabamento no Brasil

10 jan, 10:20

Ainda não foram identificadas todas as vítimas mortais do colapso de uma arriba sobre lanchas num ponto turístico do Lago de Furnas, em Minas Gerais, no Brasil. "Trauma de altíssima energia" está a dificultar processo e só metade dos dez mortos foram formalmente identificados. Vítimas terão entre 68 e 14 anos

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As autoridades brasileiras já identificaram cinco das dez vítimas mortais do desabamento de uma arriba sobre embarcações no Lago de Furnas, no município de Capitólio, em Minas Gerais. O acidente aconteceu ao início da tarde de sábado, mas as equipas de busca permanecem no local para garantir que não há desaparecidos. 

Segundo Marcos Pimenta, delegado regional da Polícia Civil citado pela CNN Brasil, todas as vítimas mortais eram ocupantes do mesmo barco, a lancha Jesus, e tinham relações de amizade ou parentesco entre elas. “Os ocupantes conheciam-se e estavam hospedados numa pousada em São José da Barra”, esclareceu Pimenta. Das quatro lanchas envolvidas no acidente, duas foram diretamente atingidas pela pedra e outras afetadas pela queda do bloco rochoso na água.

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Para além das dez mortes, 32 pessoas ficaram feridas e duas permanecem internadas. A identificação dos corpos das vítimas mortais está a ser dificultada pelo “trauma de altíssima energia” provocado pela rocha, declarou o médico-legista responsável, Marcos Amaral. A Polícia Civil revelou entretanto que, devido ao estado dos cadáveres, para a identificação estão a ser aplicados protocolos que foram adotados em 2019, aquando da rutura da barragem de Brumadinho, que fez quase 300 mortes.

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As vítimas já identificadas são Júlio Antunes, de 68 anos, Camila Machado, de 18 anos, Mykon de Osti, de 24 anos, Sebastião da Silva, de 64 anos, e Marlene da Silva, de 57. As autoridades já têm dados sobre as restantes vítimas, mas aguarda-se ainda o resultado dos testes de ADN para divulgação oficial da identificação. De acordo com a imprensa brasileira, uma destas vítimas por identificar é uma criança de 14 anos.

Chuvas intensas terão provocado queda da arriba

Polícia Civil e Marinha já instauraram um inquérito para apurar as causas do deslizamento de pedras no Lago de Furnas, que obrigou o município de Capitólio a encerrar o local a turistas. No domingo, o autarca Cristiano Geraldo da Silva disse à imprensa que nunca tinha sido registado um acidente como este e que não existe qualquer estudo ou análise geológica das arribas que pendem sobre o lago.

Especialistas citados pela imprensa brasileira admitem que o desabamento tenha sido causado pela erosão das rochas e infiltração das águas das chuvas fortes que têm afetado a região nos últimos dias. “A entrada de água nessas áreas pode fazer a rocha perder a coesão, que é a resistência interna. E pode haver uma rutura como essa”, disse ao G1 Pedro Aihara, porta-voz dos bombeiros de Minas Gerais.

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À CNN Brasil, a geóloga Joana Sanches explicou que o desastre natural iria acontecer com ou sem chuvas. “A rocha pode ceder. Se existisse avaliação técnica, poderia ter sido remediado um pouco mas, no momento, devemos preocupar-nos com as vítimas”, frisou. Para a especialista, as chuvas fortes deveriam ter obrigado a interditar a área, tendo a arriba cedido por causa da água mas também devido a uma “fratura” que já tinha provocado uma separação do bloco de rocha.

“Deve haver um mapa geológico de risco” que permita evitar novos desabamentos, defende a especialista, admitindo que o acidente foi um evento excecional devido ao tamanho do bloco de pedra que se soltou, sendo normal o desprendimento de pedras de menores dimensões.

Testemunhas viram "amigos morrer"

O Lago de Furnas é conhecido como o “Mar de Minas”, um dos maiores lagos artificiais do planeta que é, naturalmente, atração turística da região. As águas entre as escarpas são navegáveis e a única proibição é a de atracar um barco, evitando que que haja mergulhos.

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Pedro Chaves, um guia turístico habituado a trabalhar na região, presenciou a queda da arriba quando estava numa das embarcações no lago. As lanchas colocaram-se primeiro de frente para uma cachoeira, para que os turistas pudessem tirar fotografias, tendo seguido então para junto da escarpa que viria a deixar cair uma autêntica parede de pedra para cima dos barcos.

“A minha lancha estava praticamente debaixo do paredão. Eu olho para o piloto e falo 'tira, vamos sair daqui, está caindo pedra'”. A lancha deslocou-se cerca de 50 a 100 metros, o que bastou para se afastar da zona de impacto da arriba, que desabou segundos depois.  “Mas o susto é grande”, disse o guia à CNN Brasil. “Perdi amigos. Vi amigos de longa data morrerem na minha frente”, revelou, frisando que nunca na região “tinha visto um deslizamento igual a esse”, apesar de serem comuns as trombas de água e quedas de pequenas pedras.

Logo após o acidente, os passageiros das outras lanchas procuraram socorrer os que estavam na zona de impacto, resgatando-os da água e levando-os para terra firme. Uma das sobreviventes teve de ser suturada na cabeça com 200 pontos e várias pessoas sofreram fraturas.

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O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, decretou três dias de luto no estado “em sinal de pesar às vítimas da tragédia” .

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