Porque Mbappé escolheu ficar no PSG em vez de ir para o Real Madrid

CNN , Issy Ronald e Amanda Davies
30 mai, 08:00
Mbappé

A saga de Kylian Mbappé manteve o mundo do futebol obcecado, enquanto ele oscilou entre assinar pelo Real Madrid ou ficar no Paris-Saint-Germain (PSG). É uma saga resplandecente, com um protagonista carismático, políticos, dois dos maiores clubes de futebol do mundo e centenas de milhões de dólares em jogo.

A saga de Kylian Mbappé manteve o mundo do futebol obcecado, enquanto ele oscilou entre assinar pelo Real Madrid ou ficar no Paris-Saint-Germain (PSG). É uma saga resplandecente, com um protagonista carismático, políticos, dois dos maiores clubes de futebol do mundo e centenas de milhões de dólares em jogo.

Vencedor do Campeonato do Mundo com apenas 19 anos, segundo adolescente - depois de Pelé - a marcar numa final do Campeonato do Mundo, e artilheiro da Ligue 1 durante quatro épocas consecutivas, Mbappé é um futebolista único numa geração.

O avançado de 23 anos estava há muito ligado ao Real Madrid. Foi convidado para a academia do clube espanhol quando tinha 11 anos, tinha cartazes de Cristiano Ronaldo no Real nas paredes do seu quarto de infância, e tinha dito no ano passado que queria juntar-se aos agora 14 vezes vencedores da Champions League.

Os gigantes espanhóis apresentaram uma proposta de 188 milhões de dólares [175 milhões de euros] por Mbappé em Agosto. O acordo estava perto de ser concretizado, e o avançado admitiu mesmo na altura que queria deixar o PSG.

"Fui honesto. Dei o meu sentimento, dei o que tenho no meu coração", disse Mbappé à Becky Anderson, da CNN, em dezembro.

Assim, quando o francês prolongou o seu contrato com o PSG em vez de assinar com os Merengues, foi um choque - para dizer o mínimo.

"Foi a decisão mais difícil da minha vida", disse Mbappé a Amanda Davies, da CNN, a 23 de Maio. "Queria tomar a melhor decisão... e isso leva tempo... mas acho que tomei a decisão certa".

“O projecto é ganhar sempre”

Mbappé explicou a sua decisão de permanecer em Paris referindo-se repetidamente ao "projecto" que está a ser construído no PSG. Apesar de recorrer a reservas de dinheiro aparentemente ilimitadas, o PSG não conseguiu até agora ganhar um título na Champions League, e tem uma infeliz capacidade de implodir nas fases eliminatórias.

Agora, parece que o clube está a alterar a sua abordagem.

"Se eu mudar tudo o que quero mudar no clube", disse Mbappé, antes de fazer uma pausa e recalibrar: “Se o clube crescer comigo, se eu puder escrever a história do clube coletivamente com a Champions League, ou individualmente também, ficarei feliz com este contrato.

"Quando me mostraram este projeto, fiquei tipo, está bem, é interessante. E quero tentar. Quero tentar novamente", disse.

Mbappé foi crucial na equipa da França vencedora do Campeonato do Mundo, marcando um golo na final quando a França bateu a Croácia por 4-2.

Na sequência da decisão de Mbappé de ficar, outras mudanças parecem estar em curso no Parc des Princes.

"Com certeza, há muitas mudanças que vão acontecer", disse o presidente do clube Nasser Al-Khelaifi a Amanda Davies da CNN. "Queremos criar uma nova era no Paris Saint-Germain, um novo projecto, ar fresco. Penso que é realmente importante que todos se sintam novamente motivados".

Contudo, numa conferência de imprensa anunciando a sua prorrogação do contrato, Mbappé negou que o seu novo contrato lhe desse mais força dentro ou fora do campo. "Quanto ao projeto aqui, não preciso de uma responsabilidade especial para estar investido", disse aos jornalistas.

“Macron deu-me bons conselhos”

Mbappé nasceu e foi criado em Bondy, um subúrbio de Paris a 11 quilómetros do centro da cidade e, além de um período de dois anos a jogar pelo Mónaco, viveu toda a sua vida na capital francesa.

"Ele é parisiense. Ele é francês. Ele ama o seu país. Ele adora o seu clube", disse Al-Khelaifi à CNN. "Ele joga no clube durante cinco anos [e] há uma relação. Há amor entre ele, o clube, os fãs, o seu país".

Os murais dedicados a Mbappé estão espalhados pelo seu antigo bairro, onde se tornou um herói para os jovens futebolistas. Ao lado de um edifício, um quadro retrata um jovem Mbappé a dormir, sonhando em representar a França. "Ame o seu sonho e ele irá amá-lo em troca", lê-se numa pequena legenda.

Desde que ganhou o Campeonato do Mundo em 2018, o Mbappé tornou-se um ícone cultural francês.

Como figura de proa da equipa francesa, de um bairro a norte de Paris, o valor de Mbappé vai para lá das suas atuações em campo, e entra na arena política. Falando no programa de televisão Chez Jordan, a presidente da câmara de Paris, Anne Hidalgo, foi efusiva nos seus elogios ao jovem atacante. "Acima de tudo, penso que além do futebol e dos resultados, ele é tão importante, tão útil para dar esperança aos nossos jovens... É por isso que quero que ele fique", afirmou.

Até o Presidente francês, Emmanuel Macron, interveio para implorar à jovem estrela que ficasse no PSG e em França. "Ele deu-me bons conselhos", disse Mbappé, "mas com todo o respeito que tenho por ele, a decisão foi minha. Segui o conselho, mas depois tomei a minha decisão".

"Vou ficar e quero dar o meu melhor para a história do clube e do meu país".

Dinheiro novo contra dinheiro velho

A Qatar Sports Investments (QSi) - o proprietário do PSG - é uma subsidiária da Qatar Investment Authority (QIA), o fundo soberano do Estado do Qatar.

Desde que o grupo Qatari - liderado pelo próprio Emir do Qatar - assumiu o controlo do PSG em 2011, o clube gastou cerca de 1,5 mil milhões de dólares [1,4 mil milhões de euros] em transferências, ganhou a Ligue 1 dez vezes, mesmo se o título da Champeons League se tenha revelado elusivo.

Apenas seis meses antes de o Qatar jogar como anfitrião do Campeonato do Mundo, manter a provável estrela desse torneio no clube do Emir tem sido visto como um golpe enorme.

O Real Madrid, segundo o The New York Times, ofereceu ao Mbappé um bónus de assinatura de quase 140 milhões de dólares [130 milhões de euros], um salário líquido anual de mais de 26 milhões de dólares [24 milhões de euros] e um controlo total sobre os seus direitos de imagem.

Apoiado por vastas reservas de dinheiro estatal, o PSG contrariou com uma taxa de assinatura semelhante mas um salário anual muito mais elevado, de 65 milhões de dólares [60 milhões de euros], de acordo com a Sky Sports.

Mbappé e Messi, atacantes do PSG

O facto assinalou uma ocasião rara, em que o Real Madrid não conseguiu igualar a oferta financeira de um rival, e foi uma vitória para os clubes de "dinheiro novo", lançados pelos bolsos profundos dos Estados-nação sobre os clubes de legado mais estabelecidos, com muita história para trás.

"O que o PSG está a fazer ao renovar com Mbappé por uma enorme quantia de dinheiro (quem sabe onde e como será pago), depois de anunciar perdas de 700 milhões de euros nas últimas temporadas e de ter um encargo salarial de 600 milhões de euros, é um INSULTO ao futebol. Al-Khelafi é tão perigoso como a Super Liga", tweetou Javier Tebas, presidente da La Liga.

O tweet de Tebas fez eco de opiniões da sua organização, que emitiu uma declaração inflamatória, quando já parecia claro que Mbappé ficaria em França.

"A La Liga apresentará uma queixa contra o PSG perante a UEFA, o tribunal administrativo e as autoridades fiscais francesas e as autoridades da União Europeia para continuar a defender o ecossistema económico do futebol europeu e a sua sustentabilidade", lê-se na declaração.

"Sabemos que estamos a fazer tudo legalmente, tudo da forma correta", disse Al-Khelaifi à CNN. "E estamos muito felizes. Ninguém vai destruir a nossa celebração da revalidação da assinatura de Kylian Mbappé".

Mbappé abraçando Cristiano Ronaldo, o seu ídolo de infância

 

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