Confrontos na fronteira entre a Sérvia e o Kosovo. Populares bloquearam dois postos fronteiriços

31 jul, 20:07
Aleksandar Vucic (AP)

Presidente sérvio acusa o Kosovo de querer atacar a Sérvia. Primeiro-ministro kosovar nega que haja argumentos para haver “desestabilização”

As relações entre Sérvia e Kosovo vivem novo momento de grande tensão este domingo, com a ocorrência de confrontos na fronteira entre os dois países.

De acordo com a Al Jazeera, citando meios de comunicação locais, alguns habitantes sérvios residentes no Kosovo bloquearam a estrada principal perto do posto fronteiriço de Jarinja com recurso a camiões. A informação foi, entretanto, confirmada pela Polícia do Kosovo, que mencionou que, para além do posto de Jarinja, também a passagem por Brnjak está encerrada devido à revolta popular.

“Recomendamos a todos os cidadãos para utilizarem outros postos fronteiriços”, pode ler-se na publicação do Facebook.

Besim Hoti, da polícia kosovar, confirmou também que há bloqueios nas aldeias de Rudare e Zupce. Por seu turno, o jornal croata Jutarnji reporta que as sirenes de alerta da cidade de Kosovska Mitrovica soaram durante a tarde.

A Sérvia já reagiu aos incidentes. Em Belgrado, o presidente Aleksandar Vucic acusou o Kosovo de querer “atacar a Sérvia à meia-noite”, e pediu aos líderes kosovares e albaneses para preservarem a paz. “A Sérvia nunca viveu uma situação tão complexa e difícil como a de hoje”, afirmou Vucic, citado pelo portal online esloveno Siol, pedindo à população sérvia para permanecer calma e “não dar razões aos albaneses para dispararem sobre a multidão".

Também o Ministério da Defesa da Sérvia negou que o exército do país tivesse entrado no Kosovo, como indicavam alguns rumores não confirmados. "Por enquanto, a Sérvia não atravessou a linha administrativa e não entrou de modo algum no território do Kosovo”, referiu, citado pela Al Jazeera, acusando as autoridades de Pristina de “espalharem desinformação”.

Na base da revolta popular estão duas tomadas de posição do governo kosovar em relação a documentos emitidos na Sérvia. A partir desta segunda-feira, todos as pessoas que entrarem no Kosovo com cartões de identidade emitidos pela Sérvia terão de os substituir por uma declaração válida por três meses, que será o documento pessoal enquanto estiverem no país. Também as matrículas emitidas na Sérvia deixarão de ser legais, tendo os donos das viaturas abrangidas voltar a registá-las até ao dia 30 de setembro.

O governo kosovar, liderado pelo primeiro-ministro Albin Kurti, justifica esta medida com a reciprocidade, dado que a Sérvia apresenta estes mesmos requerimentos para os cidadãos do Kosovo, país que não reconhece.

"As nossas instituições já elaboraram todos os procedimentos técnicos e administrativos para a implementação destas decisões e, a este respeito, garantimos aos nossos cidadãos que a possibilidade de substituir as matrículas ilegais, bem como a passagem dos cidadãos nos postos fronteiriços, será processada rapidamente, sem obstáculos e em tempo real", afirmou Kurti, que nega a possibilidade de haver “desestabilização”.

"Não há espaço para tensão, não há possibilidade de desestabilização. Trata-se de algo que é legítimo, legal. Aqueles que falam de violência, bloqueios, desestabilização e tensão estão a falar deles próprios, e não de nós", atirou o chefe de governo.

Entretanto, a KFOR, força internacional de manutenção da paz no Kosovo, liderada pela NATO, garantiu estar a monitorizar a ocorrência e a recolher informações sobre os incidentes.

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