Governo norte-americano já assumiu o erro, mas defende que agora nada pode fazer
Kilmar Abrego Garcia foi deportado pela administração Trump para El Salvador, mas pode regressar de imediato, depois de uma juíza ter determinado que os Estados Unidos não tinham razão para o expulsar.
A juíza Paula Xinis ordenou ao governo que faça regressar o cidadão salvadorenho até ao fim do dia 7 de abril, com a administração Trump a defender que não pode fazê-lo porque o homem se encontra detido em El Salvador numa das prisões mais perigosas do mundo, para o onde o presidente do país enviou todos os membros dos gangues.
“Este caso é certamente importante para Abrego Garcia e a sua família”, referiu a magistrada. “Não posso esperar para dar a minha ordem. Vou redigir uma opinião formal a apoiá-la”, reiterou.
A administração Trump tinha concedido, numa aplicação judicial que deu entrada no início desta semana, que Kilmar Abrego Garcia tinha sido erradamente deportado do estado do Maryland, onde deixou três filhos.
O governo falou num “erro administrativo”, o que acabou por condenar o salvadorenho a uma estadia na prisão, onde se encontra até agora. Apesar de defender que não tem como corrigir o erro, foi também a primeira vez que a administração Trump assumiu que fez mesmo um erro na deportação deste homem.
Durante a audiência em que confirmou que o homem deve mesmo regressar aos Estados Unidos, a juíza Paula Xinis repetiu por várias vezes a sua preocupação com casos como este, até porque um juiz de imigração lhe tinha anteriormente concedido a retenção da deportação, o que significa que poderia sofrer perseguição se fosse deportado para El Salvador. Embora tenha continuado na lista de deportados, foi decidido que Kilmar Abrego Garcia não devia ser enviado para El Salvador, o que acabou por acontecer.
Para a magistrada, o homem acabou por ser detido “sem bases legais”, acabando numa deportação “sem justificação legal”.
