Kika antecipa World Sevens: «Cresci sem regras, a jogar no parque»

20 mai 2025, 19:03
Kika Nazareth (German Parga/FC Barcelona)

O Maisfutebol esteve à conversa com Kika Nazareth, internacional portuguesa e embaixadora da edição inaugural do torneio de futebol sete

Sem precisar de muitas apresentações, Kika Nazareth é um nome que, apesar da tenra idade, já ecoa na história do futebol feminino português. 

À conversa com Maisfutebol, a internacional portuguesa e (muito adorada) jogadora do Barcelona falou sobre o «orgulho» que tem em ser embaixadora da edição inaugural do World Sevens Football, do primeiro ano no Barcelona e do tão querido Benfica.

Mas o que é o World Sevens Football? Um torneio de futebol sete, no Estádio António Coimbra da Mota, no Estoril, que vai albergar algumas das melhores equipas do mundo. 

Benfica, Ajax, Bayern Munique, Man. City, Man. United, PSG, Roma e Rosengard são as equipas que vêm a Portugal disputar a competição que poderá mesmo roubar a atenção da Liga dos Campeões.

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Antes de mais, parabéns pelo cargo de embaixadora do World Sevens Football!

Obrigada. É um privilégio!

É realmente um grande privilégio a primeira edição do torneio ser em Portugal. É mais um exemplo do desenvolvimento do futebol feminino português? 

Eu acho que sim! Não descartando a beleza do nosso país, que acho que também ganhamos muito com isso. Mas acho que mostra sobretudo a grandeza, a evolução e a valorização do futebol feminino português. Ser eu a dar a cara também é sinal de que o nosso futebol e o nosso país está a crescer.

A Kika reconhece que pode ser considerada a principal imagem do futebol feminino português?

Isto é muita responsabilidade (risos).

É...

Por estar onde estou [Barcelona], acabo por ser um bocadinho a cara, mas acho que às vezes as pessoas se esquecem do trabalho que foi feito antes e do que está a ser construído por outras colegas minhas. Se calhar apareço mais porque a visibilidade do meu clube é outra, mas acho que também é bom valorizarmos aquilo que outras colegas têm feito. Não só na Liga Espanhola, mas também nos Estados Unidos, Portugal e pelo mundo fora.

O prémio por evento no W7F é de quase cinco milhões de euros. Torna esta prova mais atrativa para as equipas do que a própria Liga dos Campeões?

A Champions tem muitos anos e é o torneio com mais visibilidade do mundo, diria. Não vamos ser hipócritas e dizer que o dinheiro não interessa, mas este novo torneio pode ser atrativo não só para as equipas, mas também para os adeptos. É por ser diferente. Apela muito mais à rapidez e aos golos... é aquele futebol de rua, não é?

Faz lembrar o futebol de sete que se jogava quando éramos miúdos?

É trazer um bocadinho esta parte mais espontânea e livre do futebol, sim. E eu relaciono-me muito com este tipo de jogo, porque cresci, vamos dizer, sem regras. A jogar atrás de casa, num parque, onde o golo era o principal objetivo. Hoje vemos um jogo de futebol muito mais tático e mais pensado. Não digo que aqui não vá haver esse estímulo, mas acho que vai ser completamente diferente. Muito mais intenso, rápido, os jogos são mais curtos, o campo naturalmente é mais curto e haverá seguramente mais golos. Isso pode chamar muito a atenção dos espectadores, porque afinal de contas nós preferimos ver um jogo 5-5, 7-2 ou 3-3,  do que um 0-0 ou um 1-0. Não digo que se está a perder o futebol, porque um jogo de futebol bem jogado é a coisa mais prazerosa do mundo, mas acho que este torneio pode trazer uma dinâmica diferente 

E as equipas?

Não é um torneio qualquer de futebol de sete! Começando pelo Benfica, que no ano passado chegou ao quartos de final da Champions, empatou com o Barcelona e fez o que fez com o Lyon. O PSG, que está sempre lado a lado com o Lyon em França. O Bayern Munique, que já chegou onde chegou na Liga dos Campeões. Não é um torneio qualquer. Estamos a falar de grandes potências do futebol feminino. As equipas vão para ganhar, mas também para fugir um bocado à normalidade do futebol e brincar com a intenção de ganhar.

Para o treinador já é complicado escolher um onze inicial. Como é que vai ser agora quando for para escolher o sete inicial? Muitas azias?

Dou graças a Deus por ser jogadora e não treinadora, porque não conseguia fazer essa gestão (risos). À primeira vista dificulta, mas temos o lado bom de haver substituições ilimitadas. Podem entrar e sair e a rotatividade é máxima. Portanto acho que até facilita a gestão do treinador.

Se calhar é escusado perguntar, mas por quem estará a Kika Nazareth a torcer? 

Eu acho que acabo por desempenhar um papel de embaixadora, portanto quero é que o torneio seja bem jogado, mas também não vou fugir daquilo que o meu coração sente. O pessoal também tem olhos e ouvidos. Obviamente que vou enquanto embaixadora, mas também como adepta e antiga jogadora do meu Benfica.

E a embaixadora consegue mostrar algumas habilidades no torneio? Ou a lesão ainda não permite?

As muletas e a bota já não as levo, portanto estarei mais perto de mostrar essas minhas habilidades. Mas ainda estou em processo de recuperação, o que significa que as habilidades terão de ser mostradas através desta parte da comunicação. Faço desde já o apelo às pessoas para virem, porque vão ser dias bem passados, com equipas gigantes e com jogadoras de top mundial. Acho que o ambiente também vai ser muito giro. Eu adorava um dia participar, porém tenho esta parte boa de estar num clube que chega à final da Champions.

É bom não poder participar, porque se tem uma final da Champions no próximo fim de semana...

Exatamente!