O Maisfutebol esteve à conversa com Kika Nazareth, internacional portuguesa e embaixadora da edição inaugural do torneio de futebol sete
Sem precisar de muitas apresentações, Kika Nazareth é um nome que, apesar da tenra idade, já ecoa na história do futebol feminino português.
À conversa com Maisfutebol, a internacional portuguesa e (muito adorada) jogadora do Barcelona falou sobre o «orgulho» que tem em ser embaixadora da edição inaugural do World Sevens Football, do primeiro ano no Barcelona e do tão querido Benfica.
Benfica, Ajax, Bayern Munique, Man. City, Man. United, PSG, Roma e Rosengard são as equipas que vêm a Portugal disputar a competição que poderá mesmo roubar a atenção da Liga dos Campeões.
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Antes de mais, parabéns pelo cargo de embaixadora do World Sevens Football!
Obrigada. É um privilégio!
É realmente um grande privilégio a primeira edição do torneio ser em Portugal. É mais um exemplo do desenvolvimento do futebol feminino português?
Eu acho que sim! Não descartando a beleza do nosso país, que acho que também ganhamos muito com isso. Mas acho que mostra sobretudo a grandeza, a evolução e a valorização do futebol feminino português. Ser eu a dar a cara também é sinal de que o nosso futebol e o nosso país está a crescer.
A Kika reconhece que pode ser considerada a principal imagem do futebol feminino português?
Isto é muita responsabilidade (risos).
É...
Por estar onde estou [Barcelona], acabo por ser um bocadinho a cara, mas acho que às vezes as pessoas se esquecem do trabalho que foi feito antes e do que está a ser construído por outras colegas minhas. Se calhar apareço mais porque a visibilidade do meu clube é outra, mas acho que também é bom valorizarmos aquilo que outras colegas têm feito. Não só na Liga Espanhola, mas também nos Estados Unidos, Portugal e pelo mundo fora.
O prémio por evento no W7F é de quase cinco milhões de euros. Torna esta prova mais atrativa para as equipas do que a própria Liga dos Campeões?
A Champions tem muitos anos e é o torneio com mais visibilidade do mundo, diria. Não vamos ser hipócritas e dizer que o dinheiro não interessa, mas este novo torneio pode ser atrativo não só para as equipas, mas também para os adeptos. É por ser diferente. Apela muito mais à rapidez e aos golos... é aquele futebol de rua, não é?
Faz lembrar o futebol de sete que se jogava quando éramos miúdos?
É trazer um bocadinho esta parte mais espontânea e livre do futebol, sim. E eu relaciono-me muito com este tipo de jogo, porque cresci, vamos dizer, sem regras. A jogar atrás de casa, num parque, onde o golo era o principal objetivo. Hoje vemos um jogo de futebol muito mais tático e mais pensado. Não digo que aqui não vá haver esse estímulo, mas acho que vai ser completamente diferente. Muito mais intenso, rápido, os jogos são mais curtos, o campo naturalmente é mais curto e haverá seguramente mais golos. Isso pode chamar muito a atenção dos espectadores, porque afinal de contas nós preferimos ver um jogo 5-5, 7-2 ou 3-3, do que um 0-0 ou um 1-0. Não digo que se está a perder o futebol, porque um jogo de futebol bem jogado é a coisa mais prazerosa do mundo, mas acho que este torneio pode trazer uma dinâmica diferente
E as equipas?
Não é um torneio qualquer de futebol de sete! Começando pelo Benfica, que no ano passado chegou ao quartos de final da Champions, empatou com o Barcelona e fez o que fez com o Lyon. O PSG, que está sempre lado a lado com o Lyon em França. O Bayern Munique, que já chegou onde chegou na Liga dos Campeões. Não é um torneio qualquer. Estamos a falar de grandes potências do futebol feminino. As equipas vão para ganhar, mas também para fugir um bocado à normalidade do futebol e brincar com a intenção de ganhar.
Para o treinador já é complicado escolher um onze inicial. Como é que vai ser agora quando for para escolher o sete inicial? Muitas azias?
Dou graças a Deus por ser jogadora e não treinadora, porque não conseguia fazer essa gestão (risos). À primeira vista dificulta, mas temos o lado bom de haver substituições ilimitadas. Podem entrar e sair e a rotatividade é máxima. Portanto acho que até facilita a gestão do treinador.
Se calhar é escusado perguntar, mas por quem estará a Kika Nazareth a torcer?
Eu acho que acabo por desempenhar um papel de embaixadora, portanto quero é que o torneio seja bem jogado, mas também não vou fugir daquilo que o meu coração sente. O pessoal também tem olhos e ouvidos. Obviamente que vou enquanto embaixadora, mas também como adepta e antiga jogadora do meu Benfica.
E a embaixadora consegue mostrar algumas habilidades no torneio? Ou a lesão ainda não permite?
As muletas e a bota já não as levo, portanto estarei mais perto de mostrar essas minhas habilidades. Mas ainda estou em processo de recuperação, o que significa que as habilidades terão de ser mostradas através desta parte da comunicação. Faço desde já o apelo às pessoas para virem, porque vão ser dias bem passados, com equipas gigantes e com jogadoras de top mundial. Acho que o ambiente também vai ser muito giro. Eu adorava um dia participar, porém tenho esta parte boa de estar num clube que chega à final da Champions.
É bom não poder participar, porque se tem uma final da Champions no próximo fim de semana...
Exatamente!