Kika é adorada num balneário de estrelas: «Gosto de transmitir boas energias»

20 mai 2025, 19:07
Kika Nazareth no Barcelona (FOTO: Twitter Barcelona)

Em entrevista ao Maisfutebol, a jogadora portuguesa falou sobre os primeiros tempos no Barcelona, a lesão que afetou a temporada e a relação com as estrelas do balneário catalão

Sem precisar de muitas apresentações, Kika Nazareth é um nome que, apesar da tenra idade, já ecoa na história do futebol feminino português. 

À conversa com Maisfutebol, a internacional portuguesa e (muito adorada) jogadora do Barcelona falou sobre o «orgulho» que tem em ser embaixadora da edição inaugural do World Sevens Football, do primeiro ano no Barcelona e do tão querido Benfica.

No clube desde o início da temporada, Kika conquistou rapidamente o balneário, os adeptos e a opinião pública. Algo similar ao que aconteceu em Portugal. No entanto, fez uma pausa nos relvados devido a uma grave lesão.

LEIA TAMBÉM:

«Não nos podemos conformar, afinal somos o Benfica, não é?»

Kika Nazareth antecipa World Sevens: «Eu cresci sem regras, a jogar no parque»

---------------------------------------------------

O que sente uma pessoa quando chega ao Barcelona, ganha espaço e logo de seguida termina a temporada com uma lesão grave?

Não deixamos de ser pessoas e não deixamos de sentir. Mudei de contexto, mudei de casa, ainda que esteja perto, mudei de país para fazer aquilo que mais gosto - que é jogar futebol, na atual melhor equipa do mundo e com as melhores jogadoras do mundo. De um dia para o outro parece que as coisas acabam. Agora estou aqui lesionada e penso: 'O que estou aqui a fazer?'. Deixei tudo por isto e agora nem isto tenho, mas é uma questão de sermos pacientes e termos vontade.

Pois…

Mesmo que não estivesse ao mais alto nível, aliás longe disso, acho que já estava a começar a entrar no ritmo delas e a ganhar o meu espaço. Esta lesão acabou por aparecer nesse momento. O mais difícil é aceitar. Sinceramente acho que ainda não aceitei ou processei esta lesão. Lá está, a final da Champions ainda não chegou e é isso que está mais preso aqui na garganta. Para não falar do Europeu. Ainda que isto agora não sirva de nada, é pensar que tenho muitos anos pela frente e muitas mais finais, dias de treino e tempo para me adaptar. 

Portugal, Benfica e Barcelona! Vimos em vários momentos (antes e após a lesão) a Kika a ser abraçada, o estádio a aplaudir e sempre muita emoção envolvida. Qual é o segredo para ser tão querida em todo o lado?

O segredo? É ser eu. Tem corrido bem [risos]. Não sou uma pessoa perfeita, tenho o meu feitio tramado, mas acho que é ser eu. Para além de jogadora, sou uma pessoa… e muito emotiva! Gosto de conhecer as jogadoras como pessoas, transmitir boas energias, dar aos adeptos aquilo que eles nos dão a nós. Gosto de fazer com que se sintam importantes nas nossas conquistas e que sintam que fazem parte disto.

É muito visível o afeto que toda a equipa tem pela Kika. Até há vídeos a ser mandada ao ar ou promessas de que vão conquistar a Liga dos Campeões.

É verdade, nem queria acreditar. Acho que é sinal de respeito, carinho e daquilo que são enquanto jogadoras, pessoas, colegas de equipa. Também é aceitar que é um sinal daquilo que já conquistei nesta equipa. E é brutal. Nunca me vou esquecer do que a Alexia [Putellas] fez por mim, sobretudo durante esta lesão. E tendo em conta que a final [Liga dos Campeões] vai ser jogada em minha casa [Portugal] e eu não vou estar... têm sido colegas e amigas. É de lhes tirar o chapéu, porque nem toda a gente faz isto. Estou muito grata, muito grata.

E como é a relação com todas colegas? Especialmente com estrelas do tamanho de Alexia Putellas ou Aitana Bonmatí?

Às vezes ainda tenho uma sensação de nervosismo. Um dia estou na televisão a vê-las jogar, no dia a seguir estou a jogar contra elas, a pedir-lhes uma camisola, e no outro dia estou a trocar a bola com elas no relvado. Para além de serem as melhores jogadoras do mundo, são muito boas pessoas, mesmo muito boas pessoas! E às vezes é difícil fazer essa separação e olhar para uma Alexia ou para uma Aitana como uma simples pessoa. Mas elas conseguem que nós o façamos de uma forma tão fácil. Nem sempre acredito onde estou. Agora já vou normalizando, mas às vezes ainda é estranho.

Não é para todos, mas a Kika já pegou na Bola de Ouro de Aitana Bonmatí. Como foi? Há o sonho de ter uma própria?

Acho que inconscientemente temos objetivos e sonhos. Criamos as nossas próprias expectativas, consoante aquilo que sabemos que somos e o que ouvimos das outras pessoas. Obviamente que qualquer jogador gostava de ganhar uma Bola de Ouro. É difícil, muito difícil. Quase que impossível, diria. Se vou fazer por isso? Vou, mas não quero estar a pensar nisso. É outro patamar, as pessoas não têm noção do que é ganhar uma Bola de Ouro. Para mim está longe.

Será?

É sempre possível, não é? Afinal de contas estou no Barcelona, a melhor equipa do mundo, e também sou consciente daquilo que posso fazer, mas também sou consciente daquilo que as minhas colegas de equipa e de profissão podem fazer. Acaba por ser uma competição, mas felizmente saudável. 

E no balneário? Como funciona? Já se ouve alguma música portuguesa?

Já me ouviram a cantar… Ouve-se também muito reggaeton.

A cantar? A cantar o quê?

Tive de cantar um fado quando cheguei cá [risos]. Eu gosto muito desta parte pessoal e acho que tem de haver ligação fora de campo. Não temos de ser as melhores amigas, mas tem de haver essa ligação. E trouxe a este balneário um bocadinho desta alma e boa disposição portuguesa. Acho que consegui mudar um bocadinho para melhor, nem que seja um por cento.

Relacionados

Informação em todas as frentes, sem distrações? Navegue sem anúncios e aceda a benefícios exclusivos.
TORNE-SE PREMIUM