A escolha de um novo presidente da Fed é uma das contratações mais importantes de qualquer presidente dos EUA – mas a nomeação assume uma importância ainda maior com este presidente
O presidente Donald Trump nomeou Kevin Warsh para o cargo de 17.º presidente da Reserva Federal (Fed), quando terminar o mandato de Jerome Powell, em maio.
Kevin Warsh é um candidato relativamente convencional à presidência da Reserva Federal (Fed): um ex-governador da Fed que já tinha sido considerado para o cargo de secretário do Tesouro no segundo mandato de Trump e foi também candidato à presidência da Fed durante o primeiro mandato do presidente.
Warsh foi nomeado para a Fed em 2006, aos 35 anos, tornando-se a pessoa mais jovem a ocupar um cargo no influente conselho da Fed.
Warsh, agora com 55 anos, mudou recentemente a sua posição em relação à política monetária. Outrora um acérrimo defensor do controlo da inflação, Warsh defende agora taxas de juro mais baixas, de acordo com várias declarações públicas feitas nos últimos meses, enquanto Trump transformava a escolha do presidente da Fed num espectáculo digno de reality show. Warsh defendeu ainda uma reformulação do quadro de pessoal do banco central.
A escolha de um novo presidente da Fed é uma das contratações mais importantes de qualquer presidente dos EUA – mas a nomeação assume uma importância ainda maior com este presidente. Trump prometeu reduzir o custo de vida, e a Fed é responsável por manter a estabilidade de preços.
Trump criticou duramente a Fed e Jerome Powell durante o último ano, chegando mesmo a chamar "idiota" a Powell, o seu escolhido a dedo para a presidência da Fed, na quinta-feira.
A escolha de Trump para dirigir o banco central encerra um extenso processo de seleção que, a dada altura, chegou a incluir cerca de uma dezena de pessoas, desde figuras importantes do movimento MAGA, como o diretor do Conselho Económico Nacional, Kevin Hassett, até à ex-secretária do Tesouro, Janet Yellen, segundo Scott Bessent, chefe do Tesouro de Trump, que liderou a busca. O próprio Bessent também foi considerado para o cargo, mas disse a Trump que preferia manter-se na sua posição atual.
O Comité Bancário do Senado vai analisar a nomeação de Warsh através de uma audiência pública, e depois o plenário do Senado votará se o confirma ou não. Mas mesmo este processo pode ser comprometido pela extraordinária investigação criminal da administração Trump contra Powell - uma linha vermelha que, segundo alguns senadores republicanos de topo, Trump ultrapassou e que poderá atrasar a nomeação de Warsh até que a investigação esteja concluída.
Os esforços de Trump para politizar as decisões da Fed ameaçam minar a tão prezada independência do banco central. Os membros da Comissão Bancária do Senado irão certamente questionar Warsh sobre a sua política de taxas de juro, que está em constante mudança, e sobre quaisquer promessas que tenha feito a Trump relativamente à definição desta política. Warsh poderá também ser questionado sobre o seu sogro, o mega doador republicano Ronald Lauder.
A credibilidade de Kevin Warsh
Kevin Warsh trabalhou como economista da Casa Branca durante a administração de George W. Bush. Atualmente é investigador visitante na Hoover Institution, um think tank de tendência conservadora da Universidade de Stanford.
Embora Trump esteja a procurar cortes profundos nas taxas de juro para impulsionar o crescimento dos EUA, alguns economistas e analistas observam que Warsh tem um historial de favorecer políticas rigorosas contra a inflação.
Por exemplo, em Abril de 2009, em plena Grande Recessão, quando a taxa de desemprego estava a disparar, Warsh manifestou preocupação com a inflação.
"Continuo mais preocupado com os riscos de inflação de alta do que com os riscos de queda", declarou Warsh durante uma reunião da Fed, de acordo com as atas divulgadas posteriormente.
Kevin Warsh esperava que a Fed retirasse o seu apoio de emergência à política monetária mais rápido do que os economistas da Fed previam.
"Se Trump quer alguém que seja brando com a inflação, escolheu a pessoa errada em Kevin Warsh", escreveu Anna Wong, economista-chefe para os EUA da Bloomberg Economics, numa publicação no X, na quinta-feira.