Com Andy Burnham a surgir como favorito, o processo para escolher o próximo primeiro-ministro britânico pode ficar resolvido já nas próximas semanas
A saída de Keir Starmer da liderança do Partido Trabalhista britânico desencadeou um processo interno que vai determinar quem será o próximo líder da formação política e, consequentemente, o novo primeiro-ministro do Reino Unido.
O mecanismo de eleição está previsto nos regulamentos do partido e envolve várias fases, desde a apresentação de candidaturas até à votação dos militantes.
Quando começa a corrida à liderança?
Embora o calendário oficial ainda tenha de ser aprovado pelo Comité Executivo Nacional (NEC) do partido, Starmer manifestou a intenção de que o período de nomeações tenha início a 9 de julho, após a cimeira da NATO.
Para chegar ao boletim de voto final, cada candidato terá de reunir o apoio de pelo menos 20% dos deputados trabalhistas no Parlamento, o que corresponde atualmente a 81 parlamentares.
Além disso, os candidatos necessitam do apoio de pelo menos 5% das estruturas locais do partido ou de três organizações afiliadas, incluindo obrigatoriamente dois sindicatos.
Quando termina o processo de nomeações?
A direção do partido ainda não confirmou uma data definitiva, mas fontes citadas pela imprensa britânica admitem que o prazo possa terminar a 16 de julho, coincidindo com o início das férias de verão parlamentares.
Quem pode votar?
Após o encerramento das candidaturas, a escolha do novo líder caberá aos membros do Partido Trabalhista que estejam inscritos há pelo menos seis meses antes do anúncio oficial do calendário eleitoral.
Cada eleitor dispõe de um único voto, mesmo que seja simultaneamente militante e membro de um sindicato afiliado.
A votação é realizada através do sistema de voto preferencial, no qual os eleitores classificam os candidatos por ordem de preferência.
Como é determinado o vencedor?
Para ser eleito, um candidato precisa de obter mais de metade dos votos válidos.
Se nenhum concorrente alcançar essa fasquia na primeira contagem, os candidatos menos votados são eliminados sucessivamente e os respetivos votos redistribuídos de acordo com as preferências indicadas pelos eleitores, até que alguém ultrapasse os 50%.
Quando poderá tomar posse o novo líder?
Keir Starmer afirmou que pretende que o processo esteja concluído até ao regresso de férias dos deputados do Parlamento, marcado para 1 de setembro.
No entanto, caso exista apenas um candidato capaz de reunir o número necessário de apoios, a eleição poderá ficar decidida muito mais cedo. Nesse cenário, o novo líder trabalhista poderá assumir funções ainda durante o mês de julho.
Andy Burnham surge como favorito
Entre os nomes apontados à sucessão destaca-se Andy Burnham, recentemente eleito deputado por Makerfield. O político já confirmou a intenção de concorrer e é visto por vários setores do partido como o principal favorito.
Entretanto, Wes Streeting, que chegou a ser apontado como potencial candidato, anunciou que não avançará para a disputa, optando, em vez disso, por apoiar Burnham.
Embora qualquer deputado trabalhista possa apresentar uma candidatura, apenas aqueles que consigam reunir o número exigido de apoios poderão seguir para a fase final da eleição. De acordo com as regras atuais, o boletim de voto não poderá incluir mais de cinco candidatos.
Caso Andy Burnham seja o único a cumprir os requisitos da nomeação, tornar-se-á automaticamente líder do Partido Trabalhista e assumirá o cargo de primeiro-ministro sem necessidade de votação entre os militantes.
