Kate Moss fala sobre o lado "doloroso" de ser modelo

CNN , Leah Dolan
30 jul, 12:00
Kate Moss. Dimitrios Kambouris/Getty Images

A supermodelo britânica Kate Moss revelou alguns fiascos antigos na sua carreira de modelo numa rara entrevista com a série de podcasts da BBC, Desert Island Discs.

Moss, que disse à revista T em 2010 que "simplesmente odeia" falar com a comunicação social – e que, enquanto jovem modelo, "ficava muito doente só por se preocupar" com as entrevistas que tinha dado – desabafou com a apresentadora Lauren Laverne sobre as experiências "dolorosas" por que passou na indústria.

As filmagens emblemáticas que ajudaram a definir a sua carreira eram muitas vezes "difíceis e dolorosas" nos bastidores, segundo Moss. Enquanto filmava a influente campanha de roupa interior da Calvin Klein de 1992, juntamente com Mark Wahlberg, por exemplo, Moss disse a Laverne que se sentiu "vulnerável e assustada".

"(Wahlberg) era muito macho e só ele importava, tinha uma grande comitiva", disse Moss. "Eles jogaram com a minha vulnerabilidade", acrescentou sobre os que estão em posições de poder na indústria. "Eu era muito jovem e inocente."

E Moss, que foi descoberta por uma importante agente de modelos aos 14 anos, e começou a ser chamada para editoriais aos 16 anos, também falou de outros casos em que a sua juventude foi usada contra ela. Disse que os fotógrafos a "pressionaram" para mostrar mais pele do que ela desejava e foi inclusive fotografada em topless.

Enquanto rosto da famosa tendência de moda dos anos 90 "heroin chic", Moss disse que sentia que muitas vezes se tornava "o bode expiatório para muitos problemas das pessoas".

"Nunca fui anorética, nunca fui... Nunca tinha consumido heroína", disse. "Eu era magra porque não me alimentava em filmagens ou em desfiles, e sempre fui magra."

Assim, em 2005, quando um tabloide britânico publicou fotos de Moss onde parecia consumir cocaína, Moss disse a Laverne que "se sentiu doente e ficou bastante zangada".

Kate Moss desfila para Stella McCartney, em 1997. Foto: THOMAS COEX/AFP via Getty Images

Moss divulgou mais tarde um comunicado no qual pediu desculpa "a todas as pessoas que desiludi por causa do meu comportamento, o que se tem afetado negativamente a minha família, amigos, colegas de trabalho, sócios de negócios e outros".

"Assumo total responsabilidade pelas minhas ações", dizia no comunicado. "Também aceito que há várias questões pessoais que preciso de abordar e que comecei a tomar as medidas difíceis, ainda que necessárias, para as resolver."

Moss nunca foi indiciada.

Desde que se retirou oficialmente da passarela em 2004, Moss criou a sua própria agência de modelos, cujos books incluem agora a sua filha, a estrela em ascensão Lila Moss – já com uma capa da Vogue britânica no currículo. A juntar às aparições ocasionais nas semanas da moda, Moss fez manchetes em junho por ressuscitar uma peça da história da moda – um blazer vintage de John Galliano com a Union Jack, de 1993 – nas celebrações do Jubileu de Platina da Rainha em Londres. Este mês, foi nomeada diretora criativa da Diet Coke, cargo anteriormente ocupado pelos titãs da moda Karl Lagerfeld, Jean Paul Gaultier e Marc Jacobs.

Sobre defesa feroz que faz de figuras controversas como Galliano – que foi considerado culpado, em 2011, de fazer comentários antissemitas num café parisiense – Moss afirmou a sua crença na "imparcialidade e na justiça".

"Sei que o John Galliano não é má pessoa", disse ela, "As pessoas não são elas mesmas quando bebem e dizem coisas que nunca diriam se estivessem sóbrias."

Moss também falou com Laverne sobre o seu papel no julgamento por difamação de Johnny Depp, ao ter sido notícia com o seu testemunho por Zoom, em maio. No julgamento, Amber Heard testemunhou ter ouvido um "rumor vago" sobre Depp ter, alegadamente, empurrado Moss numa altercação durante a relação que mantiveram em meados dos anos 90. A defesa de Depp chamou Moss como uma testemunha de contestação; "Sei que ele nunca me pontapeou pelas escadas abaixo. Tinha de dizer essa verdade", contou a Laverne.

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