Kate e William: o núcleo duro de apoio a Carlos III

13 set, 09:00
Os Príncipes de Gales, William e Kate (Daniel Leal/Pool via AP)

Muitos foram os que duvidaram do sucesso do casamento de William pelo simples facto de Kate ser plebeia. O certo é que a duquesa de Cambridge se revelou suficientemente inteligente e madura para a sua nova existência

O adolescente que, há 25 anos, emocionou milhões de britânicos (e não só) ao caminhar, de rosto fechado e cabeça baixa, atrás do féretro da sua mãe, é hoje uma das pedras angulares da monarquia britânica. Filho mais velho do rei Carlos III e da falecida princesa Diana, William Arthur Phillip Louis Windsor é o primeiro na linha de sucessão ao trono britânico, tarefa para a qual vem sendo preparado desde criança. William – Guilherme, na língua de Camões –, com a sua mulher Kate Middleton constituem ainda uma esperança para a sobrevivência da monarquia num mundo onde as repúblicas vão ganhando terreno.

Com a subida ao trono de Carlos III, William junta o título de duque da Cornualha ao de duque de Cambridge e ainda o de príncipe de Gales, este por decisão do seu pai. Os títulos em causa abrangem também Kate, a plebeia que casou com William em 2011, que se torna na primeira princesa de Gales depois da sua sogra, a princesa Diana. A rainha consorte Camila poderia, por direito, ter usado o título de princesa de Gales, preferiu não o fazer para não ferir os sentimentos de todos aqueles para quem Diana era a verdadeira princesa de Gales.

O príncipe, que nasceu no hospital londrino de St. Mary a 21 de julho de 1982, foi uma criança como qualquer outra: traquinas, extrovertido, determinado, super protetor do irmão mais novo a quem, porém, gostava de dar ordens. Os pais fizeram questão que a sua educação fosse em tudo semelhante às outras crianças, embora a maior parte das crianças britânicas não tivessem amas, não vivessem em palácios e não tivessem guardas a fazer-lhe a segurança. William frequentou escolas privadas no sul da Inglaterra. Eton College, em Berkshire, foi a escolha dos pais para fazer o secundário, quebrando assim a tradição familiar: Gordonstoun era a escola frequentada pelos membros da família real.

“Foi a melhor parte do meu ano sabático”, disse William na entrevista que deu em 2001, em vésperas de entrar para a universidade de St Andrews, na Escócia. E o príncipe, que durante esse ano sabático fez viagens a Belize, ao Chile e a África, explica a razão: “Gostei de trabalhar e ser pago como qualquer outro trabalhador da quinta. Sujei as mãos, fiz de tudo e levantava-me às 4 da manhã [para ajudar a mungir as vacas]; vivi um estilo de vida completamente diferente”. De acordo com várias fontes, desde então William tem um outro olhar sobre o trabalho do campo e a vida dos lavradores.

Em St. Andrews, que o príncipe escolheu por amar as colinas e as montanhas e os imensos espaços verdes da Escócia, tal como a sua avó paterna, a falecida rainha Isabel II, conhece aquela que viria a tornar-se sua mulher: a plebeia Catherine Middleton ou Kate, como é mundialmente conhecida. Kate nasceu no hospital Royal Berkshire, em Reading, a 9 de janeiro de 1982. É a filha mais velha de Michael Middleton e Carole, família da classe média alta. O facto da sua mãe ter sido assistente de bordo e utilizar um vocabulário menos sofisticado foi tema para algumas piadas dos amigos de William quando foi conhecida a relação entre Kate e o príncipe.

Kate e William cedo descobriram ter muitos interesses em comum, para além do curso de história de Arte que ambos frequentaram em St. Andrews. Terminada a licenciatura, em 2005, o príncipe inicia a sua preparação militar na Academia Militar Sandhurst, o primeiro passo de uma longa caminhada que o levará a integrar a cavalaria e também a força aérea. Por seu turno, Kate prosseguiu os seus estudos em Florença e quando regressa a Londres divide o seu tempo entre apoio a causas humanitárias e um ou outro emprego.

A relação entre dois jovens mantém-se e transforma Kate no alvo privilegiado dos fotógrafos e da imprensa, à semelhança do que aconteceu com a princesa Diana. Kate conhece a história da sua futura sogra e procura viver com a situação sem se deixar vencer por ela, embora não lhe fosse agradável ser o alvo constante de fotógrafos. Em 2008, após uma breve rutura, Kate e William retomam a relação e, em abril de 2008, a jovem assiste à cerimónia da entrega das asas ao príncipe que passa a integrar a Força Aérea. “É certamente uma firme confirmação de que estão de novo juntos”, afirmou, a propósito, Nicholas Witchell à BBC. De facto, desde então são frequentes as atividades oficiais em que Kate participa ao lado do príncipe. Em 2010, durante umas férias no Quénia, William pede a noiva em casamento e oferece-lhe o anel que fora da sua mãe. Um ano depois, a 29 de abril, os dois jovens casam-se na abadia de Westminster, em Londres.

Herdeiro descontraído

Muitos foram os que duvidaram do sucesso do casamento de William pelo simples facto de Kate ser plebeia. O certo é que a duquesa de Cambridge se revelou suficientemente inteligente e madura para a sua nova existência. Segundo próximos do casal, Kate terá aprendido muito junto da rainha Isabel II, aprendeu a ouvir, a observar e a manifestar com parcimónia as suas opiniões.

“A infância determina quase sempre a nossa idade adulta”, confessou Kate, numa alusão à forma como a princesa Diana – a quem terá escolhido com o modelo - educou os filhos, estando sempre presente e fazendo deles pessoas afáveis e atentos aos outros. Talvez por isso mesmo, o príncipe de Gales tenha uma atitude mais descontraída e de maior empatia na sua relação com os seus súbditos. Como referia o jornal The Guardian, “William irá ser menos formal e mais experiente na sua relação com os media do que o seu pai”. Ser-lhe-á também mais fácil chegar às novas gerações e irá desenvolver os seus deveres de príncipe herdeiro de forma muito mais descontraída em comparação com o pai, avança a imprensa.

Charles Era, ex-correspondente da casa real, referindo-se à “era” do novo príncipe de Gales, afirma-se seguro de que “vai haver muito mais apertos de mão e possivelmente abraços, em vez da formalidade que vimos no passado. Penso que irá ser muito mais descontraído” no desempenho dos seus deveres.

Outros analistas avançam que o príncipe, politicamente, irá ser mais neutral e cauteloso do que foi o seu pai. Mas, segundo Katie Nicholl, da Vanity Fair, isso não o irá impedir de “fazer-se ouvir sobre assuntos importantes”, como é o meio ambiente, os sem abrigo e a saúde mental.

Ao herdar os títulos do pai, William tem também que dar atenção a todas as fundações e causas a que o seu pai estava ligado, isto para além das suas próprias causas e interesses. Para além disso, faz parte do núcleo duro de apoio a Carlos III, cujo plano para “emagrecer” conta com o apoio do príncipe.

Um exemplo da atuação do príncipe herdeiro aconteceu recentemente quando convidou o irmão, Harry, a deslocar-se com a mulher ao palácio de Buckingham para cumprimentar a multidão que ali se encontrava e ler algumas dos milhares de mensagens que acompanham as flores ali deixadas em honra de Isabel II. De costas voltadas há mais de um ano, William percebeu o quanto era importante para o pai, e para a imagem da família, ter o seu irmão presente que, tal como ele, também “perdeu uma avó”. Daí o convite que lhe fez depois de ter consultado o rei sobre o assunto.

Kate, a mulher de William e mãe dos seus três filhos – o príncipe George, a princesa Charlotte e o príncipe Louis que seguem o seu pai na linha de sucessão ao trono – viu também as suas responsabilidades aumentarem com os novos títulos, embora muitas das causas defendidas e patrocinadas pela rainha consorte possam, em certa medida, continuar sob a sua alçada.

Uma história que revela bem quem é a atual princesa de Gales, que muitos comparam com a falecida Diana, é contada por Matthew Syed, colunista do The Tames. Segundo Syed, enquanto o príncipe William e a princesa Charlotte iam de helicóptero para os Jogos da Commonwealth, Kate viajou para Birmingham de comboio, onde ia também Syed e o seu filho pequeno, Ted. Quando o jornalista foi à casa de banho, Kate reparou em Ted a quem perguntou se estava sozinho, ao que a criança explicou que o seu pai estava perto. E a conversa prosseguiu entre a criança e a princesa, de forma animada e pontuada por gargalhadas. Chegados à estação, Syed alerta o filho que têm de sair e ao agradecer a quem fez companhia ao pequeno Ted fica sem fala: estava perante a duquesa de Cambridge. Sem guardas, sem polícias, nada. “Sabes com quem estiveste a falar?” perguntou ao filho que lhe respondeu: “Não tenho a mínima ideia, mas ela é realmente simpática!”. E Syed, que Kate não conhecia, termina a sua história afirmando: “A monarquia está em perfeitas mãos”.

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