"O mundo enlouqueceu" (e a culpa é de "Stranger Things"): Kate Bush reage ao sucesso renovado de um tema da década de 80

22 jun, 15:59
Kate Bush a promover o álbum 'Hounds of Love', 1985. (Foto: Dave Hogan/Getty Images)

"Choque" e "entusiasmo" são palavras que a cantora inglesa usa para descrever o mediatismo das últimas semanas, graças à série "Stranger Things". Numa rara entrevista, Kate Bush emociona-se com a nova geração de fãs - mas não revela os próximos passos na carreira

Kate Bush é conhecida por evitar entrevistas e exposição mediática, mas as últimas semanas levaram a cantora inglesa a quebrar o silêncio. "Running Up That Hill", tema do álbum de 1985 "Hounds of Love", apaixonou uma nova geração de fãs ao integrar a banda sonora da série "Stranger Things" e atingiu o primeiro lugar das tabelas do Reino Unido - 37 anos depois do seu lançamento. 

Numa rara entrevista, cedida à BBC Radio, a artista afirma sentir um misto de "entusiasmo" e "choque" perante o súbito sucesso. "É uma série fantástica. Pensei que a canção iria ganhar alguma atenção, mas nunca imaginei que seria algo deste género", reconhece. "Quer dizer, o mundo inteiro enlouqueceu". 

"Running Up That Hill" chegou ao terceiro lugar das tabelas na década de 80, mas não conseguiu igualar o sucesso de "Wuthering Heights", do álbum de estreia "The Kick Inside", que garantiu em 1978 o primeiro número 1 da artista - e o único, até junho deste ano. Kate Bush volta agora a liderar as tabelas britânicas, encerrando um desfasamento recorde de 44 anos entre singles número 1 e permitindo que fãs de todas as idades (re)visitem o seu catálogo musical. 

"Pensar que todos estes jovens estão a ouvir a canção pela primeira vez e a descobri-la é muito especial", admite a cantora, manifestando-se "maravilhada" com a "nova audiência". Dentro deste grupo, inclui-se a atriz Sadie Sink, a protagonista das cenas em que a música é ouvida, e que admitiu recentemente não conhecer Bush antes de ler o guião da quarta temporada. "Não a conhecia, mas fui imediatamente ouvir o seu trabalho e fiquei cada vez mais obcecada", declarou à Vanity Fair a intérprete da personagem Max Mayfield. "Então, comecei a ouvi-la constantemente". 

Kate Bush é uma das mais importantes figuras femininas da cena musical dos anos 80, tendo-se tornado, aos 19 anos, a primeira mulher a ocupar o topo das tabelas com um tema escrito e composto a solo. Quando questionada sobre a ligação da música com uma personagem feminina, a cantora elogia: "Utilizaram-na de forma muito especial". 

"Pensei: que forma bonita de usarem a canção, de forma tão positiva", continua, na entrevista radiofónica transmitida na passada quarta-feira, afirmando-se fã da série desde a primeira temporada. "Foi uma espécie de talismã para a Max. E sim, acho realmente que foi muito comovente". 

Kate Bush manteve uma figura enigmática durante as últimas décadas, com raras aparições em público. Face ao sucesso mundial de "Running Up That Hill", quais são os próximos planos?

"A jardinagem agora é a minha cena", confidencia à BBC, sem oferecer previsões sobre o futuro da sua carreira. Mantendo-se fiel ao seu perfil discreto, revela preferir manter-se longe do mundo frenético das redes sociais. "Tenho um telemóvel antigo", afirma, e prefere usar o computador. "Quando saio durante o dia, significa que não tenho de lidar com emails e todos sabem disso. Portanto recebo apenas mensagens e chamadas no meu telemóvel, e isso significa que posso ter um pouco de paz". 

Ainda assim, a cantora reconhece a importância das redes sociais e de aplicações como o Spotify na difusão do tema, que ocupa agora o pódio na maioria dos países (em Portugal, encontra-se esta quarta-feira em 11.º lugar). 

"Acho que vivemos numa época incrivelmente excitante", afirmou. "É uma altura horrível para as pessoas, a vários níveis. Muito difícil. Mas também é uma altura em que estão a acontecer coisas incríveis". 

A cantora inglesa já tinha expressado o seu entusiasmo numa declaração publicada no seu site oficial, há cerca de uma semana. 

"O tema está a ter uma resposta tão positiva", escreveu, numa nota de agradecimento aos fãs que ajudaram a quebrar os recordes. "Nunca tinha experienciado nada igual!" 

Aos 63 anos, Kate Bush é a artista feminina mais velha a alcançar o topo das tabelas do Reino Unido. A recém-destronada Cher, que tinha 52 anos quando lançou o single de 1998 "Believe", usou o Twitter para felicitar Bush e evidenciar o progresso das mulheres na indústria musical - de "prazos de validade curtos" ao romper de uma "cortina de testosterona". 

"Fizemo-lo para que as raparigas que viessem depois de nós pudessem cantar durante quanto tempo quisessem", escreveu, numa publicação que conta com quase 40 mil likes. 

 

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