Kanye West foi anunciado como cabeça de cartaz de um grande festival europeu e os problemas não demoraram a aparecer

CNN , Amarachi Orie
6 abr, 22:24
Kanye West (Scott Dudelson/Getty Images via CNN Newsource)

Situação ganhou dimensão ao ponto de o primeiro-ministro do Reino Unido emitir declarações

A Pepsi e a cervejeira Diageo retiraram o seu patrocínio ao Wireless Festival de 2026, no Reino Unido, após o anúncio de que Kanye West seria o cabeça de cartaz do evento de três dias.

O rapper, conhecido por Ye, tem enfrentado críticas nos últimos anos por repetidas declarações antissemitas e ofensivas.

A Pepsi era o principal patrocinador do Wireless, que se realizará no Finsbury Park, em Londres, de 10 a 12 de julho.

"A Pepsi decidiu retirar o seu patrocínio ao Festival Wireless", confirmou um porta-voz da empresa à CNN esta segunda-feira.

A Diageo, detentora de marcas como Guinness, Baileys, Smirnoff, Ciroc e das parceiras do Wireless Festival, Captain Morgan e Johnnie Walker, também retirou o seu apoio ao festival.

"Informámos os organizadores sobre as nossas preocupações e, neste momento, a Diageo não patrocinará o Festival Wireless de 2026", disse um porta-voz da Diageo à CNN.

A CNN contactou o Wireless Festival e outros parceiros para obter comentários.

West - que anteriormente afirmou ter doença bipolar antes de dizer no ano passado que tinha sido diagnosticado erradamente e que, na verdade, tinha autismo - publicou um anúncio de página inteira no Wall Street Journal em janeiro para pedir desculpa pelos seus comentários anteriores.

"Perdi o contacto com a realidade. As coisas pioraram quanto mais ignorava o problema. Disse e fiz coisas de que me arrependo profundamente", escreveu. "Neste estado fragmentado, aproximei-me do símbolo mais destrutivo que consegui encontrar, a suástica, e cheguei a vender t-shirts com ela."

O Wireless é um dos maiores festivais de música do Reino Unido, atraindo até 150 mil pessoas todos os anos.

Os organizadores do festival anunciaram na semana passada que West, que não se apresenta no Reino Unido desde que foi cabeça de cartaz do Glastonbury em 2015, será a cabeça de cartaz dos três dias do festival, o que gerou controvérsia.

O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, foi um dos que condenou a decisão no fim-de-semana, afirmando num comunicado partilhado com a CNN: "É profundamente preocupante que Kanye West tenha sido contratado para atuar no Wireless, apesar de se ter retratado de declarações antissemitas e da celebração do nazismo".

A organização de solidariedade Campaign Against Antisemitism (CAA) pediu que West seja proibido de entrar no Reino Unido.

"O primeiro-ministro tem razão em estar profundamente preocupado com o facto de o @WirelessFest querer como cabeça de cartaz alguém cujo preconceito antissemita chegou ao ponto de gravar uma canção intitulada 'Heil Hitler' há menos de um ano", disse a CAA numa publicação na rede social X no domingo, acrescentando: "Mas o primeiro-ministro não é um mero espectador". “O governo pode proibir a entrada no Reino Unido de qualquer pessoa que não seja cidadão e cuja presença ‘não seja benéfica para o bem público’”, continuou a CAA, acrescentando: “Este é certamente um caso claro”.

A medida surge no meio da crescente preocupação com o aumento do antissemitismo na Grã-Bretanha.

No mês passado, a polícia britânica deteve dois homens após um alegado ataque incendiário antissemita, no qual várias ambulâncias pertencentes a uma organização judaica de resgate voluntário foram incendiadas na maior comunidade judaica de Londres.

O presidente da organização comunitária Board of Deputies of British Jews, Phil Rosenberg, emitiu um comunicado este domingo, afirmando que o Wireless Festival “não deveria lucrar com o racismo” ao convidar West como cabeça de cartaz, acrescentando que a “decisão viola a própria carta do Wireless” sobre a não tolerância à discriminação.

Esta é a mais recente controvérsia que envolve West nos últimos anos.

Em julho, o rapper viu o seu visto australiano ser cancelado após o lançamento de “Heil Hitler”, uma música que promove o nazismo.

Em 2022, a Adidas, a Balenciaga, a TJ Maxx e a Gap romperam relações com West, que também é designer de moda, depois de este ter feito comentários antissemitas e usado uma t-shirt com o slogan “White Lives Matter” (Vidas Brancas Importam).

Foi também suspenso da plataforma X nesse ano por violar as regras da empresa sobre incitamento à violência, mas teve a sua conta reativada em 2023.

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