Depois da polémica em Portugal, "artista musical mais influente do nosso tempo" vê concertos cancelados na Rússia 

26 ago, 02:07
Kayne West
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Concertos estavam marcados para 10 e 11 de outubro e tinham sido apresentados como um acontecimento histórico: Ye seria o primeiro grande artista ocidental a atuar na Rússia desde a invasão da Ucrânia, em fevereiro de 2022

Os dois concertos que Kanye West - também conhecido como Ye - tinha agendado para outubro na Rússia estão agora envoltos em incerteza. A Gazprom Arena, em São Petersburgo, anunciou que não vai receber os espetáculos, alegando que nunca chegou a ser assinado um contrato de aluguer com a promotora.

Os concertos estavam marcados para 10 e 11 de outubro e tinham sido apresentados como um acontecimento histórico: Ye seria o primeiro grande artista ocidental a atuar na Rússia desde a invasão da Ucrânia, em fevereiro de 2022.

A decisão do estádio surgiu esta terça-feira e surpreendeu a promotora russa Say Agency, responsável pela organização dos eventos. Numa mensagem publicada no Telegram, a empresa afirmou ter tomado conhecimento da posição da Gazprom Arena através dos meios de comunicação social.

"Até ao momento, o concerto de Ye não foi cancelado", garantiu a promotora, acrescentando que está a tentar contactar o recinto para perceber o que motivou o anúncio e encontrar uma solução.

Segundo a Say Agency, os concertos foram anunciados no início do mês com base numa carta oficial aprovada pela Gazprom Arena. O estádio terá posteriormente enviado um contrato de aluguer, mas, embora o documento ainda não tivesse sido assinado, a promotora afirma que o prazo para o fazer só terminaria no final desta semana.

A própria Gazprom Arena tinha, até há poucos dias, promovido entusiasticamente a chegada de Ye. Nas redes sociais, chegou a descrever o rapper como "o artista musical mais influente do nosso tempo".

Pressão e polémica em torno do rapper

A polémica em torno de Ye está longe de ser uma novidade. O rapper norte-americano tem enfrentado uma série de cancelamentos e contestação internacional devido ao seu historial de declarações antissemitas e de elogios ao nazismo. Mas, apesar das controvérsias, a digressão de 2026 não parou - e Portugal foi um dos países onde o espetáculo avançou.

A 7 de agosto, Ye atuou no Estádio do Algarve, em Loulé, numa das datas da atual digressão europeia. O concerto português chegou a estar sob escrutínio devido ao passado polémico do artista, mas acabou por se realizar. 

O músico tem tentado recuperar a carreira depois de uma série de declarações antissemitas que provocaram uma forte reação internacional e levaram várias marcas a romper relações com o artista.

Em 2022, West publicou diversas mensagens antissemitas, desencadeando a suspensão das suas contas em redes sociais. Mais tarde, afirmou ser “um nazi”, lançou uma música intitulada Heil Hitler e comercializou peças de roupa com a suástica.

Em janeiro deste ano, o rapper publicou um anúncio de página inteira no Wall Street Journal no qual afirmou: “Não sou nazi nem antissemita”. West atribuiu parte do seu comportamento a um episódio de mania, descrevendo-se como “profundamente mortificado” pelas suas ações.

O pedido de desculpas, contudo, não encerrou a controvérsia. Vários concertos previstos na Europa acabaram por ser cancelados, incluindo atuações planeadas no Reino Unido, França, Itália e Polónia.

Rússia dividida com a chegada de Ye

A escolha da Rússia como destino da nova digressão também gerou críticas dentro do próprio país.

Vitaly Milonov, deputado russo conhecido pelas posições ultraconservadoras, contestou a presença do artista e chegou a sugerir que Ye deveria interpretar canções tradicionais russas em vez do repertório previsto.

“Talvez depois disto ele deixe de fazer as suas coisas repugnantes e se torne uma pessoa normal”, afirmou o político num vídeo.

Não existem, até ao momento, indicações de que as autoridades russas tenham ordenado o cancelamento dos concertos. A Gazprom Arena limitou-se a afirmar que não assumiu qualquer responsabilidade pela contratação do rapper e que recebeu reclamações relacionadas com o espetáculo.

A Say Agency, por sua vez, reconheceu a controvérsia, mas defendeu a decisão de levar Ye à Rússia. A promotora argumentou que o passado recente do músico não deveria apagar a sua influência artística.

“Não é fácil ouvir uma pessoa que mudou a indústria durante décadas. Nós ouvimos”, escreveu a agência numa publicação no Telegram.

Enquanto a disputa entre a promotora e o estádio não é resolvida, permanece uma questão em aberto: Ye vai mesmo atuar na Rússia em outubro ou os concertos serão a mais recente baixa de uma digressão marcada pela polémica?

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