Bruno Paixão: «É um assassinato público, não sou arguido»

20 fev, 12:54

Antigo árbitro defende-se da ligação ao empresário José Bernardes, diz que está disponível para prestar provas à Polícia Judiciária e que vive do trabalho como motorista de Uber

O antigo árbitro de futebol Bruno Paixão falou este domingo num «assassinato público» sobre a sua associação a uma investigação judicial que envolve o empresário José Bernardes, arguido no processo ‘Saco Azul’, que envolve o Benfica por suspeitas de fraude fiscal e branqueamento de capitais.

«É um assassinato público, quer a mim, quer os meus pais e família. Para ficar claro, até ao dia de hoje, não sou arguido, nem testemunha, nem fui chamado à Polícia Judiciária. O último contacto que tive com o Ministério Público foi há um ou dois anos», começou por dizer Bruno Paixão, em entrevista à CNN, esta manhã, garantindo ainda que os eventuais contactos que teve com o ex-presidente dos encarnados, Luís Filipe Vieira, foram apenas «no ambiente de jogos».

Bruno Paixão referiu, ainda que o primeiro contacto com Bernardes, que não conhecia até novembro de 2013, começou com um telefonema a propósito de um trabalho na área da qualidade, na qual tinha reforçado a sua formação pouco tempo antes. «Em 2012, por outros motivos, saí [ndr: de árbitro internacional], tive de reestruturar a minha vida e comecei a focar-me outra vez na área da qualidade. Atualizei-me com cursos e quando estou neste processo de reestruturação da minha vida, o doutor que me assistia, Fernando Ferreira, criou a empresa Átomos Célebres e neste processo todo surge o contacto para ir a uma entrevista. Antes disso, começo a distribuir flyers, currículos e é neste processo que recebo um telefonema do José Bernardes para uma entrevista. Não o conhecia. Foi neste momento que começou. Terminou em agosto de 2014. Nove meses. O que eu recebia nesta empresa, declarado no recibo, 875 euros com subsídio de refeição de 6,41 euros. Tenho todos os recibos, contrato de trabalho», referiu.

Devido a toda esta situação, Bruno Paixão terminou a sua colaboração como consultor de arbitragem no Casa Pia, emblema da II Liga portuguesa de futebol, vivendo agora do trabalho como motorista de Uber, segundo o próprio.

«Fiz um ponto final na arbitragem e abracei um projeto que estava a adorar no Casa Pia. Fui convidado para ser consultor de arbitragem e, ao mesmo tempo, exerço a função de motorista de Uber. Para perceberem o meu dia-a-dia, acordo todos os dias entre as três e as quatro da manhã, conduzo normalmente entre as seis e as dez ou 11 da manhã. Chegava ao estádio, fazia as minhas tarefas no clube, voltava a pegar no carro às quatro ou cinco da da tarde e trabalhava até às onze da noite», referiu.

Bruno Paixão garantiu ainda que, além dos cerca de 9 mil euros que recebeu durante os nove meses de contrato de trabalho entre 2013 e 2014, recebeu entre dois mil a quatro mil euros por mais dois serviços de auditoria, mas que não recebeu uns alegados 40 mil euros por suposta corrupção desportiva.

O processo do 'Saco azul' do Benfica arrancou em setembro de 2018. A investigação indicava suspeitas sobre a utilização de uma empresa de informática para fazer sair dinheiro do clube, sob a justificação de serviços de consultadoria alegadamente fictícios.

A Procuradoria Geral da República confirmou a «existência de um inquérito dirigido pelo Ministério Público do DIAP de Lisboa, no qual se investigam factos suscetíveis de integrarem crime de fraude fiscal».

A acusação aponta a emissão de faturas de serviços fictícios de uma empresa de informática, pagas pelo Benfica, no valor de 1,9 milhões de euros. Essa quantia teria sido paga pela SAD encarnada durante seis meses, a troco de serviços que não foram prestados. Esse dinheiro seria depois levantado em numerário e serviria para fazer outro tipo de pagamentos.

O Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol já abriu um processo de inquérito.

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